Mulheres na política em Nova Friburgo

Duas únicas vereadoras da cidade, Vanderléia Pereira Lima e Nazareth Catharina falam sobre voto feminino e empoderamento
terça-feira, 11 de setembro de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
Mulheres na política em Nova Friburgo

Luísa Alzira Teixeira Soriano foi a primeira prefeita brasileira, eleita em 1928 em Lages (RN), aos 32 anos, e primeira mulher da América Latina a assumir o governo de uma cidade, segundo notícia publicada na época pelo jornal norte-americano “The New York Times”.Em 1934 tomou posse a primeira deputada federal, Carlota Pereira de Queirós, médica, escritora, pedagoga e política brasileira. O Senado só teria suas primeiras parlamentares mulheres em 1990. Em 1994, Roseana Sarney foi a primeira mulher escolhida pelo voto popular para chefiar um estado, o Maranhão. Em 2011, tomou posse a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff. E, no Congresso, foram eleitas as primeiras vice-presidentas da Câmara dos Deputados e do Senado.

As mulheres somam mais da metade dos eleitores no Brasil (52%), no entanto, menos de 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por parlamentares do sexo feminino. Apenas 45 deputadas têm a tarefa de representar o universo feminino. Se quisermos ter pautas relacionadas aos direitos das mulheres apresentadas e apreciadas nas casas legislativas de todo o país, é preciso ocupar muito mais cadeiras.

Em Nova Friburgo, a mulher ocupa os mesmos menos de 10% do Congresso Nacional. Nas décadas de 1960/70, Laura Milheiro de Freitas cumpriu intensa atividade na política-partidária do município, como a primeira vereadora do estado do Rio.  Presidiu a nossa Câmara e assumiu ainda a função de prefeita durante 40 dias, em substituição a Amâncio Mário Azevedo. Na década de 1980, foram eleitas Ledir Porto, Angela Fernandes e Irany Medeiros. Em 1992, Saudade Braga assumiu uma cadeira na Câmara e no início da década de 2000, foi eleita e reeleita prefeita, governando a cidade até 2008.

Atualmente, temos duas mulheres na Casa Legislativa: Vanderléia Pereira Lima e Nazareth Catharina (fotos, respectivamente). Confira como atuam e o que pensam nossas representantes na Câmara Municipal de Nova Friburgo.

Como você analisa a sua atuação na Câmara?

Vanderleia Lima: A nossa atuação tem sido efetivamente na elaboração de projetos, emendas na Lei Orgânica, indicações junto ao Executivo, através das Secretarias, no intuito de atender as necessidades das comunidades, no que diz respeito às áreas de saúde, educação, obras e mobilidade urbana, essas com mais carências e outras.

Nazareth Catharina: Tenho procurado participar de todas as sessões, tento votar em projetos e indicações que vão de acordo com minha consciência e princípios, levando em conta sempre as necessidades da população em geral.

 

Quais as principais demandas que você recebe do seu eleitorado, em particular, e do eleitorado em geral?

Vanderleia:  Em geral as demandas que mais nos chegam diz respeito à falta de vagas em creches, ao desemprego, pedidos de asfaltamento, coberturas em pontos de ônibus, falta de lixeiras, entre outras necessidades, quer sejam individuais ou para as suas comunidades.

Nazareth: As demandas que tenho recebido dos eleitores em geral, e também do meu próprio eleitorado, são queixas sobre a saúde, saneamento e administração pública; sempre procuro levar em conta a situação do município, e faço visitas constantes nos bairros e nas comunidades (pessoalmente ou através dos meus assessores) com fins de fiscalizações. Procuro sempre levar estas queixas ao Executivo em forma de ofícios e indicações legislativas.

 

A que você atribui a baixa votação e representação feminina nas casas legislativas, dos municípios e estados, e no Congresso, considerando que o eleitorado feminino é maioria?

Vanderléia: À discriminação da mulher que é um fato, evidente em nossa sociedade, o que a inibe, e também à falta de incentivo. Eu costumo dizer que lugar de mulher é onde ela quiser estar, quando ela quer ela conquista o seu espaço seja ele onde for.

Nazareth: Acredito que assim como a sociedade em geral, o eleitorado feminino está desacreditado do atual quadro político no país. E penso que esse seja o principal motivo também da falta de representantes femininas no cenário político.

 

Como avalia o fato de mulher não votar em mulher?

Vanderléia:  Depende do ponto de vista de cada um, pois tenho um grande número de eleitores do sexo feminino.

Nazareth: Eu não penso dessa forma. Acredito que mulheres e homens votam em quem acreditam ser um bom candidato, independente do gênero, classe ou raça.

 

Quanto ao alto índice de eleitores indecisos ou propensos a anular o voto, o que acha?

Vanderléia: Atribuo aos casos de corrupção amplamente divulgados em toda a mídia. Por isso vejo a necessidade de serem apurados e punidos com rigor, para que os bons políticos não sejam penalizados com a descrença da população. Gostaria de acrescentar também que o nosso trabalho não se resume apenas ao que é feito aqui na Câmara: fazemos chegar às comunidades carentes e distantes o nosso gabinete Itinerante, ouvindo as comunidades e procurando atendê-las da melhor forma possível buscando soluções para as suas necessidades. Presido a Comissão de Direitos Humanos, da Mulher e das Pessoas com Deficiências; participo também como membro das comissões de Educação e Cultura, de Agricultura, Pecuária, Aquicultura e Desenvolvimento Rural; Comissão de Legislação Participativa, Revisão da Lei Orgânica e do Regimento Interno; Comissão Especial Reforma da Lei Orgânica; Comissão de Turismo, Integração Regional, Relações Exteriores, História e Patrimônio. No dia 30 de julho passado realizamos o 1º Encontro de Vereadoras do Estado do Rio de Janeiro, que foi muito importante no sentido de unificar e fortalecer a mulher na política, trocando informações e experiências em prol de melhorias para cada região.

Nazareth: Pela mesma razão da terceira resposta, ou seja, o brasileiro em geral está muito desacreditado da política por causa do atual cenário. Para finalizar, e pegando um gancho nesta pergunta, quero dizer que mesmo diante de tantas dificuldades e descrença, não devemos desanimar e temos todos que exercer nossa cidadania e comparecermos às urnas no dia 7 de outubro, determinados a mudar esse quadro que só poderá ser revertido com o nosso voto, avaliando e escolhendo cada candidato de acordo com suas ações, idéias e propostas, para não errarmos.  

 

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