Planetário de Friburgo: uma viagem ao espaço, sem sair da Terra

Situado na Via Expressa e pouco conhecido pelos friburguenses, local é referência no interior do estado, apesar de sofrer com a falta de atenção do poder público
quinta-feira, 19 de abril de 2018
por Karine Knust (karine@avozdaserra.com.br)

    “O que será isso?” Atire a primeira pedra quem nunca passou pela Via Expressa e, ao avistar um pequeno prédio com teto oval, não fez essa pergunta. Inaugurado em 2002, o Planetário de Nova Friburgo -- sim, aquele local abriga um planetário -- vem resistindo bravamente.

    Segundo o responsável pela unidade, o professor de matemática, física, ciências e astronomia, Reinaldo Ivanicska (foto), foram inaugurados apenas três planetários como este no interior do estado. Apenas o de Friburgo mantém-se ativo. Embora o Planetário seja subordinado à Secretaria municipal de Educação, desde 2010 Reinaldo vem gerindo sozinho o planetário, que está aberto a visitação semanalmente. Sem uma lei que torne o espaço oficialmente responsabilidade do município, o professor conta com a ajuda de parceiros para manter, pelo menos, parte da manutenção.

    “Consegui algumas parcerias com empresários para manter uma estrutura mínima para receber visitantes. Hoje, a capina é feita por uma dessas empresas. Alguns computadores foram doados por universidades”, conta Reinaldo, acrescentando: “Quando são disponibilizados funcionários e materiais da prefeitura, nós utilizamos, mas quando isso não acontece é arregaçar as mangas e fazer”, diz.  

Em fevereiro de 2017, uma visita do subsecretário municipal de Ciência e Tecnologia, Bruno Lannes, trouxe esperança, já que o planetário, desde sua reabertura não recebe reformas e por isso coleciona problemas de estrutura e manutenção. Na ocasião, Bruno disse que parcerias com a iniciativa privada poderiam ser a solução para colocar o espaço em funcionamento e, atrair visitantes. O planetário conta ainda com uma cúpula de projeção, uma sala de astronomia e outra de astronáutica.

Em nota enviada nesta quarta-feira, 18, a prefeitura informou que há duas opções para obras: a contratação de uma empresa, por licitação, o que está na dependência da confirmação da titularidade da posse do Ciep junto à Fundação Cecierj; ou a própria Fundação viabilizar as obras de recuperação através de uma licitação própria. A  Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissionalizante está acompanhando de perto o desenrolar da situação, na expectativa de que sejam melhoradas as condições de infraestrutura do local”.

Mãos que transformam

    Há oitos anos, o amor pela astronomia e a educação tem feito com que Reinaldo persista na missão de manter o planetário em funcionamento. Nem que para isso seja preciso investir dinheiro próprio e usar da criatividade para aprimorar e aumentar o acervo do local. As réplicas de foguetes, por exemplo, foram todas confeccionadas pelo professor. “Comecei fazendo um modelo para mostrar às crianças como era o foguete Saturno 5, que levou o homem a lua. Foi aí que pensei ‘já que montei esse, porque não faço outro?’ A partir daí, virou um hobby e agora tenho por volta de 80 réplicas de diversos pontos da história do programa espacial”, afirma.

 

   Agora, Reinaldo trabalha na construção de uma réplica da Apollo 11, a quinta missão espacial tripulada do programa americano Apollo e a primeira a realizar um pouso na lua. “A ideia é fazer com que as crianças tenham uma noção de como foi viajar ao espaço em uma nave espacial como aquela”, afirma. Feita através da reutilização de diversos materiais, a peça deve ficar pronta até o segundo semestre.

    Além desses objetos, o acervo do Planetário de Nova Friburgo ainda conta com réplicas de trajes espaciais, simulador de módulo de pouso, terrário de marte, rochas e meteoritos, cúpula de projeção do céu, telescópios, entre outros. Para agendar uma visita, basta fazer contato pela página Clube de Astronomia de Nova Friburgo, no Facebook, ou pelo telefone (22) 98159-0759.

 

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