Risco de deslizamento iminente interdita 15 casas no Maria Teresa

Por determinação da prefeitura, moradores são obrigados a deixar imóveis e receberão aluguel social
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)

Uma pedra com risco de deslizamento tem preocupado os moradores do Parque Maria Teresa, no distrito de Riograndina. As chuvas dos últimos meses deixaram exposta a base de uma rocha que fica bem acima de dezenas de casas e, de acordo com a Prefeitura de Nova Friburgo, apresenta risco iminente de queda.

Como medida de proteção, na noite da última terça-feira, 19, equipes das secretarias municipais de Defesa Civil, Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável, Assistência Social e Obras, além da Procuradoria Geral do município se reuniram com moradores do Parque Maria Teresa e anunciaram oficialmente a interdição de 15 imóveis, na Rua Zuleica Ramos de Valença. Os moradores já assinaram o termo da Defesa Civil e foram orientados a sair imediatamente de suas casas.

Morador do bairro há muitos anos, Vitorino Medeiros (foto)  foi quem alertou às autoridades sobre o risco. A casa dele fica exatamente em cima da encosta onde a pedra ameaça rolar a qualquer momento. De acordo com o morador, esse problema não é novo: já tem, pelo menos, oito anos.

“Desde a tragédia das chuvas de 2011 parte do barranco caiu, mas a área não foi considerada de risco porque nas vistorias realizadas a pedra na encosta não estava aparente. Com as chuvas dos últimos anos, a base da pedra foi sendo descoberta e hoje temos a constatação desse perigo aqui no bairro”, revelou o morador, temeroso com a possibilidade de uma tragédia.

Ainda segundo Vitorino, a primeira medida foi ele próprio quem tomou, para impedir que a situação se agravasse. “Eu coloquei os primeiros plásticos no morro (foto) para que a água da chuva não infiltrasse na terra e deixasse a pedra ainda mais exposta. Depois os moradores também me ajudaram a comprar mais material para continuar a proteção”, contou.  

O morador que compartilhou o seu desespero nas redes sociais, logo ganhou apoio de demais moradores do Parque Maria Teresa e chamou atenção das autoridades que, desde dezembro do ano passado, vêm monitorando a área. “Eu instalei algumas câmeras ali e estou sempre vigiando. Quando vi que o problema se agravou eu logo fiz os vídeos que chamaram atenção das redes sociais e os vizinhos fizeram uma movimentação ainda maior. A Defesa Civil já esteve aqui em algumas ocasiões e agora tomou medidas para preservar a vida das pessoas como a interdição das casas”.

Aluguel social de R$ 700

A Secretária Municipal de Assistência Social, Emmanuele Marques, informou que cada morador que seja proprietário de imóvel interditado, irá receber um aluguel social de R$ 700, ou seja, acima do que é pago pelo governo do estado.

O prazo de concessão do aluguel social será de 12 meses, podendo ser prorrogado por mais 12 meses, caso os imóveis no Parque Maria Teresa não estejam em perfeita segurança quanto ao risco de rolagem de pedras. Para isso, a Prefeitura de Nova Friburgo vai tentar junto ao governo do estado e à União, maneiras de viabilizar uma obra no local. Já quem mora de aluguel numa das casas apontadas pela Defesa Civil, deve procurar outro imóvel para alugar em local seguro.

A prefeitura colocou suas equipes à disposição para agilizar os processos junto aos moradores, no que se refere ao aluguel de novas casas, já que a ordem é de saída imediata do local. Por isso, quem apresentar uma nova habitação, terá sua inclusão imediata no aluguel social. Caso os moradores não consigam encontrar um imóvel rapidamente, a recomendação é que deixem imediatamente as casas e procurem moradias de parentes e amigos.

A Prefeitura de Nova Friburgo, por meio da Defesa Civil Municipal já vem monitorando a área e, na semana passada, solicitou uma inspeção do Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM), que ampliou a área de interdição, por medida de segurança. Anteriormente, dez casas seriam interditadas. Mas, após o laudo do órgão estadual, a Defesa Civil  decidiu expandir a área de interdição.

 

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