Num sinal da avenida, um exemplo de força de vontade

"Depois daqui eu vou para casa estudar. Em casa eu estudo inglês, me interesso por japonês e desenho", diz jovem que vende paçoca em busca de seus sonhos
sábado, 10 de agosto de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)

Guilherme Barbosa, 17 anos, é friburguense. O que a vida não lhe deu de oportunidade, ele mesmo criou. O jovem é de uma família humilde e se viu obrigado a largou os estudos faltando dois anos para completar o ensino médio. Uma realidade, infelizmente, muito comum hoje em dia.  

Atualmente, o rapaz vende paçocas no sinal de trânsito da Avenida Presidente Costa e Silva, na altura do quartel do 11º BPM. Com ele, uma placa, que é confecção própria, chama a atenção. Nela, a mensagem que revela o motivo da venda dos doces: o objetivo de Guilherme é tornar-se um empresário. A cena chamou a atenção da nossa equipe que passava pelo local.

Resolvemos, então, conversar com ele e aí surgiu a ideia de fazer uma entrevista para divulgar sua iniciativa e despertar a curiosidade de empresários da cidade.

AVS: O que levou você a vender doce?

Guilherme Barbosa: Eu sempre tive um problema social, uam dificuldade de me relacionar com as pessoas, de conversar. E eu nunca pude depender financeiramente dos meus pais. Resolvi, então, eu mesmo correr atrás dos meus objetivos. Já vi na internet que muitas pessoas costumam vender produtos em sinais e fazem placas explicando o porquê de estar ali, então resolvi fazer igual.

E por que escolheu ser um empresário?

No começo, a ideia de ser um empresário não era verdade, mas depois de um tempo eu comecei a pensar sobre isso e pensei “Poxa, por que não?”. Eu nunca fui de seguir muito o padrão das coisas, fazer o que todo mundo faz, e queria fazer algo diferente. Então decidi sobre essa carreira e se tudo der certo, vou trabalhar no ramo de audiovisual porque eu gosto muito de música.

Você tem ideia de como dar esse primeiro passo?

Eu ganhei de um amigo uma apostila sobre empreendedorismo. Eu ainda não fiz nenhum curso, mas quero fazer.

Você está estudando?

Ainda faltam dois anos para terminar o ensino médio, mas eu também estudo por conta própria, em casa. Pretendo fazer um supletivo para me formar.

  • Uma pausa na entrevista. Informo ao meu xará sobre o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), instituição estadual com supletivo nos ensinos fundamental e médio. Antes da entrevista, entrei em contato com o Ceja (Praça Demerval Barbosa Moreira, 15) para saber como o jovem poderia realizar sua inscrição. Prestes a completar a maioridade, informo que assim que ele fizer 18 anos, ele pode se matricular na instituição. Mais confiante e me prometendo que iria retomar os estudos em breve, continuamos a entrevista.

Você tem alguma meta com relação à venda de doces no sinal?

Eu pretendo vir aqui todos os dias com a plaquinha e vender doce até que surja algo melhor. Estou aqui em busca de uma oportunidade. O objetivo é subir, não é ficar na mesma coisa sempre.

Você recebe muito incentivo?

Tem gente que dá um dinheirão só para ajudar, outras dizem palavras de incentivo, mesmo quem não compra nada, mas dá um sorriso, já está ótimo.

Quanto tempo você costuma ficar aqui no sinal?

Geralmente em torno de quatro, cinco horas por dia, até acabar a caixa de paçoca. Depois daqui eu vou para casa estudar. Em casa eu estudo inglês, me interesso por japonês e desenho. Eu tenho esse sonho de me tornar um desenhista, principalmente na área de quadrinhos que eu gosto muito.

Sua família apoia você?

Eles não me impedem de vir aqui e vender os doces, essa é a forma deles demonstrarem o apoio em mim.

O que dizer para outros jovens que buscam uma oportunidade, igual a você?

A gente mora no Brasil e aqui as coisas são muito difíceis. Você tem que se levantar do sofá e fazer alguma coisa, não pode ficar esperando algo cair do céu porque isso não vai acontecer. Se não se mexer, nada vai acontecer. Um exemplo são vocês aqui me entrevistando. Eu saí de casa e fiz a minha oportunidade e você apareceram aqui. Tem que dar a cara para bater. Muita gente se importa com as opiniões dos outros. Um dia a pessoa pode morrer e não ter vivido seu sonho. Façam alguma coisa, ainda hoje, se possível.

  •  Ao final da entrevista, enquanto vendia seus doces, um motorista pediu que Guilherme montasse seu currículo e o entregasse no dia seguinte. Estamos aguardando e torcendo para Guilherme continue subindo cada vez mais alto. 

 

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