Trecho urbano da RJ-116 tem mais acidentes do que toda a rodovia

Radiografia do trânsito do Corpo de Bombeiros mostra que a Avenida Governador Roberto Silveira é a 3ª mais perigosa de todo o estado
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
O trânsito de veículos e pedestres na Roberto Silveira (Fotos: Henrique Pinheiro)
O trânsito de veículos e pedestres na Roberto Silveira (Fotos: Henrique Pinheiro)

A publicação “Vidas em Trânsito”, divulgada terça-feira, 23, pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), aponta a Avenida Governador Roberto Silveira, trecho urbano da RJ-116 em Nova Friburgo, como o terceiro local com maior número de atendimentos de acidentes de trânsito pela corporação militar em toda a Região Serrana. O relatório, que faz uma radiografia dos eventos de trânsito envolvendo vítimas socorridas pela corporação em 2017, mostra que na Avenida Roberto Silveira o número de ocorrências é maior que nos 140 quilômetros sob concessão da rodovia, entre Itaboraí e Macuco. Não é por acaso que a Avenida Roberto Silveira é conhecida em Friburgo como a “Avenida da Morte”.

O raio-x tem como base os atendimentos pré-hospitalares realizados no território fluminense envolvendo veículos terrestres. Segundo o Corpo de Bombeiros, a partir dos dados registrados pelas unidades operacionais da corporação, foi possível desenvolver uma análise epidemiológica e geográfica dos acidentes, traçando o perfil das ocorrências e das vítimas de cada região. O objetivo da publicação é fornecer informações que venham a colaborar com as iniciativas de prevenção de acidentes de trânsito no estado.

O levantamento mostra que em 2017 o Corpo de Bombeiros respondeu a 38.176 eventos de trânsito no Estado do Rio de Janeiro, o que corresponde ao socorro de mais de 51 mil vítimas. A avaliação é de que a corporação tenha atendido uma média de 141 pessoas por dia.

Sobre o perfil das vítimas, os homens, na faixa etária entre 20 e 29 anos, são as maiores vítimas, sendo ainda os principais envolvidos em casos de maior complexidade e gravidade. De acordo com a avaliação do Corpo de Bombeiros, três de cada quatro socorridos pelo Corpo de Bombeiros eram do sexo masculino. Ainda de acordo com a corporação, apesar da predominância masculina adulta, de forma geral, o relatório chama a atenção para a prevalência de acidentes envolvendo bicicletas, entre as crianças, e os atropelamentos, entre os idosos.

“Embora as motos só representem 16,7% da frota do estado, elas foram responsáveis por quase a metade dos socorros a vítimas registrados em 2017. Os eventos de colisão envolveram 24.516 pessoas, a maioria deles (66,3%) contra anteparos ou outros veículos. Quedas representaram 33,7% dos casos. Já os automóveis, que correspondem a 68,2% da frota, foram registrados como meio de transporte de menos de 1/3 dos atendidos”, explica o secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros,  coronel Roberto Robadey Jr.

O “Vidas em Trânsito” também traz dados por regiões: capital; Baixada Fluminense; Região Metropolitana; Baixadas Litorâneas; regiões Norte-Noroeste, Serrana, Sul e Costa Verde. No caso da Região Serrana, da qual Nova Friburgo faz parte junto com outras 19 cidades, no ano passado foram atendidas 3.246 vítimas.

“Avenida da Morte”

A publicação traz ainda os 25 logradouros de cada uma das áreas do estado que responderam pelo maior número de acidentes. Nesse ranking, a Avenida Governador Roberto Silveira ocupa a terceira posição, com 98 ocorrências. A RJ-116 está em sétimo lugar, com 36 atendimentos.

No trecho urbano da rodovia, que corta o distrito de Conselheiro Paulino e já chegou a ser apelidada de “Avenida da Morte”, das 98 ocorrências: 80 foram colisões; cinco quedas de motocicletas; 12 atropelamentos; e um capotamento. A avenida não teve, em 2017, registro de acidentes de bicicleta atendidos pelo Corpo de Bombeiros.

Nova Friburgo também aparece na 14ª posição, com a Avenida Conselheiro Julius Arp, onde forma registradas 26 ocorrências (17 colisões; cinco quedas de moto; três atropelamentos; e uma queda de bicicleta), e nas 24ª e 25ª posições, com a Rua Júlio Antônio Thurler, em Olaria (19 acidentes) e a RJ-142 - Estrada Serramar (19 acidentes).

A quinta maior região em números de ocorrências

Das 51.520 vítimas atendidas pelo Corpo de Bombeiros em 2017 no estado do Rio de Janeiro em função de eventos de trânsito, 43% foram socorridas na capital. Na distribuição regional, a Região Serrana responde por 6,3% do percentual de vítimas. No ranking essa é a 5ª área com maior número de atendimentos, ficando atrás da capital (43%); Baixada Fluminense (13,2%); Região Metropolitana (12,5%); Baixadas Litorâneas (9,5%); Região Norte-Noroeste (8%). E acima da Região Sul (3,8%) e da Costa Verde (3,7%).

A análise da correlação entre as vítimas socorridas com a população do estado do Rio de Janeiro em 2017 representa uma taxa de 308 vítimas atendidas para cada 100 mil habitantes. Na Região Serrana, pelo cálculo da corporação, com uma população total estimada em 1.045.595 (população somada das 20 cidades) e o número de vítimas socorridas de 3.246, estima-se que a proporção seja de 310 vítimas para cada 100 mil habitantes.

Motocicletas lideram os casos de acidentes

No estado, a avaliação das ocorrências pelo meio de locomoção das vítimas aponta as motocicletas como principal causa dos atendimentos (47,7%), seguidas dos automóveis (28,9%), dos atropelamentos (11,7%) e das bicicletas (6,9%). Apenas 2,8% das pessoas socorridas estavam em ônibus, 1,2% em caminhões e 1% em vans. Na Região Serrana, a análise mostra o mesmo resultado: motocicletas (48,7%); carros (33,2%); atropelamentos (10,3%); bicicletas (4,7%); ônibus (1,8%); caminhão (1,1%); e van (0,3%).

Uso de cinto e capacete são avaliados

O uso de dispositivos de segurança também é contabilizado no relatório. Entre as vítimas de acidentes de carro na Região Serrana 44,8% usavam cinto de segurança. Nos acidentes de moto, 73,3% das vítimas usavam capacete.

Região se destaca em casos de embriaguez no volante

O álcool é definido como um agravante nos casos de acidentes. Segundo o levantamento, em 14,6% dos atendimentos a vítimas de trânsito no estado houve a percepção e o registro do indício de uso de bebida alcoólica. Entre as mulheres, esse percentual foi de 9,8%, e entre os homens 18,2%.

Na região, o percentual de indício do consumo de bebida alcoólica pelas vítimas foi de 17,8%, o segundo mais alto, ficando atrás somente da Região Norte-Noroeste (17,9%). “Uma análise regional do indício do uso de álcool estratificada por meio de locomoção da vítima mostra diferenciais importantes. O maior percentual de ocupantes de automóveis e caminhões com sinais de consumo de álcool foi encontrado na Região Serrana: automóvel 22,6% e caminhão: 8,3%”, aponta o relatório.

Nove vítimas fatais para cada 100 mil habitantes

Na Região Serrana com 3.246 vítimas atendidas, a análise do percentual e taxas de óbitos na cena de socorro dentre as vítimas atendidas pelo Corpo de Bombeiros em 2017 aponta 95 óbitos em cena, o que corresponde a 2,9% das vítimas por região e 7,7% no total levantado no estado.

Esse número representa a proporção de nove vítimas fatais para cada 100 mil habitantes. Segundo o Corpo de Bombeiros, avaliando os meios de locomoção, a Região serrana apresentou o maior percentual de mortes no local dentre as vítimas fatais em caminhões.

Na região, a distribuição de óbitos constatados na cena por meio de locomoção: motocicletas (39,8%); carros (30,1%); atropelamentos (13,6%); bicicletas (4,9%); ônibus (1,9%); caminhão (9,7%). Não há registro de óbitos em 2017 em acidentes envolvendo vans.

Cidades que compõem a Região Serrana

Região Serrana: Petrópolis, Nova Friburgo, Teresópolis, Três Rios, Cachoeiras de Macacu, Paraíba do Sul, Bom Jardim, Cordeiro, São José do Vale do Rio Preto, Cantagalo, Carmo, Sapucaia, Sumidouro, Areal, Duas Barras, Trajano de Moraes, Santa Maria Madalena, São Sebastião do Alto, Comendador Levy Gasparian e Macuco.

 

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