Quantos “duzentos anos” Nova Friburgo tem?

Não se constrói o futuro sem as bases e a experiência do passado*, lembra Girlan Guilland
quarta-feira, 16 de maio de 2018
por Girlan Guilland (especial para A VOZ DA SERRA)
Quantos “duzentos anos” Nova Friburgo tem?

 Uma pergunta se impõe: “Exatamente o que comemoramos neste dia 16 de maio?” Embora de resposta simples, a questão merece toda atenção.O bicentenário de fundação (16 de maio de 1818) de Nova Friburgo tem uma dimensão muito além de festas e folguedos. Celebrar é preciso, mas existem muitas possibilidades, além da festa. Precisamos pensar e pró-ativar a esse respeito. Feito histórico dos mais expressivos, conectado a fatos e acontecimentos da historiografia mundial, desde as guerras napoleônicas ou ainda o vulcão de Tambora (1), a criação da hoje cidade serrana do Estado do Rio tem implicações culturais, históricas, turísticas e de potencial econômico, que devem ocupar nossos atuais dias.

Sobretudo aos jovens, é preciso esclarecer: neste ano bicentenário de 2018, comemoramos a assinatura, pelo rei português Dom João VI, do ato autorizando a vinda das famílias suíças à região do Sertão Leste do Macacu. O decreto que criou Nova Friburgo, antes mesmo da vila existir, é a verdadeira certidão de nascimento, antecedendo a própria concepção: a partir daí o agente diplomático Sébastien-Nicolas Gachet cuidava da viagem e a coroa portuguesa providenciava casas e a própria vila para receber os novos moradores. Lá se vão 200 anos que o rei estabeleceu condições à pioneira imigração helvética no país.

Motivo de polêmica durante um século e meio - exatamente até 1968, quando comissão especial definiu 16 de maio como data oficial - o 3 de janeiro de 1820 não pode ser esquecido na comemoração dos dois séculos de criação da Freguesia de São João Batista da Vila de Nova Friburgo, nome do santo padroeiro homônimo escolhido pelo próprio rei. Era a chamada emancipação político-administrativa, desmembrando-se as terras da Fazenda do Morro Queimado dos domínios da Sesmaria de Cantagalo.

Antes disso, porém, ano que vem (2019), a própria Suíça, seu consulado e a embaixada, preparam-se para celebrar os dois séculos da partida dos suíços de Estavayer-le-Lac, naquele domingo, 4 de julho de 1819. Lá se vão quase 200 anos que os imigrantes se lançaram ao mar, na monumental epopéia em busca da nova terra prometida: 2006 pessoas, 400 das quais morreram ao longo do percurso.

Mas a pergunta do título do artigo não se encerra. Dentro de seis anos (3 de maio de 2024), outro bicentenário: a chegada dos pioneiros imigrantes alemães luteranos ao Brasil em Nova Friburgo, projeto então executado pelo Imperador D. Pedro II. São detalhes de enredo envolvendo diversos povos, ao longo de duas centenas de anos, na compreensão de que a história de Nova Friburgo e toda a região da qual faz parte, no interior fluminense, é especialmente diferente no contexto brasileiro.

Uma história que transcende aos limites de um tempo, na contagem de apenas um ano, o de 2018 e seus 200 anos que se encerram em 31 de dezembro. Muito mais e além, portanto, transborda dos nossos dias, alcançando as futuras gerações que testemunharão e viverão os ‘2Séculos’, que ora estão apenas começando.

 

(*)‘Teia Serrana’ (2003, Professor João Raymundo de Araujo.

(**)‘História, Contos e Lendas da Velha N. F. (1999) Raphael L. de Siqueira Jaccoud

  1. De Napoleão a Dom João / eclosão do vulcão de Tâmbora, na ilha de Sumbawa, Indonésia (1815)

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