Eu não sei, simplesmente não sei

Wanderson Nogueira

Palavreando

Aos sábados, no Caderno Z, o jornalista Wanderson Nogueira explora a sua verve literária na coluna "Palavreando", onde fala de sentimentos e analisa o espírito e o comportamento humano.

sábado, 31 de agosto de 2019

Eu não tenho todas as respostas. Não por falta de procura. Acho que todo mundo, ao menos uma vez, quer respostas, certezas, garantias. Eu não sei, simplesmente não sei.

Admito que não sei muito acerca do passado, tampouco muito do presente e absolutamente nada sobre o futuro. Não que não soubesse ou não quisesse saber. Não que eu não tenha aprendido ou que não quisesse aprender. E a vida é sempre esse mar de incerteza em busca da certeza da praia, da segurança da areia, da praticidade da costa que tudo margeia e que traça limites. 

Mas sempre há mais pra ver do que realmente vemos. Nossa visão é limitada ainda que tenhamos consciência de que para além da Via-Láctea existem milhões de estrelas e inúmeros planetas iluminados por infinitas luas. Todo olhar esconde oceanos de mistérios e é apaixonante quando somos chamados para navegar adentro desses mares que nos incendeiam e nos dão razões para afirmar sem medo de parecer tolo ou adulto de menos: eu não sei, simplesmente não sei.

Cresci com medo de querer crescer, mas a natureza ignora nossos medos e é natural que assim seja, pois ao contrário jamais iríamos querer alcançar estrelas e navegar por oceanos. Porém, pescar estrelas, por mais divertido que possa parecer, um dia perde a graça, afinal, não se pode tirá-las da imensidão azul. 

A maturidade nos tira um pouco do sonho, mas ensina que nossas mãos não podem deter aquilo que pertence ao infinito. Que não nos cabe... Então, sonhamos ser infinitos não para deter o infinito, mas para poder continuar o perseguindo. Não sei se todos os sonhos valem à pena, se eternidade é bom ou ruim, mas gostaria sinceramente de provar por mim mesmo. De descobrir a ausência do eterno indo até o fim. 

Suspeito que não estarei aqui pra contar o fim da história do mundo, mas me sinto satisfeito por crer que participei de muitos inícios e fins de histórias nesse grande cenário. E assim não quero as experiências alheias, tampouco sabedorias milenares. Quero conhecer o amor e a vida por mim mesmo, do meu jeito de enfrentar os dias ao fazê-los parceiros ou inimigos. Essa é a minha procura e a sina da minha busca. 

Eu não sei, simplesmente não sei. E quanto mais acumulo experiências e conhecimento menos sei. Prefiro as artimanhas da surpresa. Elas são saborosas, ainda que dramáticas, quando esperamos as inesgotáveis possibilidades do tudo. O que importa mesmo é a compreensão de que qualquer coisa pode vir além da curva, ao desdobrar o que está atrás da montanha, ao desvendar o que se esconde naquele olhar...   

E, por fim, nem todas as respostas vêm de perguntas, mas todos os olhares nos dão a chance de compreender que nem sempre é possível se entender. As maiores alegrias da vida estão naquelas que não se entende. Por isso, eu não sei, simplesmente não sei e nem sei se você também quer realmente saber ainda que adore perguntar e seja devoto da procura. O que procura?  

 

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