Vilage ainda se recupera de janeiro de 2011

Bairro ainda tem obras inacabadas e moradores vivendo em áreas de risco
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Contenção de encostas como as da Rua General Andrade Neves até hoje não foram concluídas pelo governo do estado (Fotos: Henrique Pinheiro)
Contenção de encostas como as da Rua General Andrade Neves até hoje não foram concluídas pelo governo do estado (Fotos: Henrique Pinheiro)

Oito anos depois da tragédia climática que devastou a Vilage, na região central de Nova Friburgo, obras de contenção das encostas que destruíram casas e interromperam vidas no bairro, ainda não foram concluídas pelo governo. Famílias ainda moram em áreas de risco interditadas pela Defesa Civil, enquanto marcas do dia 12 de janeiro de 2011, demoram a se apagar.

Milena Knupp (foto abaixo) está na lista dos cerca de 24 mil friburguenses que se arriscam ao morar em locais considerados perigosos. No final da Rua Humberto Gomes, ela vive com o marido e a filha em uma casa que deveria ter desocupado. “Na época, vieram aqui e disseram que deveríamos sair. Iríamos para o Terra Nova, mas não dá para morar lá. Muita bagunça. Aqui não tem perigo, não”, acredita.

A dona de casa se refere ao conjunto habitacional construído no distrito de Conselheiro Paulino, com pouco mais de 2.300 apartamentos, onde foram morar milhares de pessoas que perderam suas casas no município. Vizinhos e familiares de Milena estão lá. Eles moravam em imóveis construídos numa encosta na Vilage que hoje está coberta pelo verde e nem parece que já fora ocupada por famílias.

“Eu queria que a prefeitura cuidasse mais das ruas do bairro. A nossa está toda esburacada, não recebe capina há meses. A escada que liga a Rua Humberto Gomes com a Coronel Sarmento está quase desabando. Já pedi para consertarem, mas até agora nada”, disse Milena, que há 39 anos mora na comunidade.

Do alto da casa dela dá para ver a grande obra de contenção que o governo do estado conclui atrás da antiga Creche Municipal João Batista Faria, desativada na Rua Coronel Sarmento após deslizamento da barreira. Na época da tragédia, a filha de Milena estudava na unidade. Hoje, a João Batista Faria funciona no espaço da creche Padre Luiz Yabar, enquanto sua nova sede está em construção na pracinha do bairro.

Lembranças que obras não apagam

Atrás da antiga sede da creche (cujo imóvel está interditado e abandonado), a contenção da encosta foi feita com grampeamento do solo e plantação de vegetação. Nesta quinta-feira, 10, funcionários da construtora que realiza o serviço trabalhavam na conclusão da construção do sistema de escoamento de água da chuva, que vai descer por manilhas instaladas na Rua Coronel Sarmento.

Na mesma rua, há marcas da tragédia ainda visíveis no bairro, mas outras escondidas pela vegetação. Em uma imponente casa de dois andares inabitada e com aparente bom estado de conservação é preciso levantar as folhagens que cobrem parte do imóvel para ver um carro cinza, modelo Fox, soterrado no espaço que um dia foi uma garagem. A imagem impressiona.

Outras obras na Vilage ainda não foram concluídas pelo estado. Na Rua General Andrade Neves, a contenção de uma encosta, avaliada em R$ 17,8 milhões, está na fase final e deixa moradores com a pulga atrás da orelha. Enquanto um trecho foi feito com solo grampeado, outro recebeu concreto projetado. “Não é estranho usarem duas formas de contenção em trechos tão próximos?”, questiona um morador que pediu para não ser identificado na reportagem.

O estado, contudo, entregou outras obras de porte na Vilage. Na Rua Carlos Éboli, por exemplo, a contenção de um morro, na altura do número 71, foi concluída há pouco tempo (foto). O concreto ainda está claro, em comparação com outro trecho mais escuro, entregue há mais tempo. No final da Rua Almirante Barroso, outra obra monumental para escoamento adequado da chuva também foi entregue à população.

De acordo com o governo do estado, R$ 295 milhões ainda serão investidos em medidas de prevenção na cidade, entre elas, desapropriação de casas, substituição de 12 travessias ao longo do Rio Bengalas e Córrego Dantas, dragagem, adequação de calha, proteção e contenção das margens, urbanização marginal e reflorestamento do Córrego Dantas, dragagem, adequação de calha, proteção e contenção das margens de trechos do Rio Bengalas. Não há prazo para tomada dessas medidas.

O bairro Vilage é o retrato de Nova Friburgo pós-tragédia, uma cidade que ainda se recupera da maior catástrofe climática do país, que matou só no município pouco mais de 400 pessoas e deixou traumas emocionais que ainda não foram superados.

 

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TAGS: Clima | 2011