Muito mais do que aquela última viagem (sem volta), o fim do transporte ferroviário na cidade representou algo que até hoje - diferentemente do que aconteceu em outras regiões do país - resultou num ato radical: a extirpação total dos trilhos, retirados à passagem da última composição. Hoje, muito mais do que questionado, tal gesto é lamentado, pois a extinção de toda a malha ferroviária, dificultou quaisquer possíveis planos de retomada e resgate desse modal de transportes local. Não é impossível, mas um significativo obstáculo.
Em imagens da época, é possível ver pessoas chorando à passagem do último comboio, despedindo-se da máquina como, se realmente, fosse um ente familiar. Não seria para menos, afinal desde épocas imperiais a passagem do trem era cena comum ao cotidiano friburguense.
Desde o barão que a concebera - embora faleceu sem vê-la concluída - a linha férrea atravessou o tempo, moldando o desenvolvimento regional. Seu fim, embora até hoje incompreendido, teve justificativa econômico-financeira, principalmente no que seria a inviabilidade de manter seus custos. Mas hoje, claramente, se evidencia o erro da extinção de seus ramais, que poderiam perfeitamente coexistir como mais uma alternativa de transporte.
Um trecho com fins turísticos
Embora não vi e nem vivi aqueles tempos, sou da geração pós-trem, tendo nascido um ano - 11 meses para ser exato - depois da última passagem da ‘Maria Fumaça’ pelo nosso vale, mesmo assim herdei o gosto por esse universo. Creio que reminiscências familiares ajudaram.
Desde sempre, estive envolvido nas causas ferroviaristas, a exemplo das movimentações a partir de 2015 e que, em 22 de agosto de 2017, resultaram na criação do Clube do Trem de Nova Friburgo - a Associação de Preservação da Memória Ferroviária, que ajudamos a fundar, sobretudo pensando no rico patrimônio e no potencial deste segmento na região. A meu ver, o resgate de um trecho de linha férrea, com finalidades turística, terá grande e positivo impacto, sobretudo ao criar mais um atrativo turístico, principalmente pós-pandemia, em que a atividade turística é uma das grandes apostas para retomada econômica, principalmente de cidades como Nova Friburgo.
Como sonhar não custa nada, é crível continuar apostando nessa possibilidade, como vem fazendo dezenas de outros municípios pelo Brasil afora. Só assim, a nossa geração terá saudado uma bela dívida com a história.
*Girlan Guilland é jornalista.
Notícias de Nova Friburgo e Região Serrana
O último trem: ainda acalento o sonho de uma linha turística
Muito mais do que aquela última viagem (sem volta), o fim do transporte ferroviário na cidade representou algo que até hoje - diferentemente do que aconteceu em outras regiões do país - resultou num ato radical: a extirpação total dos trilhos, retirados à passagem da última composição. Hoje, muito mais do que questionado, tal gesto é lamentado, pois a extinção de toda a malha ferroviária, dificultou quaisquer possíveis planos de retomada e resgate desse modal de transportes local. Não é impossível, mas um significativo obstáculo.
Em imagens da época, é possível ver pessoas chorando à passagem do último comboio, despedindo-se da máquina como, se realmente, fosse um ente familiar. Não seria para menos, afinal desde épocas imperiais a passagem do trem era cena comum ao cotidiano friburguense.
Desde o barão que a concebera - embora faleceu sem vê-la concluída - a linha férrea atravessou o tempo, moldando o desenvolvimento regional. Seu fim, embora até hoje incompreendido, teve justificativa econômico-financeira, principalmente no que seria a inviabilidade de manter seus custos. Mas hoje, claramente, se evidencia o erro da extinção de seus ramais, que poderiam perfeitamente coexistir como mais uma alternativa de transporte.
Um trecho com fins turísticos
Embora não vi e nem vivi aqueles tempos, sou da geração pós-trem, tendo nascido um ano - 11 meses para ser exato - depois da última passagem da ‘Maria Fumaça’ pelo nosso vale, mesmo assim herdei o gosto por esse universo. Creio que reminiscências familiares ajudaram.
Desde sempre, estive envolvido nas causas ferroviaristas, a exemplo das movimentações a partir de 2015 e que, em 22 de agosto de 2017, resultaram na criação do Clube do Trem de Nova Friburgo - a Associação de Preservação da Memória Ferroviária, que ajudamos a fundar, sobretudo pensando no rico patrimônio e no potencial deste segmento na região. A meu ver, o resgate de um trecho de linha férrea, com finalidades turística, terá grande e positivo impacto, sobretudo ao criar mais um atrativo turístico, principalmente pós-pandemia, em que a atividade turística é uma das grandes apostas para retomada econômica, principalmente de cidades como Nova Friburgo.
Como sonhar não custa nada, é crível continuar apostando nessa possibilidade, como vem fazendo dezenas de outros municípios pelo Brasil afora. Só assim, a nossa geração terá saudado uma bela dívida com a história.
*Girlan Guilland é jornalista.
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