Upcycling, a arte de criar algo novo e melhor a partir do refugo

Resultado final é tipicamente um produto único, feito à mão e sustentável
sábado, 11 de maio de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Upcycling, a arte de criar algo novo e melhor a partir do refugo

O upcycling, também conhecido como reutilização criativa, é o processo de transformação de subprodutos, resíduos, produtos inúteis ou indesejados em novos materiais ou produtos de melhor qualidade ou com maior valor ambiental.​ Apesar de ter nascido nos anos 1990, ainda hoje o conceito possui um grande potencial de descoberta e transformação no Brasil e no mundo.

Em contraste com a reutilização ou a reciclagem, o upcycling usa materiais existentes para melhorar os originais. Reutiliza o que iria para o lixo, sem a necessidade de intervenções químicas, além de ter um custo mais baixo. É a nova roupa, sem consumir energia, poluir o ar e a água, sem emitir gases de efeito estufa resultantes da indústria. Resumindo, é aproveitar algo sem valor comercial que seria descartado e transformá-lo em algo diferente.

Parece ser o mesmo que reciclagem, mas não é. Portanto, o upcycling não significa reciclar, mas recriar. É algo como uma evolução em cima do conceito de reaproveitamento, da continuidade do ciclo de vida do produto. Um não invalida o outro e ambos têm como objetivo tornar o planeta mais sustentável.

O resultado final é tipicamente um produto único, feito à mão e sustentável. Por exemplo, na reutilização ou reciclagem de camisetas usadas podem ser transformadas em panos de limpeza; já o upcycling significa que você recriaria a camiseta com retalhos de outros tecidos decorados com bordados feito à mão.

O termo foi usado pela primeira vez em 1994 pelo empresário e ambientalista alemão Reine Pilz. Mas só em 2002, no livro Cradle to Cradle: Remaking the Way we Make Things, chamou a atenção do púbico. Nele, os autores William McDonough e Michael Braungart afirmam que o objetivo do upcycling é evitar o desperdício de materiais potencialmente úteis, reduzindo o consumo de novas matérias- -­primas durante a criação de novos produtos e o consumo de energia, a poluição do ar e da água e as emissões de gases de efeito estufa, resultantes dos processos industriais da reciclagem. Isto torna a prática ainda mais positiva, do ponto de vista ecológico, do que a própria reciclagem.

Ecofashion

A moda tem uma fascinante capacidade de apropriação simbólica e comprar uma peça de roupa significa comprar também ideias: romantismo, sensualidade, rebeldia ou conservadorismo. Está tudo ali. A onda verde que conquistou o mundo da moda fez repensar o jeito de fazer roupa, o comprometimento das grifes com o meio ambiente encheu de peças sustentáveis - e cheias de bossa! - as araras de diversas lojas do país.

Também conhecida como ecofashion, a moda sustentável visa a confecção de vestimentas, objetos de decoração e utilitários que utilizem matérias-primas ecologicamente corretas, respeitem as leis trabalhistas, levem em consideração o impacto da produção no meio ambiente e garantam a cooperação entre produtor e comunidade local. No Brasil, a questão da sustentabilidade vem se tornando essencial para várias marcas nacionais.

São materiais reaproveitados, oriundos de garrafas pet, de sobras de tecido, de lonas de caminhão, de pneus, embalagens. Também existe a moda que fazemos em casa reciclando, ou melhor, customizando nossas peças dando ar pessoal e estiloso ao que vestimos.

Tente colocar em prática sua criatividade e recicle suas peças, objetos que iriam para o lixo. Como? Por exemplo, as fitas que vêm em embalagens de presente: corte, costure, cole paetês, pinte e quem sabe não resulta num belo adereço para o cabelo? Faça fuxicos de retalhos e confeccione uma linda colcha. E mais:

  • Cabides podem ser encapados com amarrações de tiras de tecidos de roupas antigas, ficando mais bonitos e antiderrapantes;

  • Ecobags, bolsas de diversos tamanhos, nécessaires e porta documentos podem ser feitos com os tecidos das roupas que não poderão ser doadas;

  • Um pedaço de uma peça de roupa pode ser colocado em uma moldura transformando-se em um belo quadro ou painel de recados;

  • Um abajur pode ficar novinho se tiver sua cúpula reformada com o tecido de uma ou várias roupas antigas;

  • Diversas peças de roupa velhas que não podem ser doadas podem ser cortadas em retalhos, que, unidos, formarão um patchwork, a ser usado como colcha, manta para sofá, jogo americano ou tapete.

Você lança moda e tem um guarda roupa exclusivo e uma casa decorada sem gastar muito. Em época de crise não podemos perder a beleza e muito menos deixar de contribuir para um mundo mais sustentável.

 

 

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