Na adolescência, cuidados redobrados

sábado, 08 de dezembro de 2018
por Thaís Quintão*
A psicóloga Thaís Quintão
A psicóloga Thaís Quintão

"Não temos como fugir do mundo virtual e de suas grandes vantagens e desvantagens. As redes sociais nos deixam em contato com o universo, trazendo milhões de possibilidades de aprendizado, comunicação entre as pessoas e informações em tempo real, nos beneficiando e aproximando de outras culturas e línguas. Por outro lado, também nos leva a partilhar informações tendenciosas e postagens indesejáveis, que se não forem bem administradas poderão influenciar e desviar comportamentos.

Aos pais, cabe a responsabilidade pelo acompanhamento e a orientação no uso correto das redes sociais. Devem, de acordo com a idade de cada um, mostrar o que se pode usar e dar limite para esse uso. Crianças bem orientadas saberão distinguir o certo do errado, e aprenderão a diferenciar o que poderão utilizar e até onde poderão ir. Mesmo assim, não é o bastante.

Na adolescência esse controle torna-se mais complicado, já que a curiosidade é inerente a essa idade e leva os jovens a buscarem novidades e amigos que se identifiquem com eles. É nessa fase que os responsáveis precisam redobrar a atenção e observar o comportamento e quanto tempo eles passam nas redes sociais. É preciso acompanhá-los mais de perto, indagando sobre o dia a dia, procurando conhecer os seus amigos, mas, demonstrando confiança. Assim como pais que orientam os filhos para que não falem com estranhos na rua ou aceitem algo deles, também devem alertá-los para os mesmos cuidados no mundo virtual.

Como a capacidade de regulação destas mídias é pouco eficaz, estes jovens estão muito expostos ao cyberbullying, à pedofilia, entre outras invasões de privacidade sem falar em dependência tecnológica e privação de sono. Pais que não estão interessados ou acostumados com a internet e redes sociais deveriam procurar se informar e se capacitar, para ter mais controle sobre o que seu filho está acessando e com quem está fazendo contato.

Outro ponto que deve ser esclarecido é que, uma vez na rede, a mensagem, foto ou vídeo não está mais sobre o controle do autor. Conteúdos enviados por celular também podem se espalhar. Ensine seus filhos a não se deixarem fotografar em situações constrangedoras, inclusive através de uma webcam ou celular. É importante saber que fotos e informações pessoais podem ser manipuladas e cair em mãos erradas, resultando em danos irreparáveis.

Para evitar que a ânsia pela proteção se torne invasiva, é preciso que pais e filhos selem uma relação de parceria, baseada no respeito, no amor e na confiança mútua. Pais devem conversar com os filhos com sinceridade, revelar suas preocupações, enfatizando que a família não quer controlar suas ações, mas sim, protegê-lo dos perigos na internet. Esteja sempre aberto para ouvir seu filho."

* Thaís Quintão é psicóloga

 

Quando é crime

O artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê as situações de crimes, que incluem a posse e a distribuição de imagens de crianças com teor sexual. Saiba onde denunciar crimes cibernéticos:

  • Site da Safernet: Mantido pela equipe da Safernet, o site recolhe denúncias anônimas relacionadas a crimes de pornografia infantil, racismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, entre outros.
  • Canal do Cidadão do MPF: O Ministério Público Federal recebe denúncias de diferentes tipos. A pessoa pode optar por manter os seus dados sigilosos ou não. A Procuradoria-Geral da República recomenda aos cidadãos apresentarem o maior número de provas para que o processo possa ter mais agilidade.
  • Disque 100: Outro canal para realizar denúncias de casos de abuso ou violência sexual é o Disque 100, serviço coordenado pelo Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. O Disque 100 funciona 24 horas por dia, as ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer local no Brasil. A denúncia é anônima e as demandas são encaminhas para as autoridades competentes.

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