Para ambientalista, árvore que caiu na avenida não era adequada à margem de rio

Fernando Cavalcanti defende o monitoramento constante no espaço urbano
sábado, 11 de janeiro de 2020
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
A árvore que tombou no leito do Bengalas (Foto: Henrique Pinheiro)
A árvore que tombou no leito do Bengalas (Foto: Henrique Pinheiro)

 

Conforme noticiado em primeira mão pelo grupo de notícias de A VOZ DA SERRA (seja um membro clicando aqui), no fim da tarde da última quinta-feira, 9, motoristas e pedestres que passavam pela Avenida Comte Bittencourt, uma das mais movimentadas do Centro de Nova Friburgo e trecho urbano da RJ-116, levaram um grande susto quando uma grande árvore, plantada na Avenida Galdino do Valle Filho partiu-se e tombou no leito do rio. Parte de sua copa caiu sobre a calçada e uma das faixas da Avenida Comte Bittencourt. Por sorte, ninguém foi atingido.

Cerca de 20 minutos depois do ocorrido, uma equipe do Corpo de Bombeiros foi até o local e, com uma motosserra, retirou os galhos que ainda representavam risco aos pedestres e motoristas. Funcionários da prefeitura rapidamente limparam a pista de rolamento e a via compartilhada. Já na manhã desta sexta-feira, 10, equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Serviços Públicos avaliaram o local e fizeram a retirada do grande tronco que ainda estava represando o leito do rio.  

Sobre o incidente, A VOZ DA SERRA ouviu com exclusividade o ambientalista Fernando Cavalcanti, que afirmou categoricamente: “Em primeiro lugar, é importante dizer que a arborização ao redor de todo e qualquer rio é necessária. É importantíssimo o conjunto de árvores que temos ao longo das margens do Rio Bengalas. Não só do ponto de vista ambiental, de proteção das margens e do próprio rio, como também paisagisticamente. A nossa avenida, com a Ponte Branca, é conhecidíssima exatamente por ser bem arborizada, o que a torna muito agradável, inclusive para passear”, observou.

Cavalcanti, no entanto, completou: “As árvores, como todo ser vivo, tem um ciclo. A que caiu, provavelmente não era adequada para as margens do rio. (Pelas fotos) dá para perceber que houve o apodrecimento do conjunto de suas raízes e ela se desprendeu e caiu”, avaliou o ambientalista.

Como essas árvores estão em um lugar público, onde muitas pessoas circulam e, ainda por cima, é também uma rodovia estadual, Cavalcanti acredita que caso a árvore tivesse caído sobre a avenida, além de colocar a vida de pessoas em risco, o incidente poderia comprometer o trânsito de todo o Centro-Norte Fluminense.

“Esse conjunto de árvores deveria ser monitorado por profissionais, seja da concessionária Rota 116, que administra a rodovia, ou da Prefeitura de Nova Friburgo”, e completa: “Toda árvore nas margens dos rios deveria ser plantada. Porque aí seriam plantadas apenas as espécies adequadas, as que sobrevivem bem na beira do rio. No entanto, a maioria das árvores às margens do Rio Bengalas cresce espontaneamente. Não há um estudo para avaliar quais daquelas árvores são adequadas ou não para a beira de um rio”, finaliza o ambientalista.

A VOZ DA SERRA também enviou uma série de questionamentos à prefeitura, para saber qual a possível causa da queda da árvore, se há a previsão de um estudo da sanidade das árvores que margeiam o Rio Bengalas - a exemplo do que está sendo feito na Praça Getúlio Vargas -, e se havia alguma orientação a pedestres e motoristas que circulam pelo trecho, no entanto, até o fechamento desta edição, não tivemos nenhum retorno.

Árvores da praça em estudo

O incidente ocorreu justamente enquanto uma equipe de engenheiros e técnicos da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ-Fapur) realiza um minucioso estudo para avaliação de todas as árvores da Praça Getúlio Vargas.

Segundo João Vicente Latorraca, engenheiro florestal e professor da UFFRJ, o estudo é inédito. “A prefeitura nos informou que a análise interna dos troncos não foi feita. O estudo foi apenas de análise de fitossanidade. Mas também refizemos esse estudo. Periodicamente é preciso reavaliar as árvores para que, se necesssário, seja feita a intervenção correta”, afirmou o professor.

 

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