Profissão nova no mercado: celebrante de casamento

Friburguense Thalita Alves é formada pela única escola especializada do Brasil
sábado, 08 de junho de 2019
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Thalita Alves celebra um casamento (Arquivo pessoal)
Thalita Alves celebra um casamento (Arquivo pessoal)

Cerimônia de casamento: rito milenar tradicionalmente realizado nas mais diversas culturas, com o objetivo de unir duas pessoas que se amam. Dizem que uma cerimônia de casamento perfeita é aquela que considera quatro grandes questões: a história de amor do casal, a família, suas convicções religiosas e o efeito civil. Para realizar o sonho de tantos apaixonados, vem ganhando destaque a figura do celebrante de casamento, que pode ser exercida por homens e mulheres. Ele(a) conduz a cerimônia de modo a tornar significativo e inesquecível esse momento na vida de um casal.

Para saber mais sobre essa atividade e esse tipo de cerimônia, entrevistamos uma celebrante profissional, a friburguense Thalita Alves, formada pela única Escola de Celebrantes do Brasil (HV7-SP). Confira:

AVS: Como e por que você escolheu essa profissão?

Thalita: Quando me casei (2016), tive muita dificuldade em encontrar um profissional celebrante para realizar meu casamento, que não tivesse cunho religioso, pois nós desejávamos uma celebração que contasse a nossa história. Quem acabou realizando nosso casamento foi uma amiga muito querida da família e, diga-se de passagem, o fez com maestria. Sou formada em publicidade, mas já naquela época eu estava insatisfeita com a profissão. Então, no meu casamento percebi uma oportunidade de trabalhar com algo que realmente me completasse. Pesquisei o assunto, me informei, aprendi e me formei na Escola de Celebrantes do Brasil. Hoje me sinto feliz e realizada com minha nova atividade.

Essa celebração é reconhecida por lei, tem uma legislação específica, digamos, registro em cartório?

Eu me formei celebrante de casamentos com efeito civil. Só um juiz de paz ou pessoa vinculada a uma instituição religiosa, como padre, pastor, ou formada por uma escola que tem formação religiosa pode fazer esse tipo de casamento. Estou habilitada a realizar casamento com efeito civil. Mas, na maioria dos casamentos que tenho feito, até agora, os noivos têm dispensado essa  formalidade.

Por quê?

Porque hoje em dia está muito mais fácil dar entrada nos proclamas - documentação no cartório -, e depois só voltar para assinar a certidão de casamento que é impressa na hora. Ou, se os noivos quiserem casar de “papel passado”, como se costuma dizer, junto com a cerimônia, eles têm que dar entrada nos papéis, pegar o termo de casamento, levar no dia da celebração para eu assinar o termo do casamento (não a certidão que só pode ser assinada pelo juiz de paz). Depois levam esse termo ao cartório onde receberão a certidão. Por isso fica mais fácil fazer essa parte, separada, no cartório.

Como está a demanda por esse tipo de celebração em Friburgo?

Tem sido uma grata surpresa o interesse dos casais, uma vez que muito além da divergência religiosa que pode ocorrer entre as famílias, há também a questão de que muitos desejam casar em fazendas, sítios, na praia, e acima de tudo, a busca por uma celebração que conte suas histórias de amor.

Que tipo de casal a procura?

Os casais que mais buscam meu trabalho são aqueles que desejam contar sua história, de forma personalizada, sem se prender à tradições ou formatos antigos. Aqueles casais que muitas vezes têm divergência religiosa entre as famílias, ou até mesmo aqueles que têm suas religiões, mas mesmo assim priorizam falar de como se conheceram, como foi chegar até aquele momento. Partilhar com as pessoas que amam, sua história de amor, neste dia especial, é mais importante.

E quanto a uniões homoafetivas?

O surgimento dessa profissão de celebrante também se deve a esses grupos que encontram ainda grande resistência para realização de casamentos homoafetivos. O importante é celebrar uma união, as variadas formas de amor. Por isso crio cerimônias exclusivas e personalizada para cada casal, não há um formato pré-determinado. Meu trabalho começa no meu primeiro contato com os noivos. Faremos algumas reuniões para que eu possa me inteirar da história deles e a partir dessa convivência criar a cerimônia perfeita para o casal. Gosto de conversar com os dois juntos e separadamente, também. Acredito que quanto mais pessoal uma cerimônia é, mais inesquecível ela será para o casal e para seus convidados. Lembrando todo tipo de amor, vou celebrar um casamento homoafetivo em agosto.

 

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