Ano-novo, de novo

David Massena

David Massena

David estreou nas colunas sociais ainda na década de 70. É jornalista, cerimonialista, bacharel em Direito, escritor e roteirista. Já foi ator, bailarino, e tantas coisas mais, que se tornou um atento observador e, às vezes, crítico das coisas do mundo.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Nascemos e morremos todos os dias. Em cada um de nós moram silêncios. E quando a alma rompe a quietude, fazendo-se ouvir, festejamos. Vida mistério essa que nos é ofertada sem manual de instruções. Não sabemos nada. Mas aos poucos, vamos nos tornando donos do mundo. Chegamos a discordar dos opostos, como se o nosso olhar fosse incomum e os dos outros, zambaio, desfocados em seus achismos especulativos. Como se cada experiência não fosse única. Cada viagem não fosse especial. Em cada alma guardam-se valores que são personalíssimos e é por conta disso que aceitar o outro é aceitar-se. E se não me aceito como posso então querer mudar?

O que acordamos chamar de ano, os tais 365 dias, vai se impondo em despedida. Acenando tão logo chega dezembro, repleto de festas, confraternizações, encontros, reencontros, perdões que poderiam ser pedidos e concedidos ao longo dos dias, mas que deixamos para o epílogo, como se o mundo fosse acabar amanhã, às vésperas do que apelidamos de novo ano. Novo de novo, diria. Ano novo no aniversário, no zodíaco, no horóscopo chinês e aí abrimos nova temporada e repetimos tudo de novo...

Para quê tantos planejamentos. Por que adiar? Não somos empresas, e se é preciso construir projetos que possam chegar a algum lugar, que cheguem ao coração. Os pontos de virada acontecerão. E o clímax, os conflitos, nos farão aportar, com serenidade e certeza de que ancoramos, para então alçar novos voos. Mas preferimos ir riscando os dias no calendário, referenciando, na velha negatividade, a pressa para que o ano termine rápido vislumbrando dias melhores. Será? Serão? Ah... não somos donos da história!

Tem gente que faz balanço do ano, como se fosse possível contabilizar, como números, em cálculos que incluem débito e crédito, o que não tem prazo de exercício. Viver não é um exercício matemático. Quem conta dias não vive. Sobrevive. E envelhecer é implacável para quem sobrevive. Vida parcelada deve ser muito chata. Quer fazer, faça! Não fique a espera do ano que virá.

Gosto mesmo de projetos longos. Aceito assim a vida. Quem afirma se o ano foi bom ou ruim já prenuncia uma ansiedade para o vindouro que atrapalha tudo. Afinal de contas é de boas energias que precisamos nos alimentar. Faça valer! Não se permita envelhecer contando o tempo... Cresça! Jogue a seu favor.

É claro que já acreditei em roupa nova, branco para atrair boas energias, velas amarelas para celebrar o novo ano, pular sete ondinhas, comer lentilhas, simpáticas tradições que não precisam ser exercitadas apenas uma vez ao ano. Ano?! Faça quando quiser. Vista o que lhe vier à cabeça, seja feliz! A vida começa no seu aspirar.

Não é preciso seguir calendários. Sonhos constroem-se, realizam-se ou não, independente dos conceitos de dias, horas, meses e anos. Muitas coisas nascem no acaso, inspiração, desejo, vontade. Outras tantas, conseqüências, decorrências, atração. Vá em frente, sempre. Acreditando, desacreditando, substituindo-se, renovando-se e porque não dizer: renascendo.

Sempre em frente, desapegado de números. Olhe na direção do horizonte, permita-se! Porque a única pessoa que se deu bem andando para trás foi Michael Jackson.  Que venham as novas emoções! Ah...e não esqueça de colocar para uso tudo o que está guardado no armário. Hoje. 

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David estreou nas colunas sociais ainda na década de 70. É jornalista, cerimonialista, bacharel em Direito, escritor e roteirista. Já foi ator, bailarino, e tantas coisas mais, que se tornou um atento observador e, às vezes, crítico das coisas do mundo.

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