Somos o que comemos. Então... como estamos?

Em busca de uma alimentação mais saudável, produção e consumo de produtos orgânicos cresce a dia
sábado, 27 de abril de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Jovelina Fonseca, do Sítio Cultivar, cuidando da sua produção de orgânicos (Fotos: Henrique Pinheiro)
Jovelina Fonseca, do Sítio Cultivar, cuidando da sua produção de orgânicos (Fotos: Henrique Pinheiro)

“Uma das maiores potências agrícolas do planeta, o Brasil também se destaca por ser um dos grandes consumidores de agrotóxicos, substâncias químicas ou biológicas que conferem proteção às lavouras contra o ataque e a proliferação de pragas, como insetos, fungos, bactérias, vírus, ácaros, nematoides (parasitas que atacam as raízes das plantas) e ervas daninhas. A venda desses produtos no país movimenta em torno de US$ 10 bilhões por ano, o que representa 20% do mercado global, estimado em US$ 50 bilhões. Em 2017, os agricultores brasileiros usaram 540 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos, cerca de 50% a mais do que em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis --  Ibama.” (Revista Pesquisa Fapesp). Por tudo já exposto nesta edição, vamos continuar falando disso aqui, nesta entrevista com Jovelina Fonseca.

Desde que você começou a cultivar alimentos livres de agrotóxicos e resíduos químicos, no início dos anos 1990, o que mudou na sua produção?

Todos estes anos na realidade foram de grande aprendizado. Foi um processo de evolução na técnica, no relacionamento humano, na adaptação ao meio ambiente. Tivemos altos e baixos, mas não chegaram a ser melhor ou pior.

A cada ano ouvimos mais sobre alimentação saudável. A sua clientela vem aumentando na mesma proporção?

Sim. A sociedade como um todo anda assustada com as informações sobre o volume de agrotóxicos nos alimentos. Como consequência, ocorreu um aumento de consumidores que são sempre generosos. Trocamos informações tanto nas redes sociais como na feira da qual participo.

As pesquisas têm avançado na produção de fertilizantes orgânicos? Hoje há mais alternativas para trabalhar?

Sem sombra de dúvidas nestes quase 30 anos o crescimento da conscientização do consumidor foi proporcional ao crescimento de oferta de insumos adequados à produção orgânica. Atualmente, temos muitas facilidades inclusive no nosso mercado local. Os lojistas de insumos agrícolas da região têm nos ajudado bastante. Desde substrato para produção de mudas, sementes, composto, controle biológico...

Qual o órgão, em Friburgo, habilitado a receber denúncia sobre fraude ou dúvidas em relação à origem de produtos rotulados como orgânicos?

Bem, o caminho deveria ser o Procon, mas não sei se no momento estão preparados para esta tarefa. Mesmo assim, se o produto está rotulado como orgânico, e continuando a leitura do rótulo pode buscar o telefone de contato do produtor ou ver quem é a certificadora. Mas, sejamos francos, tudo pode estar certinho e o produto ter sido fraudado. Então, precisamos ser um consumidor pró-ativo. Que tal agendar uma visita à produção, por exemplo? Conhecer mais de perto a pessoa que está produzindo seu alimento é bastante gratificante para o produtor e acredito será para o consumidor, também.

Qual deve ser o papel do consumidor na defesa da qualidade do que ingere?  

O papel do consumidor no processo de certificação de produtos orgânicos é fundamental. Mesmo com todo o sistema criado pelo MAPA, lidamos com seres humanos, passíveis de distorções no caráter e na conduta. O consumidor não precisa conhecer a íntegra da legislação, mas pode ser mais observador e até disponibilizar um tempinho para conhecer de perto COMO e QUEM produz seu alimento bem como a área da produção.

De uma maneira mais técnica, digamos, como podemos saber se um produto está contaminado?

Através de exame em laboratório especializado há possibilidade de identificação de contaminação. É caro e raro encontrar um especialista. Então temos que arregaçar as mangas e interagir mais de perto com o nosso produtor.

Como é a sua relação com a sua clientela?  

Acredito que seja de confiança. Tenho na memória algumas abordagens de consumidores agradecendo por nos preocuparmos com a saúde deles, e isto ocorreu em várias oportunidades. Este reconhecimento pelo nosso trabalho é gratificante. Fica a sensação do dever cumprido.

 

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