Projeto socioambiental reaproveita resíduos de confecções

Artesanato sustentável é fonte de trabalho e renda
sábado, 11 de maio de 2019
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)
Projeto socioambiental reaproveita resíduos de confecções

O artesanato sustentável como fonte de trabalho e renda é o caminho que os artesãos Gerardo Barreto e Márcia Contreiras, do atelier TramandoArte, pretendem trilhar. Localizado no Km 9 da RJ-142 (Estrada Mury-Lumiar), em Nova Friburgo, este é um dos objetivos dos sócios para auxiliar famílias do município em situação de vulnerabilidade social.

O projeto “Reciclagem  Resíduos Têxteis” tem como objetivo a correta destinação e reaproveitamento dos materiais descartados mensalmente pela fabricação local de roupas, lingeries e artigos de moda praia e fitness.

O TramandoArte nasceu em São Pedro da Serra, em 1995, com a produção de artigos de cama, mesa, vestuário e decoração com técnicas de tecelagem manual. Desde o início, os responsáveis já buscavam contribuir com a formação de novos tecelões. O atelier chegou a mudar de endereço para Paraty por um tempo, mas, em 2010, Márcia e Gerardo resolveram se restabelecer em Nova Friburgo e usar a visibilidade adquirida com peças exportadas para todo o Brasil e também para o exterior em projetos de formação desenvolvidos na cidade.

Radicados aqui desde 2010, os tecelões/artesãos se tornaram parceiros do Instituto Pindorama de Permacultura e do Sesc Nova Friburgo, onde dão cursos de tecelagem e realizam oficinas. Em 2014, eles deram o pontapé inicial do projeto de reciclagem de resíduos têxteis. Segundo o levantamento feito por eles, o que motivou o trabalho foi a informação da grande quantidade de resíduos descartados como lixo por mais de mil confecções locais.

Atualmente, o projeto está em fase de atrair investidores e parceiros. Além das empresas do polo de moda íntima, o TramandoArte busca a participação do poder público municipal, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, para a criação e montagem de um centro de redução, reciclagem, reaproveitamento, através da tecelagem manual, dos resíduos produzidos mensalmente e também de uma cooperativa ou destinação de um local de venda, para assegurar a sustentabilidade financeira do projeto e das pessoas envolvidas.

E ainda o recolhimento e destinação desses materiais na confecção de novos produtos artesanais, para diminuir o impacto ambiental decorrente do descarte como lixo,  propondo ensinar as famílias em situação de vulnerabilidade social, um novo ofício.

“Nosso projeto socioambiental objetiva criar núcleos nos distritos, onde promovemos cursos e oficinas, possibilitando a formação das pessoas que necessitam de uma alternativa de renda aprenderem uma profissão. Mas a ideia vai além da formação. Temos também como propósito o desenvolvimento de um comércio sustentável, que absorva a produção dessas famílias”, explica Márcia.

Os coordenadores esperam que as empresas colaborem com doação de insumos, de resíduos descartados ou, por vezes, encaminhados para a fabricação de estopa, e também auxílio para aquisição de teares, que seriam destinados aos cursos nos distritos e, posteriormente, usados na produção pelas pessoas capacitadas, em cooperativas.

“Nós já trabalhamos com esses resíduos. Atualmente estamos confeccionando peças e acessórios com reaproveitamento de juta e fitas. Recebemos também doações de jeans. Buscamos confecções que trabalhem com material de interesse da tecelagem manual, como algodão, alguns produtos sintéticos usados na fabricação de tapetes, por exemplo. São muitos os produtos que podem ser reaproveitados”, revela Gerardo.

“A ideia é replicar o projeto que já temos no atelier para outras áreas da cidade. Nossa estimativa é que seriam necessários entre seis a dez teares para cada distrito, cada qual custando em média R$ 500. Com o apoio para esse investimento inicial, nossa ideia é auxiliar famílias vulneráveis, social e economicamente, e contar com um  ponto de vendas destes materiais na cidade”, detalha o tecelão.

Interessados no projeto podem entrar em contato com os coordenadores pelos telefones (22) 99803-7847 e (22) 99613-5968 ou pelo email tramandoarte@gmail.com.

 

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