Usuários de drogas deixam moradores do Bairro Ypu assustados

Assaltos, gritaria e sensação de insegurança são relatos frequentes de quem vive no local. Polícia e prefeitura prometem dar atenção ao caso
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
A esquina do perigo: insegurança em ponto movimentado da cidade (Fotos: Henrique Cordeiro)
A esquina do perigo: insegurança em ponto movimentado da cidade (Fotos: Henrique Cordeiro)

A migração de usuários de drogas para diferentes pontos da cidade faz crescer a insegurança, a perda de tranquilidade e aumenta o risco de insolubilidade do problema. No Bairro Ypu, há algum tempo, a presença de usuários de drogas na descida do viaduto Geremias de Mattos Fontes, na Avenida Emil Clef, tem assustado os moradores da região. Há quem diga que o grupo já esteve pela Via Expressa, Olaria, praças do Centro e, agora, Bairro Ypu.

De acordo com relatos, por volta das 19h, todos os dias, é comum um aglomerado de pessoas se reunir na altura do cruzamento da ponte com a avenida, para consumir maconha e cocaína. Alguns usuários, inclusive, sob o efeito de entorpecentes costumam invadir as pistas da avenida, correr pela calçada, importunar com pedestres e gritar durante a madrugada.

Uma moradora do bairro chegou a comparar o problema com as cracolândias existentes em São Paulo e Rio de Janeiro. “Muito triste todas as noites ter que ouvir gritos de alucinações, ver tantos jovens ali usando e vendendo drogas. Muita gente  chega ali durante toda a madrugada. É horrível não poder mais em momento algum passar nas calçadas do bairro Ypu, porque temos medo”, conta a mulher.

Segundo essa mesma moradora, um dos usuários quase conseguiu assaltá-la. “Esses dias quase fui roubada aqui. O cara ficou me observando de longe e eu já tinha percebido. Quando ele veio na minha direção, saí rápido e fui para perto de casa. Hoje temos medo. Esse já foi um lugar bom para morar”, completou ela.

Relatando o problema em uma rede social, outra moradora afirma que os usuários assaltaram sua irmã e agrediram quando outra pessoa foi tentar ajudar. “Minha irmã foi assaltada, levaram o celular e ameaçaram jogá-la lá de cima. Uma senhora que estava passando foi defender e ainda levou um soco”, disse.

É no entorno do mercado das flores que os usuários “batem ponto”. De acordo com um dos comerciantes eles já quebraram parte da estrutura, danificaram algumas mercadorias, deixam cobertores e roupas enroladas no local e são responsáveis por descartar no rio que corre atrás da bancada das flores, garrafas e outros objetos. “Eu costumo chegar para trabalhar e encontro tudo revirado. Por muitas vezes eu encontrei fezes e urina por toda a parte. São tão abusados, que deixam uma espécie de trouxinha de roupa para quando voltar”, relata o comerciante.

Outro comerciante do bairro afirma que durante o dia esses moradores de rua  ficam circulando pela região, e que muitos deles pernoitam sob o viaduto. “Ali também é outro ponto problemático. Para uma pessoa passar ali, mesmo a luz do dia, sozinha, não é aconselhável.

Enquanto nossa equipe caminhava pelo local, vimos alguns suspeitos. Um deles (foto), apontado pelas nossas fontes como o responsável pelos gritos que varam as madrugadas. O suspeito, carregando um lençol e trajando um gorro de Papai Noel, entoava gritos por todos os lados e por vezes, se arriscava a atravessar a avenida entre os carros, correndo grande risco de ser atropelado.

O que diz o comandante da PM

O comandante do 11ºBPM, coronel Eduardo Vaz Castelano, afirma que a PM e a Polícia Civil, têm combatido diariamente o tráfico e o consumo de drogas na cidade. E, avisado sobre o problema recorrente no Bairro Ypu, vai dedicar atenção especial ao caso. “Após conhecermos a denúncia iremos atuar para proporcionar o cumprimento da lei e a consequente paz no local. O trabalho preventivo das polícias civil e militar tem sido realizado nas escolas com o público infantil através do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas) e infanto juvenil através do “Papo de Responsa”. Além do trabalho de conscientização dos pais de usuários para o problema realizado através dos Conselhos comunitários de Segurança Escolar”.

O comandante afirma ainda que a luta contra o tráfico e o consumo de drogas tem sido o maior desafio da polícia, na região. “Essa luta contra as drogas tem sido um desafio e tanto que travamos incansavelmente com todo vigor na busca de salvarmos famílias e quando isso acontece gratifica todo nosso esforço por um bem maior. Nesse engajamento precisam estar fortes todos os atores (Polícia, pais, escola, etc...).

“Fazemos questão de disponibilizarmos o telefone do disque denúncia para denúncias como essas em que nós precisamos conhecer dia, horário, local e forma de atuação. A fim de que possamos realizar trabalhos de inteligência para ajudarmos mais e melhor na solução do problema. O telefone do Disque Denúncia é o  2523 4590”, aconselha.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Nova Friburgo informa que está ciente sobre a questão e que inclusive, na última segunda-feira, 27 de agosto, realizou no local uma ação conjunta, que contou com as secretarias de Assistência Social, por meio da atuação do Creas; de Política sobre Drogas, Serviços Públicos e a Guarda Municipal, além do apoio da Polícia Militar. O trabalho aconteceu às 5h da madrugada, por ser o horário em que os usuários de drogas em questão (que são moradores de rua) geralmente despertam e estão sem o efeito de substâncias tóxicas. Essas pessoas foram acolhidas e orientadas pelos assistentes sociais com o apoio da Secretaria de Política sobre Drogas, que está à disposição de todos eles, e de quem mais precisar, para atender, por meio de uma equipe multidisciplinar, em um sistema de três eixos: prevenção, acolhimento e reinserção social.

A prefeitura informou ainda que, no próximo mês, participará de uma reunião do Comitê de População em Situação de Rua, da qual a Secretaria de Assistência Social faz parte, e onde todos os atores de referência e que atuam na questão abordada discutirão sobre o assunto a fim de buscar novas propostas de solução para o problema. Ao flagrarem a venda de drogas, os moradores devem acionar a Polícia Militar pelo 190 e denunciar para que possa ser feita a atuação devida.

 

 

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