Felipe Ricotta: um "meme humano" nas ruas de Friburgo

De máscara e violão estilizado, artista mineiro que vive na estrada desde 2010 cria curiosas performances
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
De máscara e violão estilizado, Ricotta cria curiosas performances (Fotos: Thyberson Souza)
De máscara e violão estilizado, Ricotta cria curiosas performances (Fotos: Thyberson Souza)

Ele é compositor, cantor, ator, pintor, performer, um artista nos palcos, nas ruas e na vida. Faz música, literatura, artes visual e plástica. Para tanto, Felipe Ricotta abriu mão de muita coisa na vida para viver de arte. “Tinha uma casa, quer dizer, tenho, mas alugo pra poder pagar os hotéis e casas temporárias. E faço dinheiro com a venda dos disco-flyers, assim como com os meus quadros. Nunca fiz nenhum projeto com dinheiro público, nem recebo auxílio emergencial”, revelou. 

Ricotta não é apelido, mas o sobrenome oficial de uma família italiana oriunda de Sapri, cidade da região da Campânia, sul da Itália. Mineiro, de Itajubá, Felipe já foi a vários países — Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia —  e a cada turnê no Brasil se apresenta em pelo menos 25 cidades. Sem residência fixa, ele vive na estrada desde 2010. 

 “Já perdi a conta das cidades por onde passei. Mas posso garantir que nem os sertanejos rodaram mais do que eu nos últimos anos”, disse, rindo, acrescentando que esse tipo de show começou em 2017 com a turnê QualquerLugarDaRuaTour

“Percebi que atingia mais gente assim do que fazendo turnê tradicional. Na verdade é uma experiência mais visual do que sonora. Eu tô realmente tocando, a pessoa vê mas não escuta, fica curiosa e acaba querendo saber mais. Eu sacrifiquei o show ao vivo, mas, em compensação as pessoas ‘me consomem’ em suas casas quando descobrem quem estava ali”, contou, acrescentando que aproveita as turnês para produzir também arte visual e escrever um diário.

Enquanto dá vazão à  sua criatividade, ele protesta

Como se fosse coisa pouca, ele diz que arte é a única coisa que sabe fazer na vida. “A idéia de tocar na rua sem ser ouvido e compor tantas músicas e não gravá-las é, na verdade, um protesto contra a indústria fonográfica do país. Quero que sintam remorso pela injustiça absurda que é um artista como eu não ter um contrato e uma estrutura digna pra trabalhar. O mercado literário também já poderia ter me procurado. Tenho muito material guardado esperando pra ser lançado e espero ver isso acontecendo ainda em vida”, desafiou Felipe.

Em 2019, ele se propôs o desafio de compor 100 músicas em um ano. Fez 106. Daí, em 2020 repetiu o desafio e atingiu a marca de 200 obras em dois anos. Um detalhe: “Resolvi começar o desafio no meio de dezembro quando tinha apenas 34 músicas prontas, ou seja, escrevi 66 músicas em 15 dias”, conta, expressando satisfação pela façanha. 

“Acho que posso me autoproclamar o compositor mais prolífico da atualidade”, complementou, para em seguida avisar: “Tenho registros e prints caso você queira confirmar essa informação porque sei que parece história de pescador, né? Mas juro que é sério!”.

Pela primeira vez em Friburgo, Felipe nunca sabe quanto tempo vai ficar numa cidade e não se preocupa com isso. “Fico até achar que chamei atenção o suficiente ou quando surge algum bom motivo pessoal pra ficar mais. Nunca revelo onde faço as performances porque a ideia é pegar as pessoas de surpresa. Nesse tipo de turnê trabalho uma pós-divulgação que é para as pessoas saberem que era eu ali quando me viram fazendo o Meme Humano”, esclareceu.

Finalizando, Ricotta explicou o porquê do nome do personagem: “É que o Meme Humano viraliza rápido na internet. O número de pessoas que filma e faz fotos dos shows é impressionante”.

 

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