Entre enólogos e enófilos, a taça gira ao seu bel-prazer

O primeiro, diante do vinho, toma decisões; o segundo, diante das decisões, toma vinho, definiu o especialista Luiz Groff
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
por Jornal A Voz da Serra
Entre enólogos e enófilos, a taça gira ao seu bel-prazer

Em 22 de outubro comemora-se a figura do enólogo, considerado um artista e encantador na arte de produzir vinhos. Sua oficialização se deu em Bento Gonçalves, capital brasileira do vinho, como o Dia do Enólogo, conforme lei de 1978. Mas, quase 20 anos antes, em 1959, foi fundada a Escola Agrotécnica Federal de Bento Gonçalves, localizada na serra gaúcha, responsável por capacitar técnicos em enologia no país.

Hoje, existem várias faculdades de enologia no Brasil — em São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina. Uma das mais prestigiadas funciona no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS/Campus Bento Gonçalves), onde são oferecidos dois cursos de Enologia: um de nível superior e outro técnico de nível médio. 

A palavra enólogo é de origem grega e tem como explicação literal “quem tem profundos conhecimentos de vinhos”, aquele que é responsável por um conjunto de etapas consecutivas, que abrange desde os processos da elaboração do vinho até a venda da bebida. 

Seu trabalho se inicia antes mesmo da plantação das uvas: cabe a ele acompanhar todas as etapas de elaboração do vinho, que começa com a análise da terra, o clima do local, a escolhas das mudas, as maneiras de irrigar, as técnicas para plantação, poda e até o modo de colheita. 

Ele estuda ainda as castas das uvas e suas características transmitidas ao vinho. Após a colheita da uva, o enólogo define as técnicas para a produção do vinho, o tempo de amadurecimento e o momento em que será comercializado.

O autor Luiz Groff, um apaixonado por vinhos, disse que "enólogo é aquele que diante do vinho toma decisões, e enófilo é aquele que, diante das decisões, toma vinho". 

Em outras palavras todos os apreciadores de vinho são enófilos e possuem diferentes níveis de conhecimento, conforme sua paixão e dedicação neste sentido.

Um brinde àqueles que nos proporcionam os melhores brindes

Além de toda paixão e dedicação, o trabalho de elaboração de vinhos está intimamente ligado à ciência e à tecnologia. Nesta semana comemoramos o dia do profissional que é um misto de agrônomo e químico. 

Apesar de não ser possível afirmar com precisão o surgimento dos pioneiros nesta arte, há registros de personagens ao longo da história que contribuíram direta ou indiretamente para os fundamentos da viticultura moderna. 

O famoso cientista Louis Pasteur descobriu e refinou processos relacionados à fermentação. O também cientista francês Jean Antoine Chaptal, por ter criado o processo de adição de açúcar ao mosto do vinho visando elevar o teor alcoólico final, deu nome ao processo conhecido como chaptalização. 

Já a primeira escola dedicada exclusivamente à viticultura e à enologia foi criada em 1876, em Conegliano, na Itália. O ano de 1912 pode ser considerado um marco na história da enologia, por ser o ano de nascimento do francês conhecido como “pai da enologia moderna”, Emile Peynaud, falecido em 2004. Peynaud deixou uma vasta obra e é reconhecido por revolucionar as técnicas de vinificação no mundo inteiro.

Finalmente, em 1955, a profissão de enólogo foi regulamentada na França, data em que passou a ser obrigatória a obtenção de um Diploma Nacional de Enólogo. No Brasil, a profissão só foi devidamente regulamentada em 2007.

A esses especialistas que, além do amor, precisam ter amplo conhecimento na área com objetivo de desenvolver vinhos cujo equilíbrio de sabores explora cada um dos cincos sentidos, brindamos!

 

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