Uma história contada em pedais

Ciclistas de todo o estado vão sair de Friburgo rumo a Além Paraíba-MG passando pela linha férrea que cortava as duas regiões
quarta-feira, 03 de julho de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Um túnel duramte o percurso (Reprodução da web)
Um túnel duramte o percurso (Reprodução da web)

No dia 14 de julho, um grupo de 150 ciclistas de vários lugares do estado vão sair de Friburgo com destino a Além Paraíba em uma maratona cujo objetivo não é completar o percurso em menor tempo e sim explorar toda a beleza da antiga linha férrea que ligava os dois estados.

Com a excursão já fechada, Marcos Zaniboni, um dos organizadores do evento, conta os dias para a largada da segunda edição. Serão cerca de 100km de trajeto, com previsão de até nove horas de pedaladas. Toda estrutura já está montada. Os participantes vão contar com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia, até o início de Conselheiro Paulino onde começa o ramal Sumidouro, que liga o Estado de Minas ao Rio de Janeiro, através de Friburgo.

Ponto de partida da empreitada, a cidade bicentenária está estrategicamente posicionada. A largada será no Centro de Turismo, e receberá atletas de Teresópolis, Petrópolis, Niterói, Rio de Janeiro, Cabo Frio, Rio das Ostras, entre outros locais.

“Vai ser uma Maratona inusitada. As normais começam e terminam no mesmo ponto. Essa vai ser diferente. Como nós queremos resgatar a história e mostrar a importância do trem na vida de Friburgo, vai ser uma história contada em pedais de bicicleta”, conta animado, Marcos Zaniboni.

O resgate da história, segundo o ciclista vai passar por locais nostálgicos como túneis e pontes usados no transporte de pessoas e do café.

“Nós escolhemos esse ramal porque é o único que tem vestígios da antiga linha férrea. Ela tem um aparato nostálgico. Temos três túneis em Mariana, outro no Carmo e uma ponte entrelaçada chamada de Ponte Preta sobre o Rio Paraíba do Sul, que divide os dois estados (Rio e Minas). A primeira estação desse ramal era em Conselheiro e a primeira em Minas era a de Mello Barreto. Como a de Conselheiro não existe mais, vamos largar do Centro de Turismo, a de Mello Barreto também não existe mais, então vamos parar na seguinte que é a estação de Fernando Lobo, que na época chamava Pântano, em Além Paraíba”.

Trem Vassoura

Talvez existam poucos a conhecer essa história, mas na época em que o trem percorria os bairros de Friburgo, os mais “saidinhos” não podiam depender de táxi ou Uber para voltar pra casa.

Apelidado de Vassouras, o último trem do dia era o responsável por conduzir, principalmente, àqueles que levavam uma vida boêmia.

“O trem que passava por Conselheiro era apelidado de Vassouras porque era o último trem do dia e saía tarde da noite Por conta do regime militar, não era considerado decente que moças e rapazes ficassem até tarde na rua. E esse trem passava “varrendo” todos que ficavam até tarde da noite. Tem uma história curiosa. Uma força expedicionária foi lutar contra os rebeldes em Minas e acabou derrotada. Os homens que participaram dessa luta voltaram para casa através do Ramal Sumidouro. Tem uma foto em um restaurante aqui de Friburgo que mostra a chegada desses homens à cidade” contou.

Maratona dos Cafés

De acordo com Marcos, a maratona receberá o nome de Maratona dos Cafés como forma de homenagear o período áureo em que a região era reconhecida por ser a maior produtora e exportadora de café do Brasil. Por conta disso, a necessidade de escoar a produção resultou na construção da linha férrea. “Os trens que passavam por aqui eram trens mistos. Levavam passageiros e mercadorias. Isso ajudou na relação comercial entre Minas e Rio de Janeiro. Um dos pioneiros na produção de café era o Barão Dom Clemente Pinto, de Nova Friburgo. Ele tinha 17 fazendas de café. Somando os outros produtores, Friburgo tinha cerca de cinco milhões de mudas de café, um dos maiores produtores do país, de acordo com historiadores. Antes do trem, o percurso durava 14 dias, após a chegada do trem o trajeto era feito em seis horas. Essa malha ferroviária foi a quarta a ser construída no Brasil. É uma linha de 1834. Ela era usada por muitos enfermos com tuberculose. A recuperação era sempre recomendada quando feita em cidades serranas, por conta do clima”, lembrou Marcos.

 

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