Obra homenageia ciclistas friburguenses

Troféu exposto na Praça do Suspiro retoma atividades de clube criado há 120 anos na cidade
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Obra homenageia ciclistas friburguenses

Organizador de eventos de ciclismo em Nova Friburgo, Orlando Mielli apresentou na última sexta-feira, 15, durante a reabertura da sala da Suíça, na Praça das Colônias, no Suspiro, o Troféu Eduardo Salusse de Ciclismo, que irá homenagear atletas friburguenses de destaque na modalidade. “Vamos afixar na base da peça os nomes de todos os campeões de ciclismo na cidade. Já iniciamos o trabalho de pesquisa e identificamos atletas com vitórias nas décadas de 1940 e 1950”, contou Miele.  

O troféu não foi idealizado como um prêmio que será entregue aos atletas, mas como um monumento que reverenciará grandes nomes do esporte. A obra ficará em exposição na Praça das Colônias e também deve circular por outros espaços, como o museu da Casa Suíça, em Conquista; a Usina Cultural Energisa, na Praça Getúlio Vargas; e também no Espaço Cultural InterTV, no Cadima Shopping.

Criada pelo artista plástico Gelso Luz (na foto entre Geraldo Thurler, presidente da Associação Fribourg-NovaFriburgo e da colônia suíça, e Orlando Mielli), a peça é composta por uma base de cerca de 40 centímetros de altura, onde serão afixadas as placas em homenagem aos atletas, com nome, local e ano em que venceram competições de ciclismo no país e no mundo. No alto da estrutura, o destaque da obra: uma bicicleta abstrata e tridimensional construída em fibra de vidro, aço inox e policarbonato.

A homenagem é uma das primeiras ações do Bicyclete Club Friburguense, criado em 1899 por Eduardo Salusse, e refundado por Orlando Miele há três anos. O clube de ciclismo pretende se tornar uma associação representativa da modalidade em Friburgo, onde são realizadas três grandes competições, o Montanha Cup, o GP das Montanhas e o Route MTB. “Começamos a divulgar o clube agora porque gostaríamos que as nossas ações coincidissem com os festejos dos 200 anos da cidade, comemorados no ano passado. E também dos 200 anos da chegada dos suíços no país, este ano”, contou Mielli.

Memória

Entusiasta da modalidade esportiva, Orlando descobriu o clube de ciclismo criado por Salusse há cerca dez anos, quando teve acesso a um artigo publicado no extinto jornal A Sentinela, em 1898, que noticiou a fundação do Bicyclete Club Friburguense. Miele foi a fundo na história e decidiu refundar a associação. “Saber que no Brasil, o país do futebol, onde pouco se fala do ciclismo, uma pessoa fundou um clube de ciclismo numa cidade do interior no século retrasado... é uma riqueza impressionante do ponto de vista histórico e esportivo. Clubes desse tipo só existiam nas capitais”, afirmou Miele.

Inventada em 1839, a bicicleta chegou a Nova Friburgo no século 19, segundo a historiadora Janaína Botelho. Em artigo publicado por A VOZ DA SERRA, em 2016, a professora contou que as bicicletas eram consideradas elementos de modernidade. “Muitas delas já circulavam pela cidade, e exigia-se que os ciclistas, à noite, tivessem marcha moderada e a lanterna acesa, pois a população friburguense ainda não havia se acostumado com aquela novidade, assim como os velocípedes, geralmente utilizados pelos meninos”, escreveu Janaína.

A historiadora continua: “Com a chegada dos veranistas a Nova Friburgo, geralmente nos fins de ano, já se começava a projetar eventos na cidade. As corridas de bicicleta eram consideradas como um grande momento do verão friburguense. A então praça 15 de novembro (atual Getúlio Vargas) era transformada no velódromo friburguense.

Eduardo Salusse, de tradicional família da cidade, criou em 9 de abril de 1899, o Bicyclette Club Friburguense, destinado a competições desse veículo. Além de ser considerado um divertimento, era ainda um exercício físico bastante procurado por quem desejava trabalhar o corpo e a mente.

As corridas de bicicleta eram realizadas aos domingos, sempre ao meio-dia. A presença de juízes de partida, de chegada e juízes de raia dava uma conotação de disputa acirrada entre os participantes. Muitos deles, inclusive, vinham de fora da cidade. Um cenário semelhante ao encontrado nos dias atuais. Essas corridas tinham normalmente seis páreos, com uma média de seis participantes em cada um.

E motivação não faltava: havia prêmios como medalhas de ouro, prata, bronze e caixas de champanhe. Quando os ciclistas friburguenses participavam de torneios fora da cidade e retornavam como vitoriosos, eram recebidos na gare da estação com grande festa pela população, que os acompanhava até as suas residências com muitas saudações ao longo do trajeto.

Geralmente organizados por Eduardo Salusse, esses eventos restringiam-se à elite local, a exemplo do barão de Mesquita, que servira como juiz de partida. Próximo ao velódromo havia o botequim Velódromo Friburguense. Após as partidas os ciclistas se reuniam para degustar cervejas nacionais e estrangiras, chopp gelado, vinho do Porto, cognac, vermout, champanhe Veuve Clicquot, sorvete, frutas, sanduíches e pasteis”.

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TAGS: ciclismo