Otávio e Carolina, com seus bonecos gigantes, sai somente em Amparo

Adereços de quase três metros de altura fazem parte de uma história que já tem mais de 100 anos
sexta-feira, 01 de março de 2019
por Paula Valviesse (paula@avozdaserra.com.br)

Os primos José Elias Rocha - o Zezim, como é conhecido - e André Luiz da Rocha estão, há mais de 20 anos, cumprindo a missão de colocar o bloco carnavalesco Otávio e Carolina na rua. Tradição do carnaval de Amparo, os bonecos, de quase três metros de altura, fazem parte de uma história que tem mais de 100 anos, e em 2019 estarão pelas ruas do distrito, novamente, embalados pelas marchinhas e guiando os foliões.

Como tudo começou, é difícil dizer. Histórias dão conta de que na virada do século 19, quando o bloco foi criado, havia um casal muito festeiro que morava na região, cujos nomes serviram de inspiração para os três fundadores: Lico Costa, Sebastião Lamblet e Rufino Schuenck. O que realmente se sabe é que no carnaval de rua naquele período era comum os blocos terem carros ornamentados e bonecos que os representavam. Com Otávio e Carolina não foi diferente.

O casal de bonecos foi pioneiro do carnaval de Amparo. Passando por administrações diferentes após a morte dos seus fundadores, como a de Ibanez Winter e Nilton Teixeirão, no primeiro retorno ao carnaval, os bonecos ganharam nova configurações. Assim que assumiram o bloco eles mandaram refazer os fantoches, que ganharam uma armação feita de bambu.

“O bloco tem mais de cem anos e foi criado para desfilar em Amparo. Na época, o carnaval aqui era muito animado, mas ainda havia segregação. Além do ‘Otávio e Carolina’, na região ainda havia os blocos ‘da Rosa’, ‘das Flores’ e o ‘Estrela do Oriente’, que eram formados por negros. Após a morte de Lico, Sebastião e Rufino, o bloco acabou. Quem resgatou a história foram o Nilton e o Ibanez, que mandaram fazer os bonecos de taquara. Eram grandes e bem feitos, mas a armação era muito pesada, brincar carnaval carregando os bonecos era um teste de resistência”, conta Zezim.

A brincadeira seguiu sob comando de Betinho Schuenck na década de 70, foi novamente interrompida por alguns anos, até que os primos Zezim e André assumiram o desafio. Na gestão atual, as armações dos bonecos foram feitas de metal, com uma estrutura mais leve, que pesa pouco mais de cinco quilos, contando com o corpo de espuma e as roupas.

E nesses 20 anos, novos integrantes foram se juntando ao bloco. Otávio e Carolina ganharam dois filhos: Clarinda e Antenor. Um boi-bumbá e um burrinho também passaram a desfilar no carnaval, e o companheiro mais recente foi um boneco do ilustre Luiz Gonzaga, com óculos de sol, chapéu e sanfona.

“Desfilamos todos os anos no carnaval friburguense. Já fomos convidados para apresentações do bloco no carnaval de Niterói, onde desfilamos três vezes, e também do Rio, em Jacarepaguá, dois anos seguidos. Os bonecos são um sucesso: eles sambam, pulam e dançam embalados pela banda contratada para tocar marchinhas”, conta André.

Otávio e Carolina na folia de Amparo

Para o carnaval 2019, a programação do bloco Otávio e Carolina não contempla o desfile pelas ruas do centro da cidade. Segundo os organizadores, por questões financeiras eles optaram por sair apenas no distrito, onde são presença garantida a partir deste sábado, 2, até a terça-feira, 5.

“Peço desculpas a todos os friburguenses por não levarmos o bloco para o centro, este ano. Por falta de apoio e patrocínio, não conseguimos nos organizar financeiramente para contratar a banda e a estrutura necessária para o desfile na Avenida Alberto Braune. Mas aproveito para convidar a todos para virem curtir uma festa animada, cheia de atrações e com muitas brincadeiras, aqui em Amparo”, avisou Zezim.

Aos 79 anos, Zezim ainda comenta sobre a oportunidade para novos nomes do carnaval de levar adiante a tradição do Otávio e Carolina: “Todos os anos nos organizamos para apresentar nosso melhor desfile aos foliões, mas a idade já vem chegando, então buscamos pessoas comprometidas com a história do bloco e também do bairro para nos suceder nesse projeto. Não podemos deixar o Otávio e Carolina parar!”, conclamou Zezim.

 

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