Remédio amargo

quinta-feira, 07 de junho de 2018
por Jornal A Voz da Serra

NÃO DÁ PARA tapar o sol com a peneira. A crise institucional e os indicadores econômicos apontam que os brasileiros estão desafiados a enfrentar uma crise prolongada, representada pela recessão, pelo desemprego alto e pelo drama da população decorrente da deterioração dos serviços básicos.

OS INDICADORES expõem uma realidade da qual ninguém, do setor público aos cidadãos, passando por todas as atividades produtivas, estará imune. Instabilidades políticas revelam o ápice de uma crise que o governo subestimou. Isto contribuiu para o agravamento de um cenário de paralisia de investimentos e de desconfiança generalizada com os atos do Executivo. 

A CRISE NÃO é apenas no governo federal. Hoje defrontamo-nos com o que não pode mais ser negado. A palavra “austeridade” deixa de ser um jargão depreciado pelos próprios governantes para se transformar em necessidade real, a começar pelos municípios brasileiros.

A GRANDE MAIORIA dos municípios tem deficiências graves de gestão, e o retrato das dificuldades é o mesmo enfrentado pelos estados. Mas a crise apenas revela que as insuficiências vinham sendo encobertas por um longo período de prosperidade. União, estados, municípios, instituições e também as famílias brasileiras são desafiados a adequar projetos e custos mais elementares do orçamento cotidiano a um ambiente de incertezas.

PELAS EXPERIÊNCIAS anteriores já se sabe que todos provarão o remédio amargo da crise e receberão lições da recessão. É preciso doravante aprender a conviver com os tempos difíceis sem resignação, torcendo para que o país saia da crise melhor do que entrou. 
 

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