Pessoas boas

Wanderson Nogueira

Palavreando

Aos sábados, no Caderno Z, o jornalista Wanderson Nogueira explora a sua verve literária na coluna "Palavreando", onde fala de sentimentos e analisa o espírito e o comportamento humano.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Eu conheço mais pessoas boas do que más. O que me leva à conclusão de que no mundo há mais pessoas do bem do que do mal. Que bom! As más talvez tenham mais destaque, mas estamos rodeados mais de pessoas boas do que ruins.

Quando falo de pessoas do bem, não estou desenhando nenhum super-herói. Não! São pessoas comuns, simples, que fazem o que tem que ser feito. Também não estou falando de pessoas perfeitas. Essas não existem nem nos contos, nem nos filmes, nem nos poemas de papel de pão.

Pessoas do bem também erram e também se perdem por esse ou aquele motivo, mas nos seus cernes, nos seus íntimos são boas. Aliás, há poucos dias um mestre me disse: “o maior peso que um homem pode carregar é o de sua própria consciência”. Por isso, quem carrega o fardo do erro só tem um modo de se tornar mais leve: reconhecer o erro, pedir perdão, evitar errar de novo, falar a verdade, parar e retornar ao ponto de partida do que é desviando daquilo que não pode e não quer ser.

Pessoas do bem não precisam provar a ninguém que são do bem a não ser para as suas próprias consciências. E deve ser terrível ser inimigo de sua consciência.

Muitos, pela vaidade, orgulho, ganho fácil se deixam levar e esquecem a finalidade humana que é ser bom para ser realmente feliz. Esses não temem a mentira e não se incomodam em mentir. Mentem com facilidade e por fim acabam por mentir para si mesmos. Esses não vêem os outros, apenas enxergam o outro como um meio para determinado fim. Não respeitam o outro e acabam por não se respeitar. Separam-se de suas consciências e vagam por aí colhendo frutos para a matéria, mas nada para a alma. Quando foi que aquele menino escapuliu daquela sombra?

Eu conheço mais pessoas boas do que más. O bem é muito maior do que o mal ainda que estejamos em contínua guerra. Não se trata de anjos vindos do céu e do inferno, não se trata de adversários que vestem essa ou aquela armadura ou empunham essa espada ou aquele escudo por essa ou por aquela bandeira. Trata-se da gente mesmo. Dessa gente que vive andando para lá e pra cá diariamente, com ou sem holofotes na testa, mas que é colocada perante escolhas diárias a todo instante. É a escolha! Não de ser bom ou mau, mas as escolhas simples que nos colocam à prova. Essas escolhas é que determinam e diferenciam os bons dos maus.

Tem gente fazendo escolhas ruins pra si mesmo, tem gente fazendo escolhas que prejudicam o outro, tem gente que se ausenta para não se posicionar, tem gente que se esquiva da boa batalha, tem gente que se faz despercebida...

Mas também tem gente tirando de si para o outro, abrindo mão pelo outro, fazendo quando não é obrigada a fazer, preocupada com o hoje do mundo e também com o amanhã. Tem gente compromissada com o bem sem se auto-intitular do bem. Há mais pessoas boas do que más.

É essa vibração que faz novas sementes germinarem, porque a natureza acredita no homem. Há esperança! Há uma força que acende uma luz no seio da terra que colhe discípulos anônimos para que o mundo prossiga seu destino que não é o fim, mas a transformação daquilo que já é belo. O homem é bom, o mundo não os torna maus, alguns apenas se perdem, se cansam e acabam por levar nas costas um peso maior do que o mundo, o peso de suas consciências.    

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