O que é mais eficaz para tratar a depressão, psicoterapia ou medicação?

César Vasconcelos de Souza

Cesar Vasconcellos de Souza

Saúde Mental e Você

O psiquiatra César Vasconcellos assina a coluna Saúde Mental e Você, publicada às quintas, dedicada a apresentar esclarecimentos sobre determinadas questões da saúde psíquica e sua relação no convívio entre outro indivíduos.

quinta-feira, 06 de dezembro de 2018

É muito importante buscar entender que tipo de pessoa está com depressão e que possíveis causas a levaram a se deprimir para que o enfoque do tratamento seja o melhor. Isto porque uma pessoa pode ter um episódio depressivo na vida e não ter tido importantes traumas na infância, enquanto que outra pode ter o mesmo nível de depressão e ter sofrido muitos abusos na família de origem quando era criança. 

No site do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos foi publicado um interessante artigo com o título: “Respostas diferentes para com a psicoterapia versus a farmacoterapia em pacientes com formas crônicas de depressão maior e trauma na infância.” Veja o artigo original em www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC283585/

Depressão é uma enfermidade mental que atinge o humor. Pode ser leve, moderada ou severa. Está associada com incapacitação, morbidade e risco suicida. Tratamos a depressão com medicação, psicoterapia ou ambas. Se a depressão é leve, não há necessidade de antidepressivo. No estudo acima avaliaram 681 pacientes com formas crônicas de depressão tratados com antidepressivo e terapia cognitivo-comportamental. 

No estudo se verificou que as pessoas com história de traumas infantis (perda dos pais em idade precoce, abuso físico ou sexual e negligência), a psicoterapia foi superior ao tratamento com antidepressivo. Isto mostra a relevância da psicoterapia como elemento essencial no tratamento de deprimidos crônicos e história de traumas na infância. 

Vale lembrar que psicoterapia é um tratamento psicológico baseado em conversas do profissional com o paciente, e pode ser individual ou de grupo. Ela faz parte do que chamamos de “psicoeducação” que é o aprendizado sobre como entender e lidar de forma curativa com sofrimentos mentais como fobias, culpa excessiva, pânico, depressão, dependência química, anorexia nervosa, transtornos de personalidade, entre outros. 

Existem várias técnicas de psicoterapia, dentre elas a TCC- Terapia Cognitivo-Comportamental, a Psicoterapia Psicodinâmica ou Psicoterapia Analítica, o Psicodrama, a Análise Transacional, a Terapia Gestalt, Terapia Interpessoal, e tantas outras. 

O que ocorre durante a psicoterapia? O profissional fará uma avaliação da história do desenvolvimento psicológico da pessoa, poderá aplicar testes, passar tarefas para casa, tudo dependendo de que técnica o psicólogo ou psiquiatra com formação em psicoterapia usa no seu trabalho. Basicamente a psicoterapia envolve a pessoa falar do que a faz sofrer, numa entrevista conduzida pelo profissional que a ajudará a tomar consciência de sentimentos reprimidos, entender que existem e quais são as distorções de pensamento em sua maneira de pensar, talvez culpa falsa, auto-exigência severa, etc.

O estudo acima mostrou que a ajuda psicoterápica foi mais eficaz do que o uso de antidepressivo no grupo de deprimidos crônicos que haviam tido importantes sofrimentos no passado infantil. Isto é importante considerar, porque boa parte dos deprimidos quer receber tratamento só com medicação. Mas o remédio não faz tudo. 

Precisamos também considerar que para alguns pacientes a combinação de psicoterapia com medicação funciona melhor do que só com psicoterapia, pelo menos numa fase inicial do tratamento psicoterápico. Como uma maioria das pessoas deprimidas pode não saber a causa ou as causas de seu sofrimento mental, por isso ao se submeterem ao tratamento psicoterápico, poderão melhorar porque irão compreender, com a atuação profissional, a origem do seu sofrer, e o que pode fazer para melhorar.

O terceiro tipo de depressão é a grave ou severa e pode ser acompanhada de sintomas psicóticos, como alucinações, delírios, daí necessitar, além do antidepressivo, medicamentos antipsicóticos. Ou seja, tem pessoas com depressão grave que sai da realidade, e isto configura o que chamamos de “depressão psicótica”. 

Finalmente, uma coisa muito importante para uma pessoa entender por que ela está deprimida, tem que ver não em analisar sobre quem ela perdeu e que gerou o estado depressivo. Mais importante é procurar entender o que ela perdeu nesta perda. E, em seguida, buscar formas de lidar com a perda de uma maneira melhor para sair da doença.

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