No Loteamento dos Maias, o perigo migra das encostas para o meio da rua

Obra de contenção do governo do estado, recém-concluída, contrasta com o mau estado de conservação das vias
sábado, 12 de janeiro de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)

 

O governo do estado concluiu uma gigantesca obra de contenção de encosta no principal acesso ao Loteamento dos Maias, no distrito de Conselheiro Paulino, no fim de dezembro. Mas, o que chama a atenção de quem passa pela Rua Eugênia de Almeida Maia é a buraqueira no asfalto, responsabilidade da Prefeitura de Nova Friburgo.

“Isso está uma vergonha! Onde está sendo aplicado o asfalto produzido na usina de asfalto da prefeitura?”, questionou um motorista que passou pela equipe de reportagem e seguiu caminho até o alto do morro, na última sexta-feira, 11.

Da RJ-116, na altura da Fábrica Stam, dá para ver a obra de contenção feita no morro que desabou e bloqueou a rua na tragédia climática de 2011. Iniciadas em meados de 2017, a obra custou cerca de R$ 7,7 milhões ao estado. O solo da encosta (parte externa) foi grampeado e grelhas atirantadas de concreto foram instaladas. Embaixo da rua, também foi feita uma grande contenção com cortinas atirantadas. O sistema de escoamento da chuva destina a água para o Rio Bengalas, que passa logo abaixo.

“Essa obra é uma maravilha. Parece muito resistente. Na tragédia tivemos que caminhar em meio à lama ou cortar caminho por outra estrada para chegarmos em casa”, recorda Marilza Coelho, que vive na localidade há mais de 20 anos.

A dona de casa comemora a entrega das obras, mas se queixa de que na porta da sua casa não é possível passar quando chove. Ela vive com a família na Rua Jorge Paulo de Souza Maia, uma das piores do loteamento. A via de terra batida tem buracos e muitas pedras, o que dificulta a passagem de idosos e veículos. “Estamos largados à própria sorte. Já solicitamos reparos à prefeitura, mas nada foi feito até agora”, disse Marilza.

Buracos: o tormento dos moradores

Pedalar nas ruas esburacadas do loteamento é uma dificuldade para o pedreiro José Roberto Costa, que utiliza a bicicleta para chegar o local de trabalho todos os dias. “Se para mim não é fácil, para as crianças então é perigoso. Elas nem se arriscam a pedalar aqui na Rua Jorge Paulo de Souza Maia, por que tem muita pedra”, comentou.

A aposentada Maria Edith Costa, de 68 anos, também pena para subir a ladeira da casa onde vive com outras 10 pessoas. Ela tem uma nora cega e cadeirante. “Quando precisamos levá-la ao médico, é uma dificuldade. Carro, às vezes, não sobe aqui devido ao estado da rua. Quando chove, não posso ir à igreja. Meus netos acabam tendo que faltar aula, caso contrário, chegam todo enlameados ao colégio. É uma vida difícil”, relatou.

A buraqueira se espalha por outras ruas do loteamento. Moradores ainda se queixam dos atrasos do ônibus que passa pela localidade. Aos finais de semana, dizem, o tempo espera demora ainda mais, já que o coletivo circula por Furnas e Parque das Flores antes de seguir para o Centro. A viagem dura, em média, mais de uma hora.

Procurada nesta sexta-feira, 11, para comentar as queixas dos moradores, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que a Subprefeitura Municipal de Conselheiro Paulino está ciente do problema mencionado na reportagem e “que está aguardando a chegada da massa asfáltica para dar início à operação Tapa Buraco em todos os locais do distrito que apresentam necessidade”, diz a nota.

 

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