Manacá

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

 Certa vez tive uma oportunidade especial: plantar um pé de manacá, aquela árvore florida, cheia de beleza que atrai tantos olhares admirados. A que plantei, em um solo sagrado - literalmente, ganhou um número, "Manacá 200", do qual não me esquecerei. Dizem que plantar uma árvore é a realização de um sonho que todos deveriam cumprir em vida. Estreei logo com essa "árvore de flores" que agrega tantos predicados.

Tempos depois descobri que pessoas muito especiais também já tiveram seu momento e plantaram a bela árvore. Manacá, de novo um Manacá. Um deles, bonito e frondoso, no cenário de entrada de um belíssimo lugar, dando as boas-vindas a quem chegar. Devo confessar que além de apreciar sua beleza, fomentei um apreço próprio pelo significado que essa expressão da natureza passou a ter em minha vida. E antes que pensem que não deveríamos nos afeiçoar tanto assim por uma “planta”, já contradigo o argumento em defesa daqueles que perdem muito por não conseguirem benquerer algo tão sublime e perfeito que o homem por si só não pode criar.

Eis que essa semana, em um final de tarde de domingo chuvoso, em frente à Igreja de Santo Antônio, terreno fértil para o sentimento de saudade brotar e não cessar, uma pessoa querida apontou para o Manacá cheio de flores em tons de rosa que habita a Praça do Suspiro e contou-me o tanto que ele era especial para alguém singular, o destinatário daquela saudade toda que me tomava não só naquele momento, mas em todos os longos últimos dias. Se existir um predicado acima de "especial", será esse que devo utilizar ao me referir àquele Manacá. De especial, passou a ser único.

Parafraseando Pero Vaz de Caminha que por meio de sua carta direcionada ao Rei Dom Manuel em 1500 contava sobre a terra "descoberta" e descrevia o Brasil em sua abundância natural, suas fontes de água e a graciosidade desse lugar, devo dizer que vivemos em Nova Friburgo, e por aqui, "em se plantando, tudo dá". Não vejo Manacás não florescerem por aqui.  Por que não os plantamos em profusão, com fartura? Em toda casa. Em todo canto. Sonho longe: por que um dia não poderemos ser “Nova Friburgo, a capital do Manacá”?  Pode acreditar, em se plantando, aqui dá.

Reflexão da semana
“Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega.”
Ana Jácomo

Publicidade
TAGS:

Paula Farsoun

Com a palavra...

Paula é uma jovem friburguense, advogada, escritora e apaixonada desde sempre pela arte de escrever e o mundo dos livros. Ama família, flores e café e tem um olhar otimista voltado para o ser humano e suas relações, prerrogativas e experiências.

A Direção do Jornal A Voz da Serra não é solidária, não se responsabiliza e nem endossa os conceitos e opiniões emitidas por seus colunistas em seções ou artigos assinados.