Para início de conversa... Beber vinho com sabor de música

Estudos apontam que a música pode interferir nas sensações durante a degustação
sábado, 07 de dezembro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
Para início de conversa... Beber vinho com sabor de música

Não é possível saber se a música realmente afeta a produção de vinho, mas dizem que ela afeta a degustação. Diversos estudos já mostraram que degustar ouvindo música pode alterar a nossa percepção em relação a um vinho.

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo (Escócia) avaliam vinhos tintos e brancos sendo provados em ambientes sem som e depois com diferentes tipos de som, e em seguida pedem para os voluntários darem notas para suas percepções. Daí, percebeu-se que as notas foram mais altas quando havia música, principalmente as mais “pesadas”. Segundo eles, a “música de fundo influencia o sabor do vinho”.

E explicaram: “O gosto específico do vinho foi influenciado de maneira consistente com o humor evocado pela música. Se a música era poderosa e pesada, o vinho era percebido como mais poderoso e pesado do que quando nenhuma música de fundo foi tocada. Se a música de fundo era sutil e refinada, o vinho foi percebido como mais sutil e refinado do que quando não há música tocando.

Se a música de fundo era enérgica e refrescante, então o vinho foi percebido dessa forma. E se a música de fundo era aveludada e suave, o vinho também foi percebido da mesma maneira. A magnitude desses efeitos foi substancial, e mais fortes para o vinho tinto do que para o branco”. 

De acordo com a pesquisa, os vinhos tintos precisam de um tom mais baixo ou precisam de música que tenha emoção negativa. “Eles não gostam de música alegre. Com tintos caros, não toque música que faça você rir. Pinots gostam de música sexy. Cabernets gostam de música irritada. É muito difícil encontrar uma música que seja boa tanto para Pinot quanto Cabernet”, revelou o enólogo entusiasta da harmonização música e vinho, Clark Smith. Ele passou meses com vários painéis de degustação experimentando 150 vinhos com 250 músicas para encontrar harmonias e discordâncias, e elaborou um conjunto de harmonizações.

Vinho com sabor de Mozart

Há algum tempo, os austríacos Thomas Koeberl e Markus Bachmann vêm demonstrando que a música – especialmente a clássica – tem efeitos sobre o vinho durante o processo de fermentação. A teoria, conhecida como “Sonor Wines”, mostra que o vinho se torna mais refinado quando é fermentado ao som de compositores como Mozart, por exemplo.

Além do simples prazer emocional, a união de música e vinho pode ajudar no crescimento das uvas e deixar a bebida mais saborosa. A experiência para provar a teoria não é complicada. Nos tanques de fermentação, é introduzida uma pequena caixinha de som, que reproduz a música desejada. Nela são tocados, além de Mozart, ópera, valsa, jazz etc. Segundo a dupla, a reação entre o suco e as ondas sonoras deixa o vinho com menos açúcar e o torna mais complexo, profundo e maduro.

Tanto no Velho quanto no Novo Mundo essa crença já tem muitos adeptos. No Chile, um vinicultor produz vinhos ao som de cantos de monges. Na Espanha, há quem deixe os vinhos envelhecendo com clássicos como Mozart, Beethoven e Liszt, por acreditar que, dessa forma, as reações químicas acontecem no mais perfeito equilíbrio. 

O caso mais notável dessa prática vem da Itália, onde Giancarlo Cgnozzi intuiu que as vinhas cresceriam melhor se fossem acompanhadas por alguma música. Com o auxílio de institutos de pesquisa, o viticultor provou que a musicalidade de Mozart e Vivaldi, por exemplo, através de suas ondas sonoras, tem efeito positivo no crescimento e sabor de suas uvas. Além de elas crescerem mais do que o normal e amadurecerem mais rapidamente, elas ficaram protegidas de pragas e parasitas.

Há muito tempo se sabe que a música pode afetar nosso comportamento, mas foi só em 2008 que uma pesquisa ligou o aspecto psicológico da música à percepção do gosto do vinho. Os testes se basearam na relação entre a cognição e a música, que sugere que as ondas sonoras estimulam áreas específicas do cérebro. Então, quando um vinho é degustado, as áreas ligadas a essa atividade já estão ativadas e, por isso, permitem que as sensações sejam mais completas.

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