Você conhece os sinais e sintomas da depressão em crianças? Fique atento

Os perigos do aumento da dependência virtual e digital no comportamento infantil
sexta-feira, 09 de outubro de 2020
por Jornal A Voz da Serra
Você conhece os sinais e sintomas da depressão em crianças? Fique atento

O momento pelo qual estamos passando tem favorecido o crescimento das doenças e transtornos psicoemocionais. Essa situação pode afetar diversos membros da família, não somente os adultos mas também as crianças que, devido  a pandemia de Covid-19, têm apresentado sintomas de depressão.

O crescimento de transtornos de humor, como ansiedade, em crianças e adolescentes já se mostrava expressivo mesmo antes da quarentena — de acordo com um estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), esses transtornos levam, atualmente, quatro vezes mais crianças e adolescentes à internação do que há dez anos atrás — porém a situação vem se agravando.

As crianças estão sem frequentar as escolas, sem ver os amigos, sobrecarregadas com o ensino remoto, sem contato com membros da família que não residem com elas e, importante, passaram a temer pela sua vida. Todos esses fatores mexem profundamente com a saúde mental, e elas podem adoecer.

Mas a criança expressa sinais e sintomas que podem permitir aos pais buscar tratamento, antes de a situação se agravar. Confira:

  • Reclama frequentemente de dores de cabeça ou dores abdominais: por não conseguir expressar suas emoções adequadamente, a criança reclama de dores físicas porque são mais fáceis de compreender.

  • Apresenta tristeza constante: choro ou tristeza, eventualmente, são comuns em crianças, mas não de modo prolongado e constante.

  • Faz xixi na cama com frequência e/ou eventualmente há vazamento de fezes sem que a criança dê conta: o controle de suas funções pode ficar comprometido pelos transtornos.

  • Demonstra irritabilidade: o excesso de irritação e raiva, que pode ser expressa por gritos e choro, é um sintoma da depressão infantil.

  • Aparenta ter perdido o prazer de fazer coisas que antes gostava: se a criança não brinca, não faz as atividades que fazia com prazer antes da pandemia, pode ser um sinal.

  • Sofre com fobias diversas: a criança não consegue lidar com a situação de tensão e medo recorrente, assim seus receios passam a se projetar mais fortemente e ela se torna amedrontada.

  • Tem grandes variações de peso e passa a comer menos ou mais do que o habitual: a falta de apetite pode ser um sintoma determinante, observe como e quanto seu filho está comendo.

  • Ansiedade, aumento da sensibilidade, apresenta tiques e manias: são comportamentos que se apresentam como um reflexo da diminuição da saúde mental.

  • Sentimento de rejeição escolar: estudar online pode provocar essa condição, que é agravada com o quadro de depressão.

  • Comportamentos de extrema obediência ou submissão: crianças se movimentam, fazem bagunça e nem sempre são obedientes, excesso de subserviência pode ser um sintoma.

  • Distraibilidade, descuido pessoal e corporal: a criança pode não dar atenção aos pais e ao mundo exterior, não querer tomar banho ou escovar os dentes pode expressar um quadro depressivo, já que a criança não vê motivos para isso.

  • Comportamento autopunitivo e sentimento de culpa: a criança se xingar, se machucar e se culpar por problemas ou situações pode ser um reflexo de que não se sente bem com a situação em que estamos inseridos.

  • Cansaço, desânimo, fadiga, apresenta problemas de memória, atividade extrema ou apatia: se a criança não tem energia para fazer suas atividades, não se lembra de fazê-las ou está extremamente ativa - além do comum para uma criança - isso é um sinal preocupante, fique alerta.

  • Hipoatividade, fala monótona ou devagar, com ausência de expressão e respostas monossilábicas: o quadro depressivo pode fazer com que a criança se isole, não consiga ou não queira se expressar, o que promove alterações em sua comunicação.

  • Sentimentos de falta de valor ou inutilidade: questionamentos sobre o sentido de sua vida e função para ela podem ser provocados pelo medo da morte.

  • Choros frequentes e problemas com o sono: angústia, falta ou excesso de sono são sinais aos quais devemos ter atenção.

  • Comportamento parassuicida: acidentes podem acontecer com as crianças, mas com a criança deprimida são mais frequentes, porque ela não se protege.

Se o seu filho apresenta um ou mais dos sinais e sintomas descritos acima, fique atento. Demonstre atenção e esteja presente. Caso o quadro se prolongue por mais de 10 a 15 dias procure o apoio de um especialista - pediatra, psicólogo infantil, neurologista, entre outros profissionais da saúde infantil - e relate sua observação. 

O aumento da “dependência virtual” em crianças

Para minimizar os impactos do uso excessivo da tecnologia durante a pandemia, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou orientações para pais e responsáveis sobre como conciliar a rotina de crianças com a utilização saudável de smartphones, computadores, etc. 

Em sua mobilização, a entidade reitera todas as recomendações sobre o tempo de exposição às telas indicado para cada faixa etária, chamando atenção para a possibilidade de dependência digital e agravamento dos prejuízos causados pelo consumo exagerado dessas mídias, especialmente durante a pandemia. 

É imprescindível equilibrar a rotina doméstica e estabelecer atividades múltiplas, principalmente fora das telas, para entreter, educar e desenvolver as habilidades dos filhos. Nesse contexto, os responsáveis devem reservar e delimitar um tempo para cada uma das áreas abaixo:

  • Afetividade: as crianças precisam conviver com amigos e parentes, para manter o círculo de afetividades. Mas, é importante definir o tempo ideal diante das telas, além de ter um adulto para acompanhar.

  • Escola e atividades funcionais: o tempo dedicado às aulas e tarefas varia de uma escola para outra. É importante acompanhar a abordagem pedagógica e a qualidade de horas gastas com as aulas online.

  • Lazer: investir em jogos, brincadeiras e passatempos tradicionais. Os videogames, jogos online, filmes e apps precisam ser avaliados quanto conforme os critérios da classificação indicativa.

  • Convivência familiar: trocar experiências entre si, dialogar e conhecer. Este talvez seja o tempo mais precioso para observar e reconhecer o filho, em suas habilidades, valores, dificuldades e limites.

  • Saúde: respeitar as horas de sono para cada faixa etária e manter o horário habitual de ir para a cama; investir na alimentação saudável e com horários pré-fixados para as refeições; praticar uma atividade física, seja por meio de exercícios ou brincadeiras com movimentos ativos.

Dependência digital 

Na mais recente Classificação Internacional de Doenças (CID-11), a Organização Mundial de Saúde (OMS) já reconhece o vício em videogames ou jogos online como doença: gaming disorder.

Segundo a coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Saúde na Era Digital da SBP, dra. Evelyn Eisenstein, a falta de controle sobre o jogo (início, duração, frequência, intensidade), o aumento da prioridade dada ao ambiente virtual em comparação com outras atividades diárias e a continuidade ou aumento do uso são as principais características dessa nova doença.

“Diante dos atuais acontecimentos globais e a pandemia, estamos ainda mais receosos com essa problemática. Os pais estão sobrecarregados e assim, inadvertidamente, acabam por admitir práticas exageradas que certamente trarão prejuízos para o desenvolvimento físico e psicológico dos seus filhos. Os games são uma fonte recorrente de excessos. Não é razoável um jovem passar cinco ou seis horas por dia em jogos, mesmo na quarentena”, argumentou Evelyn.

Existe uma extensa lista de problemas relacionados ao mau uso das tecnologias, como transtornos do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH); sedentarismo; miopia e síndrome visual do computador; transtornos posturais e músculo-esqueléticos, entre outros.

Conforme orienta a especialista, as relações humanas precisam prevalecer, norteadas por afeto e compreensão, para que essa fase difícil seja superada em conjunto. As recomendações expressas no Manual de Orientação da SBP, publicado pelo  Grupo de Trabalho sobre Saúde na Era Digital da entidade devem ser utilizados como base para orientar o uso de telas por crianças e adolescentes.

Todas as orientações da SBP a respeito da Covid-19 e saúde pediátrica estão disponíveis no site www.sbp.com.br/especiais/covid-19/. 

 

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