Biólogo sobe o Caledônia e faz relato impressionante sobre o que viu

Lixo, vandalismo, crateras e invasões formam triste retrato pintado por montanhista, que contou 143 pessoas na escadaria no último feriado
terça-feira, 25 de junho de 2019
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)
Desordem no Pico do Caledônia, pelas lentes do biólogo Maycon Saviole (Fotos: arquivo pessoal Maycon Saviole)
Desordem no Pico do Caledônia, pelas lentes do biólogo Maycon Saviole (Fotos: arquivo pessoal Maycon Saviole)

O biólogo Maycon Saviole, especialista em Planejamento Urbano Ambiental, publicou em uma rede social, no último dia 20, um impressionante relato, aberto, sobre a situação que encontrou ao subir o Pico do Caledônia juntamente com sua esposa, a licencianda em Geografia Tamara Sabadine.

Ele conta que na noite de quarta, 19, véspera do feriado de Corpus Christi, após ouvir e ler inúmeros relatos sobre as péssimas condições da estrada de acesso ao Pico do Caledônia e também sobre seu atual estado de abandono, convenceu Tamara a fazer uma incursão. E chegaram juntos às seguintes conclusões, reproduzidas abaixo com autorização do autor do post.

Risco de acidentes:

"Não quero ser alarmista, mas considero que em breve teremos tristes notícias de algum acidente ocorrido no local, uma vez que não existe o mínimo de oferta de segurança e o número de visitantes nesse início de feriado apenas no dia 20/06 foi impressionante. Fomos os primeiros a subir, chegamos ao topo às 2h da manhã e amanheceram conosco no local para ver o nascer do sol cerca de mais 25 pessoas que chegaram até as 6h da manhã. Ao descermos encontramos e contamos nas escadas e até a antiga pista de salto de parapente mais 143 pessoas subindo.

Não tenho acesso a estudos e nem o conhecimento da capacidade suporte deste espaço, porém pelas limitações de espaço existentes no cume, considero demasiado o número."

Falta de orientação:

"Dentre as pessoas com quem encontramos na descida, havia um grande grupo proveniente de Cachoeiras de Macacu que apresentavam espanto com o percurso que tiveram que percorrer do Cascatinha até o topo, segundo alguns dos breves relatos, o "guia" havia informado que seriam apenas 2 horas de caminhada até o topo, esse mesmo "guia" deixou o grupo dispersar e estava muito a frente de diversos outros membros de seu grupo, dentre eles uma moça com uma sapatilha nada propicia a caminhada, também uma senhora com calça Jeans que relatava não mais conseguir subir e para a qual aconselhamos parar e aguardar a descida dos demais enquanto descansava uma vez que a fadiga muscular seria maior na descida. Inconsequentes demais alguns dos grupos que observamos."

Invasão de área proibida:

"No topo da montanha, ao fim das escadas, existe uma placa para que não entrem no acesso ao lado esquerdo, o que é ignorada por muitos, inclusive pessoas que nunca foram ao local e que antes com a presença dos guardas existia maior orientação e respeito a essa regra. Registrei pessoas sobre a ponte metálica, pessoas mexendo nas torres, pessoas pulando entre as fendas das rochas, tudo isso sem nenhuma autoridade local por perto ou mesmo uma possível ajuda em caso de acidentes."

Lixo:

"Lixo? Nem se fala! Para todo lado. Pretendo marcar uma nova incursão com o objetivo de fazer uma limpeza nas áreas de mais difícil acesso com alguns dos estudantes do curso em que trabalho. O estado local é lamentável. Lixo se acumulando na antiga guarita, lixo por todo acesso, dentre o que percebi, muito plástico embalagens de todo tipo, colher de plástico e copos descartáveis, bigas de cigarro, absorventes femininos, papel higiênico, cotonetes, sacolas, cacos de vidro, garrafas PET, etc.

Abaixo de uma das instalações físicas na primeira torre várias caixas de papelão estão abertas com inúmeros equipamentos de recepção e transmissão expostos ao tempo, equipamentos eletroeletrônicos, cabos, antenas, etc... Muito isopor e espuma também."

Vandalismo:

"Sinais de Vandalismo: além do portão arrombado, placas derrubadas, escadas pichadas, a guarita estava pichada e arrombada e foi comum observar vários sinais de fogueiras em diversos pontos."

Falta de manutenção:

"A estrada de acesso está impraticável, vários pontos sem calçamento com verdadeiras crateras. Recentemente alguém lançou concreto em alguns pontos na intenção de recuperar os mesmos, porém uma vez que o fluxo de veículos não é interrompido e alguns ainda arriscam subir nessas péssimas condições, o que foi feito apenas agrava a situação formando verdadeiras valas para escoamento superficial de água, sem esquecer de mencionar que quem fez o "serviço" ainda deixou para trás sacos de cimento, pedaços de lona plástica e grades de ferro não utilizadas. Prefiro acreditar que o "serviço" está inconcluso... Os caros que insistem em subir por esses pontos ainda arrancam mais calçamento e agravam a situação!"

Ao fim de seu relato, Maycon observa que viu muita gente preocupada com o atual descaso com o local e destacou a exuberância da vegetação . "É exatamente por conta disso que temos que nos organizar para garantir os devidos cuidados em prol da conservação desse importante patrimônio natural", escreveu.

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