Um trabalho tirado de letra

Da diagramação à distribuição nas bancas, o trabalho e a história dos personagens que dão forma à nossa informação
sexta-feira, 05 de fevereiro de 2021
por Alan Andrade*

Desde a invenção da impressão pelo ourives Johannes Gutenberg, que ainda no século XV revolucionou a forma de expandir o conhecimento e difundir as descobertas científicas com facilidade nunca antes experimentada, o trabalho gráfico continua sendo essencial na propagação de uma mensagem, informação ou ideia, mesmo na era digital.

Por trás do maquinário que dá forma à informação prestada pelo Jornal A VOZ DA SERRA há mais de 75 anos, conheça os profissionais que imprimem em papel a história de todos nós.  

Nilson Daflon: de caseiro ao casarão

Nascido em Santa Maria Madalena-RJ, onde morava e trabalhava na fazenda, Nilson chegou ao jornal em 2012. “Quando vim para Friburgo, trabalhava como caseiro. Aí meu concunhado (com quem trabalha até hoje) me falou que o seu Laercio, então proprietário e diretor, precisava de alguém para trabalhar na reforma do casarão onde o jornal funcionava. Pensei que ficaria desempregado quando terminasse a obra, mas o seu Laercio me registrou (profissionalmente) e eu continuei aqui, trabalhando na época como ajudante na montagem”.

Coincidentemente, no dia em que ele dava esta entrevista, Nilson completava nove anos de empresa, onde agora é responsável por toda a parte de pré-impressão. “Eu participo da montagem lá no jornal, trago para a gráfica, faço a gravação e a revelação de chapa, que passo para o impressor rodar”.

E a expectativa é enorme até o momento em que o jornal esteja finalizado, pronto para ser dobrado e levado para as ruas. “Precisamos ficar atentos do início ao fim, é uma responsabilidade grande. Se tiver algum erro, estraga o serviço de todo mundo.”

 

Vitor José: entre letras e o gosto das cores

Das quase três décadas de atuação de Vitor como impressor, vinte anos são dedicados ao A VOZ DA SERRA. “Eu comecei a trabalhar em tipografia, mas aí surgiu uma oportunidade de trabalhar no jornal. Na tipografia eu trabalhava montando as letras ao contrário, pois na prensa elas ficam invertidas. Era um trabalho complicado, porque você trabalha letra por letra. Agora eu trabalho em cima de chapa, que é montada e colocada na máquina de policromia, usando cada cor feita na arte final, que será impressa no jornal.  

Com uma habilidade inata para desenhar, Vitor vê hoje na impressão do jornal seu gosto pela arte, que cultiva desde a infância. “Cada trabalho é uma arte. Quando eu vejo as imagens nas páginas do jornal, eu sei que o trabalho que eu faço ali é o que eu gostava de fazer lá atrás”, numa época em que as cores ilustravam apenas a imaginação de uma criança. “O trabalho na máquina de policromia não é difícil, mas precisamos ter total atenção, porque usamos uma cor em cima da outra. Quando eu fazia os desenhos no papel, misturando as cores, não podia imaginar que um dia trabalharia com isso, vendo o gosto das cores”.

 

Luís Antônio Sobrinho: tirando de letra

Há mais de duas décadas trabalhando no setor de acabamento da gráfica, a trajetória de Luís Antônio está amarrada à história de A VOZ DA SERRA – nas ruas e bancas de Friburgo, as pessoas só o conhecem como o “Louro do Jornal”. “Quando o jornal sai da máquina, ele vem pra mim e faço o acabamento dele todinho, dobrando em cadernos. Depois faço a amarração e a distribuição dele pra rua, levando para as bancas e para os assinantes”.

Hoje com 65 anos, Louro se emociona ao falar sobre seu trabalho, que realiza com naturalidade. “Eu amo meu serviço. Teve uma época que fui trabalhar numa refrigeração, mas não deu certo, só pensava em voltar pra cá. Pra mim, o jornal é minha história – uma história longa. Já me acostumei com meu trabalho, eu tiro de letra”, relata com embargo na voz.

 

Gilberto Leal: uma peça da engrenagem

O setor onde Louro trabalha, é supervisionado pelo Gilberto, funcionário há mais de vinte anos. “Um primo me falou de uma oportunidade de trabalho aqui e eu prontamente me coloquei à disposição para a vaga, e hoje agradeço a Deus, ao seu Laercio e à Adriana, filha dele, pois minha vida mudou. Sempre que eu vejo alguém lendo A Voz da Serra, eu fico pensando ‘pô, contribuí pra que aquela pessoa esteja lendo aquele jornal. Eu fiz parte daquilo ali, né?”

Assim como Nilson, Vitor, Louro e todos os demais funcionários de AVS, Gilberto é, sim, parte dessa importante engrenagem, que leva aos leitores as notícias traduzidas nas suas páginas em sinais gráficos, linguagem esta que nos une em uma extensa rede de conhecimento e informação.

* Colaborou Henrique Pinheiro

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