Por que não Cidade das Flores?

​Segunda maior produtora do país, Nova Friburgo é responsável pelo plantio de mais de 4,5 milhões de flores por ano
sábado, 18 de março de 2017
por Dayane Emrich
Foto de capa
(Foto: Henrique Pinheiro)

Suíça Brasileira, Capital da Moda Íntima, cidade da Pedra do Cão Sentado, das trilhas e cachoeiras; conhecida pelo clima ameno durante o verão e as baixas temperaturas no inverno. Assim é Nova Friburgo. E por que não incluir também, neste vasto currículo, o título de segunda maior produtora de flores do Brasil? A informação é do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor).

Nova Friburgo concentra metade da área de produção de flores da Região Serrana, a maior produtora do estado, com 500 floricultores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cidade é também responsável por mais da metade do plantio de flores: dos 9 milhões de maços colhidos por ano na região, 4,5 milhões têm como origem o solo friburguense.

Localizada a cerca de 10 quilômetros do centro da cidade, a pacata e simpática localidade de Vargem Alta, no distrito de São Pedro da Serra, é responsável por grande parte do cultivo. Lá, há plantações a perder de vista. São rosas, hortênsias, monsenhores, astromélias, crisântemos, gérberas, ásteres, flores do campo, entre outras. Juntas, elas formam corredores coloridos, espalham perfume pelo ar e encantam os olhos de quem as observa.

De geração para geração

“Sou agricultor desde que me conheço por gente”, diz Maurício Barroso, de 38 anos, um dos 220 floricultores de Nova Friburgo. “Faço o plantio de cinco espécies: gérbera, astromélia, crisântemo, rosa e aster, em uma área de 2 mil metros quadrados. Segui os caminhos dos meus pais e, apesar de todas as dificuldades, gosto do que faço”, afirma ele, explicando que a maior parte de sua produção é vendida no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (Cadeg), também conhecido como mercado de flores.

A família Heckert também tem destaque no cultivo de flores e é a prova de que a união faz a força. Carlos Alexandre, de 36 anos, conta que ele, três irmãos e o pai trabalham como sócios e, junto a outros 15 funcionários, produzem cerca de 10 mil dúzias de rosas por ano, seguido de 6 mil amarrados de flor do campo, além de espécies como chuva-de-prata, tango e palma. “Parte da nossa produção é distribuída na Região dos Lagos e aqui mesmo na cidade, mas 80% vendemos no Cadeg, onde vamos cinco dias por semana (de terça-feira a sábado)”, disse ele.

A jovem Talita Pacheco, de 12 anos, pretende seguir os passos dos pais. Ela estuda no Colégio Municipal Ceffa Flores de Nova Friburgo, em Vargem Alta, onde há atividades voltadas para aprendizado na área de agricultura e plantação. Quando questionada sobre o futuro, Talita não titubeou ao afirmar que quer trabalhar com o cultivo de flores. “Quando não estou na escola ajudo os meus pais com a plantação. Acho muito bonito e importante para manter a tradição da minha família e também daqui da nossa região”, afirmou ela.

Cooperativas e associações

O diretor do ensino fundamental e médio do Ceffa Flores, professor Guilherme Moraes da Silveira, destaca o potencial da cidade no setor. “Mesmo com a falta de infraestrutura, principalmente na área de comunicação — já que não há telefonia, móvel ou fixa, e nem internet em Vargem Alta — e as dificuldades com o transporte, o nosso município é considerado um dos maiores produtores do país. Imagina se houvesse investimentos? Aqui temos flor o ano inteiro; por que não explorar o turismo nesta região? Friburgo poderia ser chamada de Cidades das Flores”, exclamou ele.

Também em Vargem Alta está situada a Afloralta (Associação dos Agricultores Familiares e Amigos da Comunidade de Vargem Alta). A instituição promove reuniões mensais, onde são fornecidas palestras, orientações e informações que visam aumentar a capacitação e competitividade dos produtores. O vice-presidente da instituição, Amauri Hernani Verly, de 50 anos, falou sobre a necessidade de criação de uma cooperativa. “Somos o segundo maior produtor do país. Se nos uníssemos em uma cooperativa, sem competir uns com os outros, e buscássemos melhorias para a nossa região, além de incentivos para o cultivo das flores, poderíamos ir ainda mais longe e, quem sabe, chegar ao primeiro lugar do ranking, ocupado por Holambra (SP)”.

Circuito das Flores

Para aqueles que desejarem conhecer de perto a beleza das flores e de Vargem Alta, a visita é muito bem-vinda. Conhecido como circuito das flores, o passeio tem como objetivo, além de proporcionar uma experiência diferenciada aos friburguenses e turistas, ampliar a divulgação sobre o cultivo de flores e alavancar ainda mais a produção local.

As visitas às estufas são guiadas e, geralmente, são realizadas aos sábados. Durante o circuito, os turistas conhecem o processo de produção e ainda podem comprar rosas, gérberas, lírios, astromélias e crisântemos, por exemplo. Os interessados podem percorrer o circuito em transporte particular ou optar pelo deslocamento oferecido pelo tour. Contato através do telefone (22) 2523-5005 com Guilherme.

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