Vendedor cria sozinho praça no Alto das Braunes, revitalizando espaço

Antes “invisível”, local agora tem até bancos e canteiros ornamentados por pequenas árvores, flores e plantas de todos os tipos
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)

O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu que “uma andorinha só não faz verão” talvez porque não conhecesse pessoas como Marcelo Nunes. Natural de São José do Ribeirão, em Bom Jardim, ele é morador do Jardim dos Reis, no bairro Nova Suíça, há cerca de 25 anos, e há pouco mais de um ano vende frutas, verduras e legumes na Rua Visconde de Itaboraí, no Alto das Braunes, no ponto mais conhecido como Curva da Macumba, ou mais recentemente, Curva da Bênção. Mas o que diferencia Marcelo de outros vendedores é o que ele faz em prol do bem comum.

Quem mora, trabalha ou apenas passa pelo local sabe que o trecho carecia de cuidados. Não havia calçada nem jardim. O aspecto era de abandono. Isso até Marcelo começar a trabalhar ali. Aos poucos, ele transformou o lugar em uma praça, com bancos e canteiros ornamentados por pequenas árvores, flores e plantas. “Comecei limpando o lixo e os entulhos. Nivelei o terreno com dez caminhões de terra e arrumei os canteiros. Entrei em contato com o dono do terreno, que agradeceu pelo cuidado e me autorizou a continuar trabalhando aqui”, diz Marcelo elogiando a receptividade dos seus “vizinhos”: “Todos me tratam bem e vários são meus clientes. Virei até ponto de referência aqui”, completa.

Marcelo calçou parte do terreno com pedras e o cercou com blocos de concreto que viraram jardineiras. Ele também fez cinco canteiros rodeados por grama e uma cerca com caixas de feira reutilizadas. Toras de madeira servem como bancos e até de base para uma pomba branca de cerâmica, doação de uma cliente, que ele colocou bem ao centro da “pracinha” para simbolizar a paz que o local agora transmite. E revela que fez tudo isso praticamente sozinho. Conta, é claro, com a ajuda e as doações de amigos e clientes. 

“Fiz porque gosto de fazer. Desde a minha infância lido com a natureza. O Horto de Bom Jardim foi aberto pelo meu avô e eu gostava de ajudá-lo. Tem um miquinho que come fruta na minha mão aqui. Isso não tem preço”, conta Marcelo. 

As benfeitorias promovidas por ele já se espalharam para o outro lado da rua. Marcelo reparou que como não há calçada no trecho, os pedestres precisavam contornar a curva pelo meio da pista, o que era perigoso. E o que ele fez? Cercou o entorno da curva e, com vigas de madeira, construiu uma escada e espalhou plantas. Também instalou dois bancos de madeira “para o pessoal que esperava pelos ônibus em pé”. Marcelo promoveu uma revolução. Nem parece o mesmo lugar de antes. Imagina se todo mundo fosse como ele e melhorasse o aspecto ao redor da sua casa ou trabalho? Certamente viveríamos num mundo melhor, não é mesmo?

 

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