De celebração pagã a festa religiosa e caipira no Brasil

Gênero musical “forró eletrônico” conquista plateias fora do eixo Norte-Nordeste
sábado, 26 de junho de 2021
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Barões da Pisadinha
Barões da Pisadinha

Com a pandemia de covid-19 ainda fora de controle, seria uma péssima ideia realizar qualquer tipo de festa neste período — a não ser em casa com seu núcleo familiar. Portanto, 2021 será o segundo ano consecutivo em que o Brasil não terá, ao menos de modo ostensivo, a tradição das festividades com as famosas bandeirinhas coloridas.

Até a primeira metade do século 20, as comemorações juninas eram simples, restritas a familiares e grupos comunitários. Juntos, promoviam pequenas festas de arraial, realizadas em quintais, com quermesses organizadas por parentes e vizinhos, à qual se juntavam os amigos. Se eram moradores da zona rural, aí virava festança em torno da indispensável fogueira, que, além de aquecer propiciava diversas brincadeiras à sua volta, ou mesmo sobre ela.

Eram festas bem distintas do que temos hoje em dia, com apresentação de artistas famosos, shows musicais, quadrilhas, brincadeiras e pirotecnia, além de uma infinidade de barraquinhas oferecendo doces, salgados e bebidas típicas. 

O São João de Campina Grande (PB) e o de Caruaru (PE) são os eventos que mais atraem turistas de todo o país, e competem entre si. Essa “indústria” transformou as festas juninas em grandes espetáculos a partir da segunda metade do século passado, na esteira da espetacularização do Carnaval.

A folclorista Laura Della Mônica escreveu em seu livro 'Os Três Santos do Mês de Junho' que, "respeitar as festas e orações dedicadas a cada um dos três santos do mês de junho, segundo a tradição, é obrigação e dever de todos nós, pelo menos culturalmente". Entenda-se por "todos nós", o brasileiro. Porque mesmo nascida no Velho Mundo, as festas juninas assumiram uma identidade própria em território nacional.

Forró cresce com produções eletrônicas vibrantes

A ausência inédita de sertanejos no top 3 da parada semanal do YouTube começou no início de maio. E piorou: na semana seguinte, eles saíram do top 5. No ranking atual, a melhor posição sertaneja é de Marília Mendonça, em 7º. Ela liderava até os Barões da Pisadinha tomarem o topo no fim de 2020.

O funk e o forró crescem com produções eletrônicas vibrantes de Barões da Pisadinha, DJ Ivis, Zé Vaqueiro, MC Don Juan e outros que hoje ocupam o topo. E o sertanejo? Será uma crise no setor mais produtivo da indústria musical brasileira ou só uma pausa antes de voltar a colher os frutos preferidos do mercado? Empresários, artistas e críticos analisam o cenário, e entre consensos e divergências, há cinco pontos principais:

  1. Grandes shows são uma peça crucial na engrenagem sertaneja. Sem eventos na pandemia, cai a divulgação das músicas e a renda potencial. As lives aliviaram, mas não substituíram.

  2. Mas funk e pisadinha também não dependem de shows? Sim, mas em menor escala, e mais adaptados ao digital - seja na produção eletrônica de músicas ou no seu consumo na internet.

  3. Cifras à parte, no campo artístico esses estilos eletrônicos ousam, misturam e criam sons que caem na boca do povo. E há quem veja o sertanejo acomodado, com pouca renovação criativa.

  4. Há quem não veja falhas criativas, mas só o mercado sertanejo segurando lançamentos e investimentos em divulgação (inclusive o velho "jabá" para rádios) até os shows voltarem.

  5. Enquanto alguns projetam que a volta dos shows vai retomar a velha ordem, e que a pisadinha é passageira, para outros o futuro é imprevisível e as inovações eletrônicas, poderosas.

No YouTube, o fenômeno das lives ajudou a manter os sertanejos topo no início da pandemia, até os brasileiros se cansarem das transmissões. No final de 2020, o reinado de Marília Mendonça e Gusttavo Lima foi derrubado pelo duo baiano Barões da Pisadinha.

Além dos Barões, cresce o cantor pernambucano de pisadinha Zé Vaqueiro, com músicas produzidas pelo paraibano DJ Ivis. O líder atual é o próprio Ivis, também cantor. Ele explica que o estilo domina melhor o universo digital não só na divulgação das músicas, mas na própria produção.”

"Com a chegada da pandemia, girou a catraca, rodou a roda gigante e ficou mais fácil produzir o forró eletrônico. Pela 'falta de música', falta de conteúdo mais ágil, o forró eletrônico tomou espaço que estava aberto e entrou nessa brecha", comentou o DJ Ivis.

(Fonte: reportagem em https://g1.globo.com/pop-arte/musica)

 

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