É o menor patamar desde julho de 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE. Especialistas avaliam que a melhora está amparada na expansão do emprego formal e da população ocupada, que bateu recorde e chegou a 99 milhões de pessoas. Mas o país ainda tem 9,7 milhões em busca de uma oportunidade.
O levantamento mostra ainda que, em 12 meses (de agosto de 21 a agosto de 22), 4,2 milhões de pessoas encontraram vagas no mercado de trabalho. No entanto, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado foi o maior da série histórica, iniciada em 2012. Do semestre anterior para este, 2,8% dos empregos criados estão na informalidade, cerca de 355 mil postos de trabalho.
Ainda que o número de empregados sem carteira assinada no setor privado tenha sido o maior dessa série — com 13,2 milhões sem carteira assinada no setor privado —, o comportamento da renda mostra uma trajetória mais favorável. Em relação a agosto de 2021, a renda ficou estável pela primeira vez após a pandemia. O salário médio do trabalhador chegou a R$ 2.713 em agosto, o que indica estabilidade na comparação com igual período do ano passado — R$ 2.730.
Informalidade e austeridade
Mesmo diante dos avanços no mercado de trabalho, ainda persistem sinais de precariedade. Houve aumento de 1,1% no contigente de profissionais com carteira assinada, que agora somam 36 milhões. Mas a recuperação também se dá ancorada na ampliação de vagas sem proteção. Quando se incluem nesta conta outros trabalhadores sem benefício, como parte daqueles por conta própria e os domésticos sem carteira, a informalidade atinge 39,3 milhões de pessoas.
“Embora haja um indicador de crescimento da carteira de trabalho, a população ocupada informal permanece com participação extremamente relevante, seja no processo de recuperação ou de manutenção da ocupação. Ou seja, não necessariamente os informais estão passando a ser formais no mercado de trabalho”, explicou Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa do IBGE.
Analistas apontam que o quadro positivo no mercado de trabalho tende a perder força em razão dos efeitos da economia global e do impacto do ciclo de aumento da taxa básica de juros, que chegou a 13,75% ao ano. A perspectiva é de desaceleração no ritmo de criação de vagas.
O economista Étore Sanchez prevê que já no fim deste ano os efeitos da política monetária mais austera farão o desemprego voltar a subir. “Setembro vai continuar nesse processo de melhora até chegar a 8,6%, mas essa taxa benigna não deve se manter até o final do ano por conta dos juros. Esse efeito deve ir se agravando no início do ano que vem e cessar somente no último trimestre de 2023, fechando o desemprego em patamar abaixo de 9%, mas ainda pior do que 2022”.
Em busca de trabalho
Para a XP, a taxa de desemprego encerra o ano em 8,5%, na série com ajuste sazonal. Segundo Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), este percentual estaria dentro da chamada taxa de desemprego de equilíbrio, que no Brasil fica entre 7,5% e 8,5%. Ou seja, a tendência é de uma acomodação do indicador nos próximos meses.
Duque explica que boa parte da queda do desemprego está relacionada não só com a geração de vagas, mas com a saída de pessoas da força de trabalho e que, pós-pandemia, ainda não retomaram a busca por oportunidades. Só entra para a estatística de desemprego do IBGE quem não estava trabalhando no período da consulta, mas procurou trabalho nos 30 dias anteriores.
“A queda do desemprego foi bastante beneficiada pelo aumento do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. Houve uma redução da força de trabalho no período. Para frente vai depender muito de como o atual ou o novo governo irá conduzir os programas sociais, mas devemos ver uma recuperação da força de trabalho, que deve pressionar a taxa do desemprego”, ressaltou o pesquisador. (Fonte: O Globo)
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