Terreno em Dona Mariana pode abrigar protetora com 157 animais

Valéria Lima lança campanha na web para custear primeiros meses de aluguel, até se aposentar
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
por Adriana Oliveira (aoliveira@avozdaserra.com.br)

O drama da protetora de animais Valéria Lima, de 63 anos, que está sendo despejada do sítio no Amparo onde vive com 99 cães e 58 gatos, está longe de ser resolvido, mas, com um pouquinho mais de sorte e alguma ajuda, pode estar mais perto de um final feliz. Um terreno em Dona Mariana pode ser o novo endereço dela e seus 157 animais, pelo aluguel de R$ 600 mensais. Para custear os primeiros meses no novo endereço, até que consiga desembaraçar sua aposentadoria, Valéria lançou uma campanha de crowdfunding na web, a chamada "vaquinha online" (CONTRIBUA CLICANDO AQUI).

O terreno, segundo ela, é grande, tem uma casa pequena (foto), de quarto e sala, e uma área plana, com uma pocilga onde caberiam três porcos (foto). No lugar da pocilga, a ideia é construir um canil. A casa, segundo ela, é mobiliada com móveis velhos, mas ela diz que não precisa de nada para si mesma. “Apenas uma geladeira usada seria bom, já que não tenho nenhuma. Todas escangalharam”, conta a ex-auxiliar de enfermagem da rede estadual de saúde. Valéria levará apenas um fogão.

O futuro endereço, numa subida íngreme, fica a dois quilômetros do ponto de ônibus mais próximo e não tem vizinhos por perto. O isolamento, no entanto, não entristece Valéria, que, pelo contrário, contenta-se com a expectativa de paz de tranquilidade e com o fato de haver “bastante água” no terreno. “Morar com as minhas crianças (como se refere aos bichos) no meio do mato para mim está ótimo", diz ela.

O dono do terreno quer R$ 600 de aluguel ou vende a propriedade por R$ 160 mil. O contrato, se for mesmo assinado esta semana, será de cinco a dez anos, com preferência de compra para a futura inquilina. O contato com ele foi feito por intermédio de uma amiga, também protetora, Cristina Paxeco, de quem o proprietário, morador da Fazenda da Laje, é vizinho. “Ele foi um dos poucos que aceitaram que levassem cães para seu terreno”, disse Cristina.

A história de Valéria foi contada no Caderno Z de A VOZ DA SERRA do último fim de semana de agosto (RELEMBRE CLICANDO AQUI).

Como mostrou a reportagem, com vídeo, Valéria está sendo despejada do sítio onde mora de favor há sete anos, desde que perdeu a casa, no Córrego D’Antas, na tragédia de 2011. Na casa levada pela enxurrada, junto com os canis que tinha acabado de construir, morreram 26 cães. Os seis sobreviventes mudaram-se com ela para o sítio, um canil abandonado no fim de uma estrada de terra íngreme e esburacada, numa localidade chamada Morro das Contas, entre o Alto do Catete e o Parque das Flores, no Amparo. A proprietária do sítio pediu o imóvel alegando que está sendo vendido.

Hoje Valéria vive sem alternativas. Animais sem dono amanhecem amarrados no velho portão de madeira. Ninhadas inteiras são deixadas junto ao poste de luz em frente ao sítio. O mais novo inquilino, um agitado cão de caça sem coleira, foi entregue por uma vizinha, preso apenas a uma corda improvisada com vários nós, justamente enquanto Valéria dava entrevista à equipe de reportagem.

Sozinha com seus 157 animais, Valéria vive da caridade dos poucos que a ajudam: o ex-marido, que formou nova família, e alguns voluntários que lutam pela causa animal na cidade e lhe repassam ração e vacinas arrecadadas entre amigos. Ex-auxiliar de enfermagem e ex-instrumentadora cirúrgica, ela ainda não conseguiu se aposentar por entraves burocráticos. Tudo o que recebe é para seus bichos, que precisam de 45 quilos de ração todos os meses.

Os cães e gatos são todos bem cuidados e saudáveis, castrados graças ao empenho pessoal de grupos de voluntários. Mas, como são muitos, não podem ficar soltos. Os mais briguentos  ficam em canis separados (foto). Os mais sociáveis vivem numa área comum, também cercada. “Prefiro vê-los presos, porém vivos, do que livres e mortos”, diz Valéria. Dentro da velha casa, com plástico cobrindo o telhado para remediar as goteiras, dividem o teto com ela os mais idosos e os filhotes. Os filhotes são únicos a participarem de feiras de adoção: “Ninguém adota animais adultos”, explica.

Na entrada do sítio, à direita, uma trincheira de sacos de ração chama atenção: estão repletos de fezes dos animais, recolhidas várias vezes por dia por ela mesma, já que os canis estão com os ralos entupidos e não há como escoar a sujeira. A coleta de lixo é praticamente inexistente, e os sacos vão se acumulando a céu aberto (foto), enquanto o caminhão da prefeitura não passa. O cenário, é claro, fica bem pior sob o calor impiedoso do verão.

Além da campanha na web, quem puder e quiser ajudar Valéria pode deixar ração ou qualquer outro tipo de contribuição  com os responsáveis pela banca de jornais em frente ao antigo Fórum, na Praça Getúlio Vargas. Eles também arrecadam doações para Valéria e outras protetoras de animais de Nova Friburgo.

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