Jovem autor tem a cultura japonesa como inspiração

Leidus Ivanent Daria é o nick de Cassio Fernandes, nome do personagem principal de seu primeiro livro
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Jovem autor tem a cultura japonesa como inspiração

Cassio Fernandes lançou no último sábado, 18, os livros “Linra - 18 Almas” e “O Conto da Dama de Fogo”, quando recebeu leitores para uma noite de autógrafos na Livraria Sabor de Leitura. Com dois livros fisicos já lançados pela editora PenDragon e dois ebooks pela plataforma Amazon, o jovem autor de 29 anos, escolheu o gênero literário denominado alta fantasia (um sub-gênero da Fantasia), para criar mundo totalmente seu. 

“Foi bem divertido entrar de cabeça nesse universo literário. A cada criação aprendo muito, assim tem sido desde o primeiro livro e vai continuar sendo sempre que começar um novo livro. É um trabalho complexo, mas gratificante”, revelou. Em 2017 e 2019, Cassio participou das bienais do Rio, junto com sua editora.

Ele conta que começou a escrever quando estava na 7ª série do ensino fundamental. “Na época, um jogo de PS2 me deixou impressionado e eu queria fazer algo similar. Escrevia nos cadernos da escola e até já tinha uma colega, minha ‘leitora’. Mas parei por ali mesmo até que em meados de 2012, quando comecei a jogar RPG de mesa, minha imaginação fluiu. Senti que era hora de seguir em frente”, lembrou. 

Cassio curte os escritores nacionais do gênero e entre os autores internacionais citou Gen Urobochi e Nishio Ishin. Também tem espaço para comédias românticas e “quase toda história com um bom drama e plot twist”. E um nick, ou seja, um pseudônimo: Leidus Ivanent Daria

Esse é o nome do personagem principal de seu primeiro livro, aquele da época de escola, que adotou e usa até hoje, como em sua página no Facebook: www.facebook.com/18Almas, onde podem ser encontradas várias postagens sobre seus livros, desenhos, curiosidades e afins. Confira nesta entrevista exclusiva.  

A VOZ DA SERRA: O que vem a ser subgênero da Fantasia?

Cassio Fernandes: É o tipo de fantasia "maior" onde há muito mais características fantásticas que o comum. Servem como exemplos do gênero, em filmes e livros, O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Narnia, Percy Jackson, entre outros.

Quem são Gen Urobochi e Nishio Ishin?

São dois autores japoneses de obras que eu amo e me influenciaram: Gen Urobochi é conhecido principalmente por suas histórias que sempre têm desfechos incríveis e trágicos, como Fate/Zero e Puella Magi Madoka Magica. E Nishio Ishin tem obras inteligentes e fantásticas, embora sejam do tipo “você ama ou você odeia”. 

Além dos mangás, você foi influenciado por outras formas de linguagem?  

Mangás, jogos, visual novels, light novels, RPGs e animes. Todos têm grande influência em minha escrita e construção do meu universo.

O que você lia além de revistas de quadrinhos na infância?

Quadrinhos comuns para a época como a Turma da Mônica. Gostava muito de HQs, mas só acompanhava os super-heróis pelas revistas especializadas da época, os animes que passavam na TV e os jogos que eu curtia.

A sua geração é muito ligada em cultura oriental, principalmente a japonesa. Como é a sua relação com ela? 

Amo a cultura japonesa. De fato, é minha principal inspiração. Para quem gosta de super heróis, filmes e livros de fantasia, ela não está tão longe como alguns imaginam. Há algumas diferenças culturais evidentes do ocidente para o oriente, mas são todas fascinantes.

Quem faz as ilustrações dos seus livros?

As capas de O Conto da Dama de Fogo e Linra -18 Almas foram criadas por artistas contratados pela editora PenDragon. Salvo esses dois, todos os desenhos dos outros livros, e as capas, dos mais feios aos mais belos, são meus.

Como foi a recepção aos seus livros nas bienais do Rio? 

Foi muito boa, embora a inexperiência em lidar com o público e a timidez tenham me travado bastante. Mas a cada livro vendido, cada vez que algum leitor se interessava em saber mais detalhes sobre a história... nossa! Que sensação incrível e única! Interagir com leitores é maravilhoso demais e não dá para expressar em palavras.

Qual a faixa etária do seu leitor?

De adolescente em diante. Isso porque há muitas batalhas ou cenas violentas que não considero adequadas para crianças. Para pessoas mais sensíveis, de qualquer idade, há algumas cenas que eu não recomendaria, pois mesmo que haja pouquíssimas cenas assim, o fato é que ainda há.

Esse gênero desperta também o interesse de um público na faixa dos 40, 50 anos ou mais?

Certamente. Pessoas de todas as idades amam filmes de super-heróis ou batalhas/guerras épicas, não é mesmo? Também há mensagens que gosto de passar em cada um dos meus livros e talvez só quem tiver certa bagagem na vida conseguirá entendê-las bem.

Nesse tipo de literatura é importante seguir a cronologia para melhor acompanhar a história? 

Acredito que sim. No meu caso, acho melhor saber por onde começar. Indico a sequência: Linra, 18 Almas; As Crônicas de Linra - Caminhos Cruzados 1; As Crônicas de Linra - Caminhos Cruzados 2; As Crônicas de Linra 2 - Pecado Inocente; O Conto da Dama de Fogo. E vem mais por aí!

 

Que gênero é esse? 

Alta fantasia é um sub-gênero da fantasia, definido pela sua configuração em um mundo imaginário, universo paralelo ou pela estatura épica de seus personagens, temas e enredo. O termo foi cunhado por Lloyd Alexander em um ensaio de 1971, "High Fantasy and Heroic Romance". Este mundo imaginário pode ser apresentado de três formas:

  • O mundo primário (real) não existe, como Dungeons & Dragons.

  • Introduzido através de um portal no mundo primário, como Seres do Além.

  • Um mundo-dentro-do-mundo, como As Crônicas de Nárnia (apesar de haver controvérsias quanto a essa definição).

A alta fantasia começou a se desenvolver no século 19, mas o gênero foi popularizado por J.R.R. Tolkien com o clássico O Senhor dos Anéis, autor reconhecido como o "pai" da fantasia moderna. O modelo tolkieniano e seus seguidores, geralmente apresentam uma jornada do herói e lutas do bem contra o mal. 

No entanto, alguns autores atuais como George R.R. Martin e China Miéville, este último crítico mordaz da influência de Tolkien sobre o gênero fantástico, procuram fugir de pré-definições de bem e mal em favor da exploração de uma temática moral mais complexa e maleável, com seus vilões e heróis agindo de forma moralmente ambígua ou vacilante, alternando entre agirem como anti-heróis, herói trágicos, heróis byronianos ou vilões trágicos.

 

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TAGS: escritor