Mulher sai do Raul Sertã com rim do marido nas mãos

Hospital devolveu órgão porque não tem funcionário para realizar biópsia
sexta-feira, 19 de julho de 2019
por Jornal A Voz da Serra
O rim do paciente foi entregue à esposa dele em um frasco de polpa de maracujá (Arquivo pessoal)
O rim do paciente foi entregue à esposa dele em um frasco de polpa de maracujá (Arquivo pessoal)

Uma mulher saiu do Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, na última quarta-feira, 17, com um rim do marido nas mãos. Maristher Fukuoka recebeu o órgão de volta, dentro de um pote de plástico de suco de frutas, porque a unidade está sem funcionário para realizar biópsia. A mulher foi orientada a levar o órgão, por conta própria, a um laboratório particular. O exame deveria ser feito às custas da família.

No último dia 20 de março, o marido de Maristher passou por uma cirurgia no hospital para a retirada do rim, devido à descoberta de um tumor. O órgão retirado seria encaminhado para biópsia no Rio de Janeiro. Esse exame ajuda a identificar, por exemplo, se outras manifestações cancerígenas reincidem da primeira lesão ou se são um novo câncer. O marido de Maristher sobreviveu à doença. 

A mulher contou também que foi orientada a procurar o hospital 15 dias depois para obter o resultado. Ela afirma que ligou e esteve no laboratório do Raul Sertã diversas vezes, mas nunca obteve o resultado da biópsia. Passados quatro meses após a cirurgia do marido, Maristher voltou ao hospital na última quarta-feira, 17, e exigiu uma resposta a respeito do resultado da exame. 

Segundo Maristher, após muita insistência, um funcionário informou-lhe que o órgão sequer havia saído da unidade, e revelou ainda que havia uma fila de 800 procedimentos do tipo para serem feitos no laboratório. A mulher afirma, contudo, que em um livro de registro do Raul Sertã consta que o rim foi levado para biópsia ao Rio no dia 23 de março, três dias depois da cirurgia do marido dela. 

“Briguei, falei muitas coisas que a responsável não queria ouvir, e num instante o rim apareceu nas minhas mãos”, desabafou a mulher em um post publicado em sua página no Facebook.

Em entrevista ao RJ-TV, da Inter TV, nesta sexta-feira, 19, Maristher detalhou que a responsável pelo laboratório no Raul Sertã entregou-lhe o rim dentro de um pote plástico com rótulo de polpa de maracujá. “Ela falou que ,se eu quiser procurar o Ministério Público, eu posso ir. E dali eu saí desesperada. Falei: gente, o que eu vou fazer com isso aqui?", contou Maristher.

A mulher disse ainda que saiu do hospital com o rim do marido nas mãos e procurou uma clínica particular na Rua General Osório, no Centro, que cobrou R$ 600 para realizar o exame no órgão. O resultado deve sair no dia 14 de agosto.

O que diz a prefeitura

Procurada, a Prefeitura de Nova Friburgo informou, em nota, que o Hospital Municipal Raul Sertã está com uma demanda reprimida na realização das biópsias devido ao desligamento do profissional que realizava o serviço. O governo disse ainda que já providenciou contratação de um novo profissional e, em breve, o serviço deve ser normalizado. 

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TAGS: saúde