Variação entre admissões e desligamentos foi a melhor desde 2011

Neste primeiro semestre Caged registrou saldo positivo de 599 novos postos de trabalho em Nova Friburgo
sexta-feira, 04 de agosto de 2017
por Dayane Emrich
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O primeiro semestre de 2017 teve saldo positivo entre o número de admissões e de desligamentos em Nova Friburgo. Foram 599 postos de trabalho abertos no período. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que divide o mercado por setores e detalha as áreas que mais abriram e fecharam vagas formais de emprego. Os números chamam ainda mais atenção se comparados aos primeiros semestres dos seis últimos anos, já que, apesar da crise política e econômica do país, o resultado foi o melhor desde 2011.

De acordo com o levantamento, nos primeiros seis meses deste ano, a cidade registrou 8.510 admissões contra 7.911 desligamentos. Na divisão por setores, a indústria da transformação foi o destaque, com 3.257 admissões. Em seguida ficou o comércio, com 2.676 admissões; e o setor de serviços, com 2.198. Já as áreas que mais fecharam postos de trabalho foram a construção civil (294), a administração pública (96), e a agropecuária, com 48 desligamentos.

Lucas do Espírito Santo, de 24 anos, é um dos friburguenses que conseguiram uma vaga no primeiro semestre deste ano. “Eu estava desempregado desde o fim do ano passado, mas felizmente  fui contratado em maio deste ano, para trabalhar como vendedor em uma distribuidora de bebidas e alimentos da cidade”, disse ele.

Situação parecida passou Kátia Viana Milhorance, de 32 anos. “O ano passado foi terrível. Tentei emprego como vendedora, recepcionista; deixei currículo em dezenas de lugares”, contou ela explicando que o convite para trabalhar veio em janeiro deste ano. “Graças a Deus. Já estava desesperada, sem o seguro-desemprego e vendo as contas se acumularem. Agora estou trabalhando em uma confecção”, contou.

Resultado de junho

Apesar do bom resultado do semestre, na análise individual dos meses, o mês de junho, o último apontado pela pesquisa, teve o pior resultado do ano e fechou com uma variação de 61 postos de trabalho a menos. Ao todo, foram 1.413 admissões contra 1.474 desligamentos. A construção civil e o setor de serviços foram os que mais fecharam vagas, 27 e 21, respectivamente, considerando a média da variação. Em seguida ficou a administração pública e o comércio, com menos 12 postos de trabalho, cada.

Em relação ao mês de melhor desempenho, abril registrou 1.438 admissões e 1.112 desligamentos, uma variação positiva de 326 vagas. Janeiro, fevereiro e março tiveram saldo de 135, 13 e 125 vagas, respectivamente, enquanto maio contabilizou 61 novos postos de trabalho.

Comparado ao mesmo período de anos anteriores, o dado de 2017 mostra uma possível retomada do crescimento econômico do mercado friburguense, seguindo os mesmos passos do cenário nacional. Em 2016, na cidade, foram fechados 493 postos de trabalho, enquanto em 2015 apenas seis vagas foram abertas, anulando as vagas geradas em 2014, quando Friburgo registrou 374 novos postos de trabalho. Em relação ao triênio anterior, a cidade contabilizou 333 vagas a mais em 2013; 570 em 2012; e menos 163 postos de trabalho em 2011.

Para o economista e professor universitário Carlos Alberto Veronese Serrão, no entanto, não é possível atribuir o resultado a uma única variável e tampouco afirmar que ele significa a retomada do crescimento. “Aos poucos a economia se ajusta. A atividade econômica é cíclica e estamos revertendo a situação após chegarmos ao ‘fundo do poço’. Agora, se essa reversão será robusta, acho que não, não deverá ser significativa, já que o governo não tem contribuído para a melhora”, disse.

Os dados apresentados não são sinônimo de crescimento econômico. Para isso acontecer são necessárias outras variáveis. A superação das admissões em relação às demissões podem apenas apresentar uma reposição ao estado normal, com salário mais baixos, postos de trabalho piores e empregos mais simples”, explicou.

Dados Nacionais

Também na contramão da crise, o mercado de trabalho brasileiro abriu 9.821 novos postos em junho. De acordo com o Caged, o resultado mostra a diferença de 1.181.930 admissões e 1.172.109 demissões, números que ajudaram o país a alcançar 67.358 vagas de emprego abertas. O resultado é o melhor desde 2014, segundo o coordenador de estatísticas do Ministério do Trabalho, Mário Magalhães. "O ano de 2014 foi o último em que tivemos resultados positivos; 2015 e 2016 são anos específicos da crise", disse, explicando que 2014 foi um momento de crescimento econômico acelerado, enquanto 2017 é um ano de retomada.

De acordo com o Caged, o saldo positivo do mês de junho foi impulsionado pela agropecuária e pela administração pública. Ao todo, no período, foram gerados 36.827 novos postos de trabalho na agropecuária, repetindo o desempenho do setor do mês de maio, quando o país registrou um saldo positivo de 46.049 novas vagas. A administração pública, por sua vez, fechou o mês com a criação de 704 novas vagas de emprego, um aumento de 0,08%.

"Tivemos em junho o quarto mês de geração de empregos em 2017. Queríamos estar comemorando números melhores, mas o Brasil possui suas especificidades. Podemos destacar o setor agropecuário, que foi importante em junho, e alguns subsetores da indústria de transformação”, afirmou o ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira.

 

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