Crise hídrica: como isso afeta a nossa vida

Economizar água e luz já não é uma opção, é uma necessidade
sábado, 04 de setembro de 2021
por Jornal A Voz da Serra
(Foto: Henrique Pinheiro)
(Foto: Henrique Pinheiro)

Na última semana, os friburguenses foram surpreendidos com dois anúncios: o primeiro do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que anunciou a criação da nova bandeira tarifária de energia elétrica, que adiciona taxqa extra de R$ 14,20 nas contas de luz a cada 100 quilowatts/hora consumidos, já está valendo em todo o Brasil. E o segundo, da concessionária Águas de Nova Friburgo, informando a adoção do revezamento do abastecimento de água em parte da cidade. Ambos causados pela pior crise hídrica da história brasileira nos últimos 91 anos.

A nova bandeira tarifária nas contas de luz ganhou a denominação de “Bandeira de Escassez Hídrica”, e foi criada por determinação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG) para pagar, com recursos da bandeira tarifária, os custos excepcionais do acionamento de usinas térmicas e da importação de energia. A cobrança extra está valendo para todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional de setembro deste ano a abril de 2022, com exceção dos beneficiários da tarifa social de energia.

De acordo com o ministro, o período de chuvas na região Sul foi pior que o esperado. “Como consequência, os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro Oeste sofreram redução maior do que a prevista. Esta perda de geração hidrelétrica equivale a todo o consumo de energia de uma grande cidade como, por exemplo, o Rio de Janeiro, por cerca de cinco meses”, explicou Bento Albuquerque em seu pronunciamento.

Benefícios da economia de energia

Não há outra saída, que não seja a economia: para não ter apagões e para não sentir tanto no bolso o aumento causado nas contas de luz pela bandeira de Escassez Hídrica. Além disso, o Governo Federal lançou o Programa Voluntário de Redução do Consumo, que deve vigorar de setembro a dezembro de 2021. De acordo com o programa, o consumidor do grupo B (residenciais, pequenos comércios e rurais) que reduzirem seu consumo, nos meses de setembro a dezembro de 2021, em 10% em relação à média do que foi consumido dos mesmos meses de 2020, receberá um bônus de R$ 50 para cada 100 kw/h. O bônus, no entanto, é limitado à redução de 20% do consumo.

Veja um exemplo de como vai funcionar o programa: se uma família consumiu 120 kw/h em setembro de 2020, 130 kw/h em outubro, 110 kw/h em novembro e 140 kw/h em dezembro de 2020, a base de sua apuração será de 125 kw/h. Assim, caso os próximos consumos dessa família sejam 105 kw/h em setembro, 110 kw/h em outubro, 100 kw/h em novembro e 110 kw/h em dezembro de 2021, seu consumo médio durante a apuração do programa terá sido de 106,25 kw/h. Portanto, essa família terá reduzido em 15% o seu consumo nos meses de apuração do programa em relação à média dos mesmos meses do ano passado. Nesse caso, ao final do programa ela teria o direito de receber R$ 37,50 a título de bônus.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, com o programa, espera-se reduzir a demanda em 914 mega watts médio, o que representa 1,41% do Sistema Interligado Nacional (SIN). O bônus deve custar cerca de R$ 339 milhões por mês, sendo custeado por encargos específicos denominados Encargos de Serviço do Sistema (ESS).

Como participar do Programa de Redução do Consumo

De acordo com Luciano Lima, gerente de serviços comerciais da concessionária de energia elétrica de Nova Friburgo, Energisa, todos os clientes poderão participar do Programa Voluntário de Redução do Consumo. “Não é necessário fazer uma adesão ou inscrição no programa e a medida se aplica também aos clientes da Tarifa Social”, esclareceu ele.

Todos os clientes serão informados, a partir de outubro, sobre a meta de economia de energia mensal e, a partir de novembro, o cliente poderá acompanhar se está atingindo essa meta de redução. “Contudo, a redução de consumo já está valendo desde a última quarta-feira, 1º. O Programa Voluntário de Redução do Consumo valerá até dezembro, e o desconto na conta será feito de forma acumulada, gerando uma redução na conta de luz em janeiro de 2022, se houver o atingimento da meta”, explicou Luciano.

Tarifa social

Os clientes beneficiados com a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) não pagarão o valor da Bandeira Escassez Hídrica, anunciada pelo Ministério de Minas e Energia, com valor de R$ 14,20 a cada 100 kw/h consumidos. Eles continuarão sendo regidos pelo sistema de bandeiras tarifárias normalmente.

De acordo com o gerente de Serviços Comerciais da Energisa, cerca de 8.600 famílias da área de concessão da empresa em Nova Friburgo são beneficiadas pela Tarifa Social de Energia Elétrica, o que corresponde a cerca de 8% de todos os clientes da distribuidora. Se considerarmos somente os clientes residenciais, este percentual sobe para 10%.

“O percentual do desconto é regressivo, ou seja, quanto menor o consumo, maior o desconto. A Tarifa Social é um direito do consumidor e um auxílio importante para as famílias de baixa renda, principalmente nesse período de cenário econômico tão difícil. Todos os clientes que se enquadrarem nos requisitos do programa, podem se cadastrar para receber o desconto na tarifa de energia elétrica”, enfatiza Luciano Lima, gerente de Serviços Comerciais da Energisa.

A Tarifa Social oferece desconto de até 65% na conta de energia para famílias com renda mensal per capita menor ou igual a meio salário-mínimo e consumo de até 220 kw/h no mês.

Dicas de economia de energia elétrica

Em seu pronunciamento o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, enfatizou que o empenho de todos nesse processo é fundamental para que se possa atravessar, com segurança, o grave momento energético que afeta a todos, para atenuar os impactos no dia a dia da população e também para diminuir o custo da energia.

“Estabelecemos medidas de incentivo à participação da sociedade nesse esforço conjunto, a exemplo do que outros países fazem. O Governo Federal já orientou a redução do consumo dos órgãos federais em 20%. Incentivamos os grandes consumidores a contribuir com a redução voluntária do consumo nas horas de ponta do sistema, reduzindo a necessidade de uso de recursos mais caros. Incentivamos igualmente os consumidores residenciais, comerciais e de serviços a também participar desse esforço. A título de exemplo, uma redução média de 12% no consumo residencial equivaleria ao suprimento de nada menos que 8,6 milhões de domicílios. Podemos conseguir até mais, eliminando todo o desperdício no consumo de energia, desligando luzes e aparelhos que não estão em uso, aproveitando mais a luz natural, reduzindo a utilização de equipamentos que consomem muita energia como chuveiros elétricos, condicionadores de ar e ferros de passar. E o mais importante:  dando preferência para o uso desses equipamentos durante o período da manhã e nos fins de semana”, disse ele, na ocasião.

Outras dicas práticas para a redução do consumo

- Se você tem uma geladeira e um freezer em casa, desligue o freezer e use somente a geladeira.  

- Ferro de passar roupa: use somente quando necessário. Para o trabalho ou uma ocasião muito importante. Não passe roupas de cama ou para ficar em casa;   

- Se temos três aparelhos de TV em casa, e ambos ficam ligados simultaneamente, é a hora de usarmos apenas um;   

- Chega de banhos demorados. Os banhos precisam ser rápidos, porque o chuveiro elétrico é um dos grandes vilões do consumo;   

- Se as crianças jogam videogame ou usam computador por muitas horas diárias, é importante estabelecer um limite. Computador apenas para estudo e videogame só aos finais de semana, por exemplo.

Estiagem e revisão no abastecimento de água

 O inverno sempre foi marcado por períodos de estiagem na Região Serrana do Rio. E, a falta de chuvas, que está causando a maior crise hídrica dos últimos 91 anos no Brasil, também está impactando no abastecimento de água. O superintendente da concessionária Águas de Nova Friburgo, responsável pelo abastecimento da cidade, João de Sá, anunciou o rodízio na distribuição de águas, que teve início no último dia 1º, em parte do município. 

“Essa medida visa reduzir os impactos no fornecimento de água para as regiões mais afetadas durante a estiagem. O nosso corpo técnico preparou o Plano de Abastecimento Periódico para equilibrar o fornecimento de água nas áreas mais afetadas e evitar que aconteçam desabastecimentos. Os bairros atendidos pelo Sistema de Abastecimento Caledônia (Cônego, Cascatinha, Vargem Grande, Granja do Céu, Sítio São Luiz, Alto de Olaria e parte de Olaria) foram divididos em grupos e o fornecimento de água para esses grupos está realizado de acordo com o perfil de consumo de cada área, de forma periódica”, explicou ele.

O superintendente da concessionária disse ainda que o manancial que abastece o Sistema de Abastecimento Caledônia, que atende uma população estimada em 21.800 pessoas, é um dos mais afetados durante o período de estiagem, devido à degradação da mata ciliar e cobertura vegetal das áreas no entorno da região, o que contribui para a diminuição da oferta de água nessa fonte.

“Vale destacar que a concessionária conta com o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), que visa garantir a conservação e a restauração das áreas ao redor dos rios e nascentes dos mananciais da concessionária, e também recuperar as margens dos rios Bengalas, Cônego e Santo Antônio e Bacia do Rio Grande de Cima. A restauração destas áreas melhora a qualidade do solo e da água,”, esclareceu ele.

Além dos consumidores atendidos pelo Sistema de Abastecimento Caledônia, os atendidos pelo Sistema Campo do Coelho também estão sofrendo as consequências da falta de chuvas, com oferta de água abaixo do ideal para o abastecimento pleno. Na localidade, o reservatório está sendo abastecido por caminhões pipa. “Para atender o terceiro distrito, a concessionária reforçou a frota de caminhões-pipa e tem realizado operações na distribuição para amenizar os reflexos no abastecimento durante o período de estiagem”, explicou João de Sá, lembrando que todos os outros sistemas estão operando dentro da normalidade para o período.

Dicas para economizar água

Esse é um momento de conscientização para o uso de recursos naturais. E, para tanto, é necessário mudar hábitos e prioridades. “É importante destacar que, durante a aplicação da medida, é fundamental que os moradores dessas localidades façam o uso consciente da água”, ressalta João de Sá.

Algumas dicas práticas para economizar água são:

- Manter a torneira fechada ao escovar os dentes

- Tomar banhos rápidos

- Acionar a descarga somente com o volume necessário

- Manter a torneira da cozinha fechada ao ensaboar a louça

- Usar baldes para lavar o carro, em vez de mangueira

- Varrer quintal e calçada com vassoura e não usar a mangueira de água para esse fim

 

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