Projeto “Mala do seu Lobato” terá diversas atrações em Cordeiro

Atividades serão promovidas no coreto da cidade esta semana
sábado, 20 de abril de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Os personagens do Sítio do Picapau Amarelo, obra-prima de Monteiro Lobato
Os personagens do Sítio do Picapau Amarelo, obra-prima de Monteiro Lobato

O coreto situado no centro de Cordeiro receberá, na próxima quinta-feira, 25, a partir das 10h, as atrações do Projeto Literário “Mala do seu Lobato”, promovido pela secretaria municipal de Cultura. Toda a programação é gratuita: contação de história com o Tio Zica e Hachel Lelengath, espetáculo circense com o palhaço Chico (Cássio Campos), Feira de Livros, além da participação de escolas e entidades.

“Tenho o prazer de convidar nossa população porque sei que serão momentos inesquecíveis, com o que há de melhor na arte literária. É bom aguçar em crianças e jovens o prazer pela literatura, melhor ainda tendo como referência o mestre Monteiro Lobato, um baluarte das histórias infantis”, ressaltou o secretário Zica Medeiros.

Contista, ensaísta e tradutor, este grande nome da literatura brasileira nasceu na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, em 18 de abril 1882. Formado em Direito, atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô. Nesta nova fase de vida, Lobato começou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, e, posteriormente, reuniu uma série deles em Urupês, considerado sua obra prima.

Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se editor, passando a publicar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros didáticos e infantis.

O nome Monteiro Lobato faz parte do universo infantil. Dedicado a um estilo de linguagem simples onde realidade e fantasia estão lado a lado, pode-se dizer que ele foi o precursor da literatura infantil no Brasil. Suas personagens mais conhecidas são:

Emília, uma boneca de pano com sentimento e ideias independentes; Pedrinho, personagem que o autor se identifica quando criança; Visconde de Sabugosa, a sábia espiga de milho que tem atitudes de adulto; Cuca, vilã que aterroriza a todos do sítio; Saci Pererê e outras personagens que fazem parte da inesquecível obra “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”, que até hoje encanta crianças e adultos.

Escreveu ainda outras incríveis obras infantis, como: “A Menina do Nariz Arrebitado”, “O Saci”, “Fábulas do Marquês de Rabicó”, “Aventuras do Príncipe”, “Noivado de Narizinho”, “O Pó de Pirlimpimpim”, “Reinações de Narizinho”, “As Caçadas de Pedrinho”, “Emília no País da Gramática”, “Memórias da Emília”, “O Poço do Visconde”, “O Pica-Pau Amarelo” e “A Chave do Tamanho”.

Fora os livros infantis, Lobato escreveu obras de variados gêneros literários, como: “Urupês”, ‘O Choque das Raças ou O Presidente Negro”, “A Barca de Gleyre” e “O Escândalo do Petróleo”. Neste último livro, fica evidente o seu nacionalismo, posicionando-se totalmente favorável à exploração do petróleo apenas por empresas brasileiras.

José Bento Renato Monteiro Lobato faleceu na capital paulista, aos 66 anos, em 4 de julho de 1948. Além da extensa e rica obra, deixou como legado importante contribuição para o desenvolvimento de nossa literatura.

Não por acaso a data de seu nascimento - 18 de abril - foi escolhida como o Dia Nacional do Livro Infantil, uma justa homenagem ao homem que, ao longo de sua carreira literária, escreveu 26 títulos destinados ao público infantil em uma época em que as crianças não eram vistas como potenciais leitores. Foi considerado um dos mais importantes escritores da literatura infanto-juvenil da América Latina, atraindo, até hoje, milhares de leitores, que estabelecem com sua obra interessante vínculo afetivo por conta de personagens célebres e recorrentes em sua obra, como a boneca Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, entre outros moradores do famoso Sítio do Picapau Amarelo.

Trajetória de um menino irrequieto

Desde menino, Monteiro Lobato mostrava seu temperamento irrequieto. Com 13 anos foi estudar em São Paulo. Registrado na certidão de nascimento como José Renato Monteiro Lobato, resolveu mudar de nome, pois queria usar a bengala de seu pai, que havia falecido em 1898. A bengala tinha as iniciais J B M L gravadas no topo do castão. Assim, passou a se chamar José Bento, para que suas iniciais ficassem iguais às do pai.

Em 1904 formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté onde conheceu Maria Pureza Natividade, com quem se casou um ano depois de ser nomeado promotor público na cidade de Areias, em 1907.

Nessa época pintava e escrevia artigos para os jornais do Rio, Santos e São Paulo. Mais tarde, escreveu “Cidades Mortas”, livro que retrata a agonia da cidade quase abandonada. Permaneceu em Areias até 1911, quando morreu seu avô, o Visconde de Tremembé, deixando-lhe de herança uma fazenda em Taubaté, para onde se mudou.

Em 1917, vendeu a fazenda e mudou-se para Caçapava. Na época, dedicou-se definitivamente à literatura e fundou a revista Paraíba, fechada em seguida. De volta a São Paulo, colaborou com a Revista do Brasil, transformando-a em um núcleo de defesa da cultura nacional. Fundou a gráfica Monteiro Lobato, encerrada em 1924. Três anos depois fundou a Editora Brasiliense, em sociedade com amigos. Nesse mesmo ano foi nomeado adido comercial do Brasil em Nova York, no governo de Washington Luís.

Em 1946 vai morar na Argentina, onde cria nova editora, a Editorial Acteón. Mais uma vez, de volta a São Paulo, em 1947, ali faleceu em 1948.

Características literárias

Como escritor, Monteiro Lobato situa-se entre os autores regionalistas do pré-modernismo e destaca-se nos gêneros conto e fábula. Geralmente, o universo retratado pelo escritor são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Paraíba, no momento da crise do plantio do café.

Monteiro Lobato foi um contador de histórias, preso a certos modelos realistas. Dono de um estilo cuidadoso, não perdeu a oportunidade de criticar certos hábitos brasileiros, como a cópia de modelos estrangeiros, nossa sobrevivência ao capitalismo internacional, entre outros.

Sua ação, além do círculo literário, como intelectual polêmico, se estende também ao plano da luta política e social. Moralista e doutrinador, aspirava o progresso material e mental do povo brasileiro. Com a publicação de “O Escândalo do Petróleo” (1936) denuncia o jogo de interesses motivados pela extração do petróleo. Com isso, critica o envolvimento internacional das autoridades brasileiras.

Em 1941, já durante a ditadura de Vargas, foi condenado a seis meses de detenção, acusado de ataques ao governo. Apesar de sua abertura ideológica, do ponto de vista artístico mostrou-se conservador quando começaram a surgir as primeiras manifestações modernistas em São Paulo.

Ficou famoso o seu polêmico artigo intitulado “Paranoia ou Mistificação?”, publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 1917. Nele, Lobato criticou a exposição da pintora expressionista Anita Malfatti, considerando seu trabalho resultado de uma deformação mental.

Obras mais destacadas

  • Urupês, 1918

  • O Saci, 1921

  • Narizinho Arrebitado,1921

  • Fábulas, 1922

  • O Marquês de Rabicó, 1922

  • As Aventuras de Hans Staden, 1927

  • Peter Pan,1930

  • Reinações de Narizinho,1931

  • Caçadas de Pedrinho, 1933

  • Emília no País da Gramática, 1934

  • Geografia de Dona Benta, 1935

  • Dom Quixote das Crianças, 1936

  • Histórias de Tia Nastácia, 1937

  • O Poço do Visconde, 1937

  • O Picapau Amarelo, 1939

Personagens do Sítio do Picapau Amarelo

Os personagens de Monteiro Lobato ficaram conhecidos por várias gerações de crianças de diversos países. Chegaram à televisão brasileira na década de 1960 com o seriado “O Sítio do Picapau Amarelo”. O autor aproveita para transmitir às crianças os valores morais, conhecimentos sobre nosso país, nossas tradições.

Personagens mais conhecidos:

  • Narizinho é a menina de nariz arrebitado, cujo nome é Lúcia. Neta de Dona Benta, ela tem uma boneca chamada Emília, com quem adora conversar.

  • Pedrinho é primo de Narizinho, também neto de Dona Benta. O menino de dez anos vive na cidade e nas férias vai sempre para o sítio.

  • Emília é uma boneca de pano que fala. De personalidade forte, é a melhor amiga da sua dona, a Narizinho.

  • Dona Benta é a dona do Sítio do Picapau Amarelo. Adora crianças e tem prazer em lhes contar histórias.

  • Tia Anastácia é a empregada do sítio e cozinha muito bem. Também gosta de contar histórias e fazer biscoitos de polvilho. Foi ela quem costurou Emília.

  • Visconde de Sabugosa é um sabugo de milho. Estudioso, é culto e sabe muitas coisas do mundo. Mas, é também bastante atrapalhado. Está sempre na biblioteca ou no laboratório, que fica no porão da casa do sítio. Foi ele quem inventou o pó de pirlimpimpim.

  • Cuca é uma bruxa má com aparência de jacaré que vive amedrontando as pessoas. É um conhecido personagem do nosso folclore, e sobre ela há muitas histórias.

Lenda da Cuca

A Cuca é uma figura folclórica, tida como uma bruxa velha com aparência assustadora: cabeça de jacaré e unhas imensas. Dona de uma voz cavernosa, tem fama de raptar crianças desobedientes. Reza a lenda que a bruxa Cuca dorme uma vez a cada sete anos.

Por isso, os pais tentam convencer as crianças a dormirem nas horas corretas pois, do contrário, serão levadas pela Cuca. Acredita-se que essa lenda tenha origem no folclore galego-português baseada na criatura "Coca", que significa "crânio, cabeça". A "Coca" é um fantasma ou um dragão comedor de crianças desobedientes que fica à espreita nos telhados das casas, e as rapta depois de fazerem alguma malcriação.

A Cuca do Sítio - A figura da Cuca, no Brasil, está associada à descrição feita por Lobato na obra “Sítio do Pica Pau Amarelo”, que a TV Globo adaptou, transformando-a num bem sucedido seriado. Nessa versão televisiva, a Cuca é um jacaré com cabelos amarelos, que vive numa caverna, onde faz poções mágicas. Interessante notar que nesse contexto, ela colabora com o Saci-Pererê, um dos personagens mais emblemáticos do folclore brasileiro.

Jeca Tatu, outra história

Com esse personagem de seu livro “Urupês” - um tipo caipira acomodado e miserável, Lobato critica a face de um Brasil agrário, atrasado, cheio de vícios e vermes. Com barba por fazer, Jeca Tatu é um homem pobre, sem ânimo e aparentemente preguiçoso. Ele vive com sua mulher, dois filhos, e perambula sempre acompanhado pelo seu cão.

Um dia, descobrem que Jeca Tatu tinha amarelão, uma doença que o deixava sempre desanimado e lhe tirava a vontade de trabalhar, de fazer qualquer coisa. Após tratamento, se livra da doença e se transforma em outra pessoa. Daí em diante, Jeca Tatu prospera na vida e se torna um grande fazendeiro.

 

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