Unidade de Proteção Comunitária é arrombada em São Geraldo

Contêiner está desativado desde o início do ano, mas estrutura continua abandonada no bairro
quarta-feira, 20 de julho de 2016
por Alerrandre Barros
Foto de capa
(Foto: Henrique Pinheiro/Arquivo A VOZ DA SERRA)

A porta de uma Unidade de Proteção Comunitária (UPC) foi arrombada, no último fim de semana, no bairro São Geraldo. Segundo moradores, a princípio, nada foi levado do local porque o contêiner laranja, instalado na Rua Doutor Feliciano Benedito da Costa, estaria vazio, assim como os outros 19 que foram desativados, no início deste ano, em Nova Friburgo, depois que o governo do estado desistiu do projeto por causa da crise financeira. 

“A porta foi quebrada e agora tememos que pessoas com más intenções usem o contêiner para o consumo de drogas. O governo precisa retirar a UPC do bairro antes que ela comece a ser usada também como abrigo por moradores de rua”, reclama uma moradora que entrou em contato com A VOZ DA SERRA pelo WhatsApp (22) 99274-8789. Ela pediu para não se identificar. 

As UPCs foram instaladas, há três anos, em áreas de risco de Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e Bom Jardim — principais cidades afetadas pela tragédia climática de 2011 na Região Serrana. Os 42 contêineres tinham um banheiro, um dormitório e uma sala de atendimento equipada com computadores e telefones interligados ao Centro Estadual de Administração de Desastres (Cestad) da Defesa Civil. 

As unidades faziam parte de um projeto de prevenção a desastres naturais. O espaço deveria funcionar 24 horas por dia durante o período de chuvas mais intensas. Caberia ao município a administração das atividades, enquanto o estado era responsável pela infraestrutura e pelo pagamento dos 170 agentes de proteção comunitária contratados temporariamente para orientar e estimular os moradores das áreas de risco a organizar a segurança das comunidades contra as consequências das chuvas fortes.

Conforme A VOZ DA SERRA noticiou em fevereiro, a devolução dos contêineres vai gerar uma economia de R$ 1,3 milhão por ano aos cofres do governo do estado, que atravessa forte crise devido à queda na arrecadação. As UPCs eram alugadas e cada uma custava R$ 2.664,65 por mês, em todos os municípios. “Esses valores contemplam as manutenções preventivas e corretivas, não havendo ônus ao estado, inclusive na relocação dos módulos, mobilização e desmobilização, quando necessário”, justificou a Secretaria estadual de Defesa Civil na ocasião.

Com o desmonte das UPCs, os agentes comunitários contratados temporariamente em Nova Friburgo começaram a ser demitidos em junho. Outros continuam prestando serviços ao município, como durante a epidemia de dengue, em março. Hoje, eles trabalham em parceria com agentes comunitários de saúde até que o prazo termine e os seus contratos de trabalho sejam rescindidos pelo estado. 

Em nota, a Secretaria estadual de Defesa Civil informou que o projeto das UPCs será “remodelado” e que não tem responsabilidade sobre os contêineres. “A empresa prestadora do serviço é a responsável pela retirada das UPCs. O contrato já foi encerrado e a empresa devidamente informada”, disse em nota. A VOZ DA SERRA tentou falar com a BRGS Brasil, responsável pelos equipamentos, mas não conseguiu contato.

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