Torres do Pico do Caledônia podem sofrer apagão

Risco se deve ao abandono do local, sem vigilância desde que a Petrobras deixou de operar equipamentos, alertam radioamadores
terça-feira, 25 de junho de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
As torres do Caledônia sob as nuvens: risco (Fotos: Fernando Moreira)
As torres do Caledônia sob as nuvens: risco (Fotos: Fernando Moreira)

Conforme revelado por A VOZ DA SERRA (relembre a reportagem aqui), o péssimo estado de conservação da estrada e o consequente abandono da guarita de acesso ao Pico do Caledônia acarretam diversos problemas, que vão muito além do meio ambiente e do turismo. Segundo especialistas, a falta de vigilância no local pode causar um apagão nas telecomunicações de Nova Friburgo e região, além de ser um risco em potencial para os montanhistas.

O Pico do Caledônia conta com uma série de torres e antenas que auxiliam na comunicação de grande parte do interior do estado, como as repetidoras das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, além de equipamentos de transmissão de dados da Petrobras, que ainda é a responsável pelo espaço, e antenas das operadoras de telefonia Oi e Vivo e ainda a Marinha do Brasil.

Risco de apagão 

“É de conhecimento geral que isso pode acontecer, principalmente numa eventual tragédia, ou caso alguém mal intencionado suba com esse objetivo. A solução seria recolocar o vigia lá em cima. A Guarda Municipal poderia ajudar, a própria Polícia Militar também poderia colaborar, já que também utilizam o espaço. O problema é que um joga a responsabilidade para o outro e ninguém faz nada. Vamos torcer que não, mas pode acontecer uma pane e toda a região ficar sem comunicação por causa do Altíssimo Caledônia”, afirmou Antônio Marcos da Rocha, presidente da Associação Friburguense de Rádio Amadores e PX Clube (Afra).

“É muita irresponsabilidade. A segurança de Friburgo está em risco com o abandono do Pico do Caledônia. A comunicação das polícias, dos bombeiros e da Defesa Civil está toda lá em cima. E isso já aconteceu em 2011, durante a tragédia. A cidade literalmente saiu do ar quando acabou o combustível do último gerador que ainda mantinha tudo funcionando”, alertou Rômulo Rabello, analista de sistemas e integrante do Grupo de Radioamadores de Nova Friburgo (Granf).

Engenheiro atesta o risco

A VOZ DA SERRA também ouviu um engenheiro de telecomunicações que atestou o risco de apagão. Ele garantiu que o Pico do Caledônia ainda é estrategicamente muito importante para as regiões Serrana, dos Lagos e Noroeste Fluminense e fez um alerta: “Com a evolução tecnológica e, consequentemente, das telecomunicações, muita coisa hoje em dia é feita através de satélite. Mas se houver algum tipo de falha nesse sistema, a comunicação terrestre é o stand-by disso tudo, daí a importância das torres do Altíssimo Caledônia no tocante ao atendimento a regiões por ele atendido”, explicou o engenheiro de telecomunicações, que preferiu não se identificar.

Apesar do risco, ele tranquiliza a população e diz não acreditar em um apagão geral nas telecomunicações da região:“Se a pessoa tiver esse objetivo, é possível que cause descontinuidade em alguns serviços. O roubo de cabos de energia, por exemplo, pode prejudicar  o funcionamento de alguns sistemas. Não acredito num apagão geral na região porque hoje as empresas dispõem de redundância, além de contar com monitoramento remoto. Então, caso surja algum problema num dos sites do Altíssimo Caledônia,  imediatamente algum funcionário da empresa afetada será destacado para solucionar esse problema”, avalia o engenheiro.   

Segurança é problema 

Sem o controle no acesso dos visitantes, qualquer um pode subir o Pico do Caledônia a qualquer hora, o que tem aumentado a quantidade de lixo descartado de maneira errada no local, além das frequentes ações de vândalos que arrombam e depredam as estruturas que eram mantidas pela Petrobras. A estatal abandonou o local devido a não mais operar equipamentos lá. 

Os mais de 630 degraus do escadão de acesso são aterrados para evitar choques e descargas elétricas, mas, sem a devida manutenção, o que também pode ser risco para os visitantes do local. O que todos os ouvidos pela reportagem de A VOZ DA SERRA concordam é que a falta de segurança e vigilância é, atualmente, um dos maiores problemas do Pico do Caledônia. E que a retomada dos trabalhos na guarita de acesso deveria ser a primeira medida a ser tomada pelas autoridades para o resgate do espaço.

“Tem que ter vigilância ali. Isso é um fato. Na minha opinião, quem deveria assumir o controle daquela área é a prefeitura ou até mesmo a PM. Teria que ser feito ali uma espécie de condomínio empresarial. Cada empresa que utiliza e explora o Pico do Caledônia de alguma maneira deveria colaborar com a sua manutenção. Quem não tiver interesse, que deixe o espaço. Se ninguém quiser se responsabilizar, que todos retirem seus equipamentos de lá e o espaço vire apenas um atrativo turístico. O que não pode é ficar do jeito que está”, finalizou o engenheiro de telecomunicações, que tem mais de 30 anos de experiência na área.

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