Vereadores vistoriam o Hospital Raul Sertã: “Não temos mais como esperar”

Situações encontradas serão descritas em relatório que será entregue à prefeitura e à Justiça
quinta-feira, 01 de novembro de 2018
por Marcio Madeira (marcio@avozdaserra.com.br)
Vereadores foram recebidos pela secretária Tânia Trilha quando chegaram ao Hospital Raul Sertã (Foto:  Thays Ferrari)
Vereadores foram recebidos pela secretária Tânia Trilha quando chegaram ao Hospital Raul Sertã (Foto: Thays Ferrari)

A Câmara Municipal de Nova Friburgo, de forma institucional, com vereadores ou assessores de todos os 21 gabinetes, fez uma visita técnica ao Hospital Municipal Raul Sertã na manhã desta quinta-feira, 1º. A ação foi uma resposta à sociedade, que tem cobrado diariamente ações por parte dos vereadores, e irá redundar na elaboração de um relatório das situações encontradas, que será encaminhado ao prefeito Renato Bravo, à secretária de Saúde, Tânia Trilha, e também ao Ministério Público e autoridades ligadas à Saúde em instâncias superiores.

“A visita se deu pela institucionalidade da Casa”, enfatizou o presidente do Legislativo, vereador Alexandre Cruz. “Nós sabemos perfeitamente do trabalho que vem sendo desenvolvido pela Comissão de Saúde, e também individualmente pelos vereadores. Cada um tem sua forma de trabalhar. A Saúde, no entanto, chegou a um ponto em que não temos mais como esperar. Essa presidência é cobrada a se posicionar, em nome do Poder Legislativo. E a posição que nós tivemos foi essa reunião, de forma inédita na cidade, para uma auditoria conjunta no hospital. É importante deixar claro que não estamos promovendo um cabo de guerra. Ao contrário, queremos apenas cumprir o nosso papel de defender a população e fiscalizar. A população está nos cobrando, e a única posição que podemos ter é a de fiscalizar, e encaminhar as demandas a todas as autoridades competentes. E nós vamos fazer isso. Não estamos aqui para brincar, nem tampouco vamos ouvir “mimimi” de pessoas insinuando que as ações estão ocorrendo porque não fomos atendidos numa demanda ou noutra. Até mesmo porque é fácil saber o que cada um tem no governo e fazer as necessárias distinções. Nós estamos falando de vidas, estamos falando de seres humanos, estamos falando de gente. Então, o que a secretária fez no dia da visita, quando estava lá para nos receber, ela deveria fazer mais vezes. Assim ele terá conhecimento pleno do problema que está o Hospital Raul Sertã”.

O presidente da Comissão de Saúde, vereador Wellington Moreira, manteve o mesmo tom em suas declarações. “O descaso é tão gritante, que logo de cara o hospital não tem direção médica e nem administrativa. Foi constatado que não há insumos básicos para o atendimento diário quase que na totalidade dos setores. Um hospital daquele porte está vivendo à base de doações e empréstimos, tanto da UPA quanto de fornecedores. Há relato de funcionário afirmando que lavam com soro equipo e polifix, e reutilizam em pacientes. Alguns ficam até oito dias com os mesmos, correndo sério risco de ter infecção. Não existe desfibrilador infantil. Foi contado também que um paciente teve de ser entubado com a ajuda da lanterna de um celular porque não tinham pilhas para colocar no aparelho que faz esse procedimento. O que é mais perturbador: o hospital não tem morfina, não tem Tramol (medicamentos indicados para fortes dores), não tem medicamento para estabilizar pressão arterial, falta um medicamento chamado Tridil indicado para pessoas infartadas. Os insumos primordiais e indispensáveis chamados TAP e PPT utilizados em exames de colonoscopia, usados também para a coagulação sanguínea, em cirurgias de emergências, em pacientes com picadas de insetos e de animais peçonhentos e pós-cirurgias não têm em estoque. Eu tiro o meu chapéu para os funcionários porque, dentro das possibilidades, fazem mágica para atender a demanda dos atendimentos”, salientou o vereador.

Ainda de acordo com o presidente da Comissão de Saúde, têm sido observadas a falta de seringas de 10 e 20ml; drenos; luva estéril (7 e 7,5 ml); frascos de drenos; equipo; teste de uréase; enzimático; luvas cirúrgicas; luvas de procedimentos; eletrodos; fitas de glicemia e HCT; gelco; poliflix; ataduras; esparadrapo; perfurador e aferidor de pressão. “Pouco antes da vistoria chegaram alguns itens, que segundo a secretária, já estavam previstos. Para mim, no entanto, isso é apenas uma maquiagem, porque sabiam da vistoria”, acrescentou Wellinton  Moreira.

A inspeção foi tema de quase todos os discursos dos parlamentares na hora livre da sessão legislativa realizada na tarde de quinta-feira. O conteúdo de tais depoimentos pode ser visto na página de vídeos YouTube, no canal da TV Câmara de Nova Friburgo.

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