Planetário de Nova Friburgo relembra os 50 anos da ida do homem à Lua

Exposição especial relembra o feito de Apollo 11 e dos astronautas americanos
sábado, 20 de julho de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)

Há exatamente meio século, em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong, falecido em 2012, foi o primeiro homem a pisar na Lua. Edwin Aldrin, hoje com 89 anos, conhecido também como Buzz Aldrin, foi o segundo homem a pisar na Lua. Integrava ainda a famosa missão Apollo 11, o astronauta Michael Collins, hoje com 88 anos, que não desembarcou em solo lunar. Depois deles, outros dez homens pisaram no satélite natural da Terra, todos homens norte-americanos em missões Apollo.

O projeto Apollo teve a duração de 11 anos e consumiu mais de US$ 20 bilhões. Estima-se que 300 mil funcionários e 20 mil empresas se envolveram no programa, que foi dividido em 17 missões. O foguete usado na missão foi o Saturno V, lançado no dia 16 de julho de 1969 do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida. A chegada à Lua ocorreu quatro dias depois e o primeiro passo em sua superfície foi realizado em 20 de julho de 1969. Até hoje é considerado o foguete mais alto, mais pesado e mais potente. Tinha 110 metros de altura e pesava quase três toneladas. A missão Apollo 11 foi transmitida em imagens em preto e branco, ao vivo, pela TV. Estima-se que 600 milhões de pessoas acompanharam o feito.

“A conta para levar o homem à lua foi astronômica e, com o tempo, os próprios cidadãos americanos foram perdendo o interesse por isso. Não demorou muito para o congresso americano reduzir drasticamente o aporte financeiro à Nasa. Apollo 17, em dezembro de 1972, foi a última missão. De lá pra cá só robôs, de diversas nações, chegaram à superfície da lua”, disse Reinaldo Ivanicska, professor de astronomia e diretor do Planetário de Nova Friburgo.

A disputa EUA x União Soviética

Hoje, a missão Apollo 11 é relembrada como um marco histórico na corrida espacial, a versão pacífica da disputa armamentista e tecnológica conduzida pelos Estados Unidos e pela União Soviética durante boa parte da segunda metade do século 20. O objetivo era cumprir o desafio lançado em 1961 pelo presidente John F. Kennedy: enviar um homem à Lua e trazê-lo de volta à Terra antes do fim da década.

Entretanto, o cosmonauta soviético Iuri Gagarin tornou-se a primeira pessoa no espaço em 12 de abril de 1961, além do primeiro a orbitar a Terra. Foi um duro golpe contra o orgulho dos Estados Unidos.

Kennedy acreditava que era do interesse nacional dos Estados Unidos serem superiores a outras nações. Dessa forma era intolerável que a União Soviética fosse mais avançada no campo da exploração espacial. Mas apesar dessa “guerra” política desencadeada com a corrida espacial, os benefícios da chegada do homem à Lua estão presentes no nosso dia a dia.

“O que a sociedade ganhou com a ida do homem à lua? Há vários materiais que foram desenvolvidos e depois aproveitados no nosso dia a dia, como o teflon, computadores que se tornaram cada vez menores e mais rápidos, equipamentos médicos, como tomógrafos e ressonância magnética, são derivados das pesquisas científicas que levaram o homem à lua. Materiais aeroespaciais que compõem hoje a maioria dos aviões e muito mais. Mas acho que o principal ganho para a humanidade foi descobrir que éramos capazes de fazer isso. Tirar pessoas da terra e leva-las à lua. Porque se somos capazes de fazer isso, podemos fazer qualquer coisa”, afirmou Ivanicska.

O sucesso do Apollo 11

Em 20 de julho de 1969, o primeiro passo do homem na Lua  ficou marcado por uma frase dita por Neil Armstrong, que entrou para a história: É um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”.

Neil Armstrong e Edwin Buzz Aldrin fizeram experiências, coletaram amostras de pedras e tiraram fotografias da superfície lunar. Os dois astronautas também hastearam uma bandeira norte-americana e deixaram na Lua uma placa com a seguinte inscrição: “Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade”.

Agora, os Estados Unidos querem fincar a bandeira ainda mais longe: em Marte, em 2035. O caminho está sendo preparado com o projeto de voltar à Lua em 2024, desta vez, desembarcando a primeira mulher em solo lunar.

A VOZ DA SERRA também noticiou a chegada do homem à Lua

Em sua edição de 26 e 27 de julho de 1969, A VOZ DA SERRA, até então com 24 anos de existência, noticiou o feito dos americanos com destaque de capa. A publicação fazia um paralelo entre a invenção do avião, pelo brasileiro Santos Dumont (considerado o Pai da Aviação), em 20 de julho de 1906, e a primeira ida do homem à Lua, em 20 de julho de 1969. “Uma história de 63 anos que uniu a humanidade. Vibramos juntos. Rezamos juntos” (manchete de A VOZ DA SERRA em 26 e 27 de julho de 1969).

Exposição no Planetário de Nova Friburgo relembra o feito

Localizado na Via Expressa, no bairro Olaria, o Planetário de Nova Friburgo preparou uma exposição especial para relembrar o feito de Apollo 11 e dos astronautas americanos. “A exposição destaca essencialmente as pessoas que conseguiram esse feito, no caso o Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. Esse cinquentenário é uma comemoração mundial. Aqui nós apresentamos aos visitantes banners contendo fotos da época, relatos dos jornais estrangeiros e daqui do Brasil, depoimentos de pessoas que estavam na época acompanhando essa façanha, músicas que tocavam no fim da década de 60, início da década de 70, além da exibição de uma série de vídeos e filmes a respeito desse grande feito”, revela Reinaldo Ivanicska, diretor do Planetário friburguense.

A exposição conta ainda com diversas réplicas dos vários modelos de naves e foguetes projetados pela Nasa e pela União Soviética durante a corrida espacial, uma réplica do macacão utilizado pelos astronautas durante a missão, uma réplica do módulo lunar, cápsula que levou Armstrong e Aldrin ao solo lunar, além de um simulador de pouso na Lua, um dos atrativos mais procurados pelos visitantes. Tudo para exaltar o feito e espantar qualquer tipo de teoria da conspiração.

“O problema das teorias da conspiração é que elas geralmente partem de quem não é especialista e não tem conhecimento da área. Daí a necessidade de espaços como o Planetário. Aqui nós contamos a história da forma correta, passo a passo, como o ser humano construiu máquinas que tornaram isso possível. Tenho impressão que a partir do momento que a história é contada de forma correta, as pessoas começam a repensar essas teorias”, acredita Ivanicska (foto).

A exposição sobre os 50 anos da chegada do homem à Lua fica em cartaz no Planetário de Nova Friburgo até o fim de setembro. O espaço funciona às segundas, terças e quintas-feiras, de manhã e à tarde. Agendamentos para visitação podem ser feitos através do telefone (ou wathsapp): (22) 99213-5790.

 

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