Baseball ganha escolas, atrai jovens e Friburgo pode voltar às competições

Disseminação da modalidade tem atraído mais praticantes na cidade
terça-feira, 04 de fevereiro de 2020
por Vinicius Gastin
Prática do baseball volta a ser fomentada entre jovens nas escolas friburguenses
Prática do baseball volta a ser fomentada entre jovens nas escolas friburguenses

Nova Friburgo possui as suas peculiaridades, e uma das mais belas, sem dúvida, é preservar as tradições enraizadas no município pelas colônias que a compõem. Na parte esportiva, modalidades como o baseball fazem parte desse contexto histórico, e carregam a oportunidade de unir as descendências, disseminar os valores e até mesmo descobrir talentos. 

O baseball, especificamente, é uma herança da cultura japonesa, embora seja um esporte americano implementado no Japão. A prática da modalidade foi um importante alicerce para manter a união entre os japoneses, e contribuiu bastante para a formação das colônias no país, ainda na época de imigração. Depois do início ainda tímido, dentre os próprios imigrantes, o beisebol expandiu as atividades e alcança os mais variados públicos.

Nova Friburgo está inserido neste contexto, e já contou com diversas equipes que participavam dos torneios promovidos pela entidade que reúne todas as associações do esporte no Estado do Rio de Janeiro, a Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira (Renmei). Cada colônia possui a sua associação, vinculada exatamente ao órgão. 

“O verdadeiro objetivo é manter as raízes e a união entre as pessoas. Nunca tivemos um jogador que se destacasse a ponto de seguir carreira, até porque foi pouco difundido no país. Agora, com as Olimpíadas, há um enfoque maior”, explica Peter Nagatsuka, um dos incentivadores e responsáveis pela prática do esporte no município.

“Não só a gente, mas o Estado do Rio todo está agindo dessa forma. Apresentando o baseball para as crianças, para as pessoas que gostam e assistem aos jogos, mas não praticam. Estamos iniciando nas escolas públicas, e obviamente vamos convidar também as privadas, e vai ficar aberto a todas as idades, a partir dos 11 anos, e de forma gratuita”, complementa.

O trabalho feito nas unidades de ensino, citado por Peter, teve início no Colégio Municipal Dante Magliano. Representantes das Associações Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Nova Friburgo e do Estado do Rio de Janeiro visitaram o espaço, e levaram um professor de baseball voluntário indicado para desenvolver a prática esportiva em cinco colônias no Estado. Desta forma os alunos podem frequentar o Centro Poliesportivo para prática de softball, gateball e baseball da colônia japonesa friburguense.

O projeto visa auxiliar na construção ética e moral através da disciplina por meio do baseball, apresentar aos alunos essa modalidade esportiva e convidá-los a participar dos treinos e torneios. As atividades são realizadas atualmente no campo da Colônia Japonesa de Nova Friburgo, na rodovia RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis), pouco antes da entrada para o Cardinot, aos domingos, das 7h30 às 12h. 

“O campo é de fácil acesso, e há um pórtico delimitando. Esporadicamente realizamos torneios, e nesses casos não há treinos. Há torneios em Papucaia, Itaguaí e outros lugares. De vez em quando também há demonstrações, como a que fizemos recentemente na Via Expressa, durante o evento Domingo de Lazer”, explica Peter.

A Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro congrega as 23 associações municipais de colônias japonesas do Estado do Rio de Janeiro. Em função da maior divulgação na cidade, a procura pelo baseball em Nova Friburgo tem aumentado. As apresentações nas escolas também têm surtido efeito, e o público jovem tem demonstrado interesse em praticar a modalidade. 

“Entre os mais velhos, muita gente fez pós graduação, estudou nos Estados Unidos, praticou o esporte por lá e está brincando novamente com a gente. Precisamos ainda de apoios para alcançar mais pessoas”, completou. 

Recentemente, Mika Konishi, do Beisebol Feminino Japonês esteve no Brasil para ministrar clínicas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, através do projeto chamado Konitan Project. A proposta é disseminar o prazer e a vontade de jogar, além do ensinamento de questões técnicas, como o arremesso e experiências. A responsabilidade e o respeito com hierarquias, tradição japonesa, também foram bastante lembrados durante o evento em Papucaia, que contou com a presença de alguns friburguenses. 

“O que necessitamos mesmo é de mais apoio e divulgação. Precisamos conseguir esse espaço dentro das escolas, e acho que o caminho é esse. Levar uma parte dos treinos para os campos e quadras. A mídia também ajuda bastante. Com o enquadramento nas Olimpíadas, com a maior visibilidade da Seleção Brasileira, tivemos a visita de um integrante da Seleção Japonesa. Ela está afastada, mas jogou durante dez anos na Liga local. É a primeira visita que ela faz uma visita ao exterior, com o projeto de divulgar a modalidade. Esse encontro em Papucaia foi muito proveitoso”, disse Peter. 

Com a maior disseminação da modalidade em todos os aspectos, Peter e demais coordenadores planejam voltar a participar de competições ainda este ano. Desta forma, o baseball voltaria a se consolidar e teria uma perspectiva ainda melhor para os próximos anos. A vinda do novo treinador, que vai estar em Nova Friburgo mensalmente, a intenção é organizar pequenos torneios internos e reunindo colônias de municípios vizinhos. 

“O nosso objetivo é conseguir um grupo de pelo menos 20 atletas mirins, dentre crianças e jovens, para poder acompanhar os torneios. Dando tudo certo, queremos levar uma equipe para o torneio amador em São Paulo, em novembro deste ano, organizado pela Federação Brasileira de Baseball. Queremos levar um time de Nova Friburgo. Por isso queremos focar na formação desses atletas, crescendo em 2021 e 2022”, finaliza Peter.

 

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TAGS: baseball