Viva apesar das perdas

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Uma perda dolorosa pode parecer como o fim da esperança para nós. É verdade que quando ocorre uma perda de alguém que amamos, o lugar daquela pessoa jamais será preenchido. A perda de um trabalho pode arrasar com um sonho nosso o qual não virá mais a se tornar realidade. Ou pelo menos como gostaríamos que ele ocorresse. O envelhecer de nosso corpo, com as perdas naturais ligadas a isto, diminui as forças físicas, e perdemos opções que não estarão disponíveis numa segunda chance provavelmente. 

Mudança é um fator básico em nossa vida. Temos que esvaziar um copo antes de podermos enchê-lo com algo. Nossa meta espiritual é nos tornarmos menos rígidos em nossas ligações ou relacionamentos e mais aceitadores do fluir da vida.
Quando olhamos bem nossas perdas e nos permitimos chorar e lamentar sobre elas, estamos dizendo um adeus a elas e deixando-as irem embora. O pesar ou o lamentar limpa nossa alma e nos liberta para auxiliar-nos a construir novos sonhos. A perda de um trabalho pode colocar-nos em uma posição de descoberta de possibilidades ainda não sonhadas. 

A perda de um amor pode curar-nos, e aprofundar nosso relacionamento com aquele que prefiro chamar de Deus Criador do Universo, e com nossos outros amigos. O outro lado do pesar pode ser liberdade, e o aprendizado que nos leva a ter muito mais novos sonhos em nossas vidas.
Não pare de sonhar se você perdeu um amor, um trabalho, um amigo. Não creia que somente com estas pessoas ou situações sua vida faria sentido, ou seus sonhos poderiam ser realizados. Alguns sim, outros não. E muito provavelmente novos sonhos surgirão e você poderá buscar vivê-los.

Aceitar as perdas, lamentando, chorando, deixando a tristeza atravessar você, recebendo apoio de pessoas que podem e sabem apoiar, receber seu colo, receber o colo divino, abrindo seu coração machucado no momento e com a pessoa certa, curará suas dores. E novos sonhos poderão surgir.
Você tem direito de ter novos sonhos, nova vida, novos recomeços, novo trabalho, novos relacionamentos que serão mais saudáveis, ou tão quanto foi aquele que existia e que terminou quem sabe pela morte.

Não deixe nas mãos de nenhuma outra pessoa humana as decisões sobre sua felicidade, bem estar, alívio das dores, ou eliminação delas. Você pode escolher e deve escolher seu caminho, seus sonhos, seus desejos, sua vida. 

Lembre-se que amar também significa fazer o que tem que ser feito, mesmo que doa em você e no próximo. Não deixe que outras pessoas destruam seus sonhos por causa de abusos (sexuais, afetivos etc.) infligidos sobre sua pessoa. Você tem o direito de ser feliz, de buscar sua felicidade. Tem o direito de mudar de pensamento, de errar e de ir em busca de uma vida melhor, com dignidade, respeito, sinceridade, paz, confiança, intimidade, afeto, comprometimento e amor.

(Editado da meditação 18 Agosto do livro “Touchstones – A book of daily Meditation for Men”, Hazelden, 1991, USA.)

 

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