Resgate de cachorro na Fazenda da Laje termina com final feliz

Animal ficou oito dias perdido no alto de uma montanha
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)

O resgate de um cachorro no alto de uma montanha na Fazenda da Laje, distrito de Conselheiro Paulino terminou com um final feliz e de grande repercussão. O sucesso da ação só foi possível após centenas de pessoas atuarem em uma rede de informações nas redes sociais e no Whatsapp, para auxiliar nas buscas pelo animal.

Durante o último fim de semana os moradores da localidade ouviram latidos intensos no alto do morro e logo começou a mobilização. De acordo com os relatos, o cachorro estava preso no local há mais de uma semana. Rapidamente a informação chegou até o Corpo de Bombeiros, que realizou buscas no local, mas não teve sucesso. A cada momento a chance de retirar o animal com vida caíam. Foi aí que três homens resolveram subir a montanha para efetuar o resgate. Os personagens principais da ação narram a história em detalhes:

Luciana Silva (protetora dos animais)

“Eu faço parte de muitos grupos de proteção animal e em um deles, uma amiga mandou as informações de que havia um cachorro latindo há uns oito dias no alto de um morro na Fazenda da Laje. Eu acionei os grupos, entramos em contato com os bombeiros para que eles pudessem fazer as buscas. O Corpo de Bombeiros foi até o local, não conseguiu localizar o animal e encerrou as buscas. Todos os administradores dos grupos se envolveram nessa ajuda e movimentaram as redes em busca de informações e pessoas dispostas a fazer o resgate. Um deles foi o Wanderson, que já tem experiência e se prontificou a ir lá, mas que não poderia ir sozinho, então nos organizamos para conseguir outras pessoas.”

Wanderson Huguenin

“Eu e o Serginho fomos pelo lado onde o acesso era mais difícil. Custamos a subir. Chegou em um ponto em que pensamos em desistir porque a mata estava bem fechada. Foi quando ouvimos o latido do cachorro e aí seguimos em frente, mesmo com as dificuldades. Quando chegamos lá em cima vimos o Rosalvo já dando uma assistência ao cachorro. Ele estava exausto e muito magro.”

Rosalvo Tavares

“Eu estava em Teresópolis, sem sinal de telefone. Quando cheguei em casa, recebi as mensagens e ainda no domingo parti para o local e fiz um levantamento para saber se era verdade. Na segunda-feira eu saí de casa às 5h e levei equipamentos de montanhismo para fazer o resgate. Quando fui chegando perto, comecei a assoviar e o cachorro respondeu com latidos. Depois de um tempo eu o avistei e confesso que chorei. Foi muito bom participar desse resgate. Por volta de meio dia eu achei o cachorro. Ele deve ter subido atrás de um bicho, na volta não conseguiu descer. Enquanto eu estava tranquilizando o cachorro, dando água e comida, chegaram o Wanderson e o Serginho.”

Paulo Sérgio Gonçalves

“Foi uma sensação maravilhosa. Você não imagina o prazer de chegar lá e encontrar aquela cena. Eu fico todo arrepiado. Muita gente quer ter animal, mas não sabe cuidar, não sabe o gasto que tem. O cachorro é o melhor amigo do homem. O Rosalvo despejou um pouco de água na minha mão e o cachorro bebeu ali mesmo. Aquilo me deu um aperto no coração. Eu não conseguia botar a cabeça no travesseiro e saber que o bicho estava há oito dias sem comida e água, latindo desesperado. Na hora de descer, eu trouxe o cachorro no colo, porque não tinha como amarrá-lo e ele estava muito fraco. O trajeto todo da volta, ele veio comigo no colo. Faria tudo de novo. Quem precisar de mim, só entrar em contato. Estamos pronto para servir.”

Uma união de esforços

Mesmo quem não pode ir até o local teve participação importante no resgate. Luciana enfatizou a ajuda das pessoas que se esforçaram para que tudo terminasse bem. “Como eu não tenho conhecimento e experiência para subir montanha, mas queria muito ter ido lá em cima, ajudei da forma que pude. Usei a minha energia para criar essa força tarefa. Muita gente que não pode fazer o resgate, mas ajudou compartilhando ou avisando outras pessoas.  Nesse caso tivemos pessoas que indiretamente ajudaram no resgate, como eu e pessoas que ajudaram diretamente. As pessoas que compartilharam a ajuda nos grupos de Whatsapp e Facebook ajudaram muito. Vamos continuar essa atitude de compartilhar as notícias de forma responsável, checar as informações. Quem compartilha também faz parte da força tarefa”, observou Luciana.

O cachorro apesar de magro, agora encontra-se protegido. Apelidado de Bruto por um de seus salvadores, o animal já tem onde ficar. “Foi amor à primeira vista. Da forma como o resgate aconteceu, eu resolvi adotá-lo. Eu quero muito ficar com ele, se o dono não aparecer. Dei o nome de Bruto, porque para ir onde ele foi, tem que ser muito bruto”, explicou Rosalvo.

 

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