Tradicional Festa Junina do Anchieta abre o calendário dos arraiás

Para ficar na história: alunos do 3º ano do ensino médio prometem inovar na Quadrilha e querem se despedir da escola em grande estilo
sábado, 01 de junho de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)

A tradicional Festa Junina do Colégio Anchieta abre neste sábado, 1º, a temporada dos eventos juninos. O arraiá vai durar o dia inteiro e não irão faltar as muitas delícias desta época como broa de milho, pipoca, milho verde, cachorro quente, pé de moleque, paçoca, além de brincadeiras como pescaria, tiro ao alvo, piscina de bolinhas, entre outras inúmeras atrações.

A trilha sonora da festa será ao som de uma banda de forró que também vai participar das quadrilhas. Debutando como organizador de uma das festas mais emblemáticas da cidade, o diretor administrativo financeiro do Colégio Anchieta, Paulo Fuchs, apostou no planejamento com antecedência para que o evento seja um sucesso.

“A festa é bem conhecida e popular na cidade, começamos a prepará-la há cerca de 40 dias para que as pessoas que vão participar do evento, seja nas barraquinhas de comida e bebida, brincadeiras, no ginásio, pudessem se organizar sem atropelos. Será um dia inteiro de divertimento, e esperamos que quem vier se divirta muito”, disse  Fuchs.

Antigamente, antes do colégio passar por uma reforma estrutural, principalmente no pátio externo e ginásio esportivo, a festa era realizada no famoso “campão de futebol” do colégio ou em outro campo, na parte externa, anexo ao prédio amarelo. Por conta do grande espaço, todas as atrações eram realizadas em um único local.

Nos últimos anos a festa foi ganhando ainda mais corpo e forma e agora ocupa vários lugares do espaço de lazer dos alunos. “A festa vai acontecer em diferentes espaços do colégio, vamos utilizar toda a área externa, bem como os ginásios. Serão distribuídas várias cadeiras para que as pessoas fiquem bem acomodadas e aproveitem bem o dia”, explicou o diretor administrativo.

Funcionários também são envolvidos

Como é de praxe, alunos e funcionários vão atuar nas barraquinhas. Para participar da festa, o público terá que adquirir um convite por R$ 3, mas a cobrança é para um gesto nobre. “Nós temos pouco mais de mil alunos, e grande parte deles estarão envolvidos com a festa, seja dançando, ajudando na organização ou na venda das delícias e refrigerantes nas barraquinhas. Os ingressos já estão sendo vendidos aqui no colégio e também na hora do evento. Todo dinheiro arrecadado, seja com ingressos, seja com a venda nas barracas, iremos doar para a creche São José. Será uma festa com sentido filantrópico”, contou Fuchs.

Arraiá do Terceirão

A última dança de todo arraiá é sempre especial. Aliás, tudo no último ano do colégio tem um significado diferente. E em se tratando de festa junina, o evento é um dos pontos altos do ano letivo. Os formandos do Colégio Anchieta este ano querem entrar para história.

Para isso, planejam uma dança um pouco diferente da tradicional quadrilha junina que estamos acostumados. A começar pela música. A equipe de A VOZ DA SERRA acompanhou um ensaio dos alunos e o que vimos foi uma coreografia que promete mesmo ficar marcada na história do colégio.

A frente da organização, Eugênia Munir dos Santos, é uma das alunas idealizadoras desse evento que, na opinião dela, terá a cara da turma. “Normalmente todo 3º ano do ensino médio apresenta uma dança diferente, mais moderna e resolvemos manter essa tradição com uma pegada ainda mais atual e não é o que todos estão acostumados. Teremos uma quadrilha com música eletrônica que é um estilo que agrada a maioria dos jovens. Vamos pular muito, mostrar toda a nossa união porque é assim que queremos ser lembrados”, disse a estudante.

Minha última festa junina

Já são quase 14 anos. Foi no dia 11 de junho de 2005, um sábado, que o Colégio Anchieta realizou sua festa junina e, no caso, a minha última, pela instituição, como aluno.  Teve um sabor especial, um tom de despedida, um caráter saudosista. E assim como a turma de 2019, nós também queríamos fazer algo marcante, diferente e que ficasse na memória de quem fosse nos prestigiar.

E assim foi. Começamos a planejar “secretamente” toda a história. Para começar, por livre espontânea pressão eu fui escolhido o noivo do tradicional casamento. Era um misto de zoação com um papel que “me caia bem”, pelo que estavam planejando.

Em 2005 a novela do momento era América, e os personagens em destaque Tião Higino, José Higino, Geninho, Dinho e Boi Bandido, serviram-nos de inspiração para montarmos uma quadrilha diferente. Foram apenas três ensaios, muita confusão e 100% incerteza.

No dia da festa, conseguimos reunir quase todos que iriam dançar na Praça do Suspiro para um último momento de confraternização antes da dança. Foi quando nos ocorreu a ideia de uma entrada triunfal, a qual jamais tinha sido realizada em mais de 100 anos de Anchieta. Nos dividimos em grupos de quatro pessoas e cada grupo entrou em uma charrete que ficava rodando com os turistas ali na praça.

E assim fomos, de charrete, andamos pela Rua General Osório, entramos pela contramão no Anchieta, fomos até onde era realizada a festa junina (um campão a céu aberto mais acima). Quando entramos, fomos saudados pela multidão que nos aguardava, surpresos com a ousadia. Demos uma volta completa no campo, tal qual os grandes gladiadores faziam no Coliseu.

Achamos que seríamos repreendidos pela ideia, mas encontramos professores e coordenadores rindo e aplaudindo junto à massa. Só ali aquele momento já havia sido eternizado, mas faltava o gran finale.

Confesso que estava nervoso. O casamento era de mentira, mas mesmo assim... Grande responsabilidade. Antes do casório, cada aluno encarnou nos personagens da novela e tentou montar no Boi Bandido (protagonizado por também um aluno). Era um rodeio sem vencedor. Impossível montar no Boi Bandido, interpretado belamente por Marcello Daflon.

Na hora do casamento, eu fiz confusão, era para aceitar a união, mas eu disse “não”, a partir daí, foi tudo improviso. O padre entrou na brincadeira, acabou roubando a noiva e formamos a grande roda. Despedida digna de um grupo que focou 100% na brincadeira de forma respeitosa e para sempre será lembrado.”

 

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