Quando a Seleção Brasileira entra em campo para os jogos da Copa do Mundo, todo o país para. Isso já é tradição. Lojas fecham as portas, indústrias paralisam as produções, escolas dispensam alunos... Tudo para que as pessoas possam torcer e vibrar pelo Brasil em campo na busca pelo hexacampeonato. Com a realização desta Copa do Mundo no Qatar, fora de época, em pleno fim de ano, a expectativa do comércio para alavancar as vendas tornou-se uma incógnita. A Black Friday desse ano, quem diria, não empolgou como nas edições anteriores e as vendas ficaram abaixo do esperado.
A estreia do Brasil na Copa derrubou as vendas da 'pré-Black Friday', na última quinta-feira, 24. A Confi Neotrust, empresa de inteligência de dados com foco em vendas online, em parceria com a ClearSale, empresa referência em inteligência de dados com múltiplas soluções para prevenção a riscos, emitiu dados que apontam queda de 36,56% das vendas na véspera da Black Friday em comparação com o mesmo período do ano passado, que já é uma base de comparação baixa, já que em 2021 o evento foi o mais fraco da história no país. As vendas da pré Black Friday alcançaram montante de R$ 935,5 milhões. A dispersão causada pelo jogo seria responsável em parte.
Os varejistas estavam preocupados com uma Black Friday paralela a Copa do Mundo. "E o que vimos foi o consumidor com atenção voltada ao jogo da seleção", disse o presidente do Reclame Aqui, Edu Neves. "O jogo do Brasil fez o acesso ao site cair 80% durante a partida. Ao final, o fluxo voltou 20% inferior", disse.
Na sexta-feira, passada, 25, o dia D da Black Friday, foi observada a primeira queda nas vendas desde que a promoção foi importada dos Estados Unidos, em 2010. O recuo se deu nas vendas online, meio no qual pelo menos 90% dos consumidores pretendiam fazer as suas compras este ano, segundo pesquisa do site brasileiro de reclamações Reclame Aqui.
Também em Nova Friburgo, as tradicionais filas nas portas de lojas de roupas, eletrodomésticos e utilidades do lar não foram vistas esse ano. O movimento foi grande apenas nos supermercados. “Não tenha dúvida que essa Copa do Mundo no mesmo momento da Black Friday atrapalhou bastante o comércio esse ano. E, à medida que a Seleção Brasileira for avançando nas fases da Copa do Mundo, pode gerar uma euforia e adiar esse momento de compra já com vistas ao Natal que se aproxima”, acredita Júlio Cordeiro, presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (Acianf).
Promoções continuam
Com as metas de vendas não alcançadas, as promoções continuam nas lojas físicas e online. Situação que pode ser constatada através do recebimento de e-mails dos grandes magazines e dos anúncios de lojas físicas nas vitrines e redes sociais. Trata-se de uma prorrogação da Black Friday. Os comerciantes estão de olho no pagamento do 13º salário, cuja primeira parcela tem que ser depositada até esta quarta-feira, 30, pelas empresas. A segunda parcela deverá ser depositada para os funcionários, contratados pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até 20 de dezembro.
“O pagamento do 13º salário representa uma grande injeção de dinheiro na economia. Temos também a Prefeitura de Nova Friburgo, que além do 13º, vai disponibilizar para os servidores um abono adicional de R$ 500. Se tudo der certo e o Brasil conseguir o hexa, isso também vai gerar euforia que pode ser revertida em compras para o Natal”, acredita Júlio Cordeiro.
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